Walther Wever
(1887 - 1936)


Walther Wever nasceu no dia 11 de Novembro de 1887 em Wilhelmsort na Prússia Ocidental (atual Polônia). Filho de Arnold Wever, diretor de um banco de Berlim e neto do Procurador-Geral da Prússia Dr. Carl George Wever. Entrou para o exército em 15.03.1905 como Fahnenjunker no Grenadier-Regiment 10. Após se formar na escola de oficiais em Schweidnitz, serviu como Leutnant até 1914 sendo promovido a Oberleutnant em 19.02.1914.

Durante a I GM foi promovido a Hauptmann em 18.06.1915 e posteriormente transferido para o Estado-Maior quando serviu como oficial de stab do Oberst- Heeresleitung ou OHL (Comando Supremo do Exército). Nessa função, ele tomou parte no desenvolvimento do "conceito de defesa-elástica", isto é, deixar as posições durante o fogo de artilharia, concentrado-se na retaguarda e de lá avançar novamente após o término da barragem. Planejou a ofensiva alemã de primavera em 1918, bem como a retirada dos territórios ocupados na França e Bélgica. Nesse período, ele recebeu a Cruz de Ferro de 2ª e 1ª classes.

Após a I GM permaneceu no Reichswehr servindo no Truppenamt (comando geral), a partir 1932, já como Oberstleutnant, foi nomeado chefe do Abteilung T4 ou Ausbildungsabteilung (Departamento de Treinamento).

Promovido a Oberst em 01.02.1933, foi transferido para o RLM em 01.09.1933 tornando-se chefe do Luftkommandoamt (Departamento de Comando Aéreo), no lugar de Eberhardt Bohnstedt. Em 01.03.1935 com a criação oficial da Luftwaffe, o então Generalmajor Wever tornou-se o primeiro Chef der Generalstabes der Luftwaffe (Chefe do Estado-Maior da Luftwaffe), cargo que ocupou até a sua morte.

Wever era um defensor do bombardeiro estratégico e reconheceu a sua importância ainda no inicio de 1934. Ele delineou cinco pontos-chave na estratégia aérea:

1- Destruir a força aérea inimiga bombardeando suas bases e fábricas de aviões, e defender alvos alemães da     força aérea inimiga
2- Evitar o movimento em larga escala das tropas inimigas atacando ferrovias e rodovias destruindo principal-     mente pontes e túneis.
3- Apoiar as operações das formações do Exército, impedindo o avanço inimigo
4- Apoiar as operações navais, atacando bases navais, participando diretamente em batalhas navais.
5- Paralisar o inimigo pela interrupção da produção nas fábricas de armamentos.

Göring, Hitler e Wever ao fundo.

Wever começou a planejar uma força de bombardeio estratégico procu-rando incorporá-la dentro da estratégia aérea vigente. Ele acreditava que as aeronaves táticas deviam ser usadas apenas como um passo para o desenvolvimento de uma força aérea estratégica.

Em maio de 1934, Wever iniciou um projeto de sete anos para o "Bombardeiro dos Urais", ou seja um bombardeiro que fosse capaz de atacar o coração industrial da União Soviética. Em 1935, tal conceito levou ao surgimento dos protótipos do Dornier Do 19 e Junkers Ju 89.

Contudo, após a sua morte em 1936, os projetos foram abandonados e o desejo de Wever de um bombardeiro que fosse capaz de chegar aos Urais nunca foi realizado.

Em 03 de junho de 1936 o Generaleutnant Wever voou de Berlim a Dresden, para dar uma palestra na Luftkriegsakademie a um grupo de cadetes da Luftwaffe, quando recebeu a notícia da morte de um herói da Primeira Guerra Mundial. Ele imediatamente partiu para Berlim.


Em sua viagem de regresso o Heinkel He 70 Blitz que ele pilotava não havia sido devidamente checado. Após decolar, a aeronave estava sobrevoando Klotzsche (próxima a Dresden) quando estolou devido a problemas nos ailerons e caiu abruptamente explodindo em chamas, matando Wever e seu engenheiro de vôo.

Após a sua morte, Göring nomeou o Generalleutnant Albert Kesselring como seu sucessor e o Oberst Ernst Udet como chefe do departa-mento técnico (Technisches Amt). Tanto Kesselring quanto Udet, os novos estrategistas da Luftwaffe, favoreceram a construção de aerona-ves menores.

Eles eram defensores do bombardeiro de mergulho (Junkers Ju 87) e da doutrina de apoio tático e a destruição das forças inimigas sobre o campo de batalha (conceito aliás que funcionou muito bem no inicio do conflito, durante a Blitzkrieg) em vez de atacar a indústria de produção de armamentos.

Como resultado, o bombardeio estratégico foi renegado a segundo plano e o desenvolvimento de aeronaves ficou confinado a produção de bombardeiros médios bimotores (Heinkel He 111, Dornier Do 17, Junkers Ju 88) que exigiam muito menos material e mão de obra do que o "Bombardeiro dos Urais" de Wever. Dessa forma a Luftwaffe ficou sem uma força aérea estratégica à altura durante a II GM, o que acabou por se revelar fatal para o esforço de guerra alemão no decorrer do conflito.



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