As armas pessoais dos pilotos

Embora desempenhem um papel marginal nos campos de batalha, as armas curtas (como são chamados os revólveres e as pistolas) são uma presença constante nas forças armadas de qualquer País desde sua criação nos idos do século XVI. Considerada, a princípio, mais um símbolo de status na tropa - já que primeiramente somente nobres e oficiais poderiam transportá-las - do que uma arma efetiva, seu emprego tático foi sendo alterado ao longo dos tempos.

Até a virada do século XIX para o XX, as armas curtas fi-caram mais restritas aos oficias e membros de tropas montadas, as quais precisavam de armas que pudessem ser operadas com apenas uma mão, já que a outra esta va ocupava com o sabre.

Então, na década de 1890, surgiu a pistola semi-automá tica, que se caracterizava pelo uso dos gases resultan-tes da explosão do cartucho para ser acionada. Isso lhe garantia uma velocidade de tiro mais rápida em relação ao revólver, além do fato de que usualmente possuíam uma maior capacidade de munição. Logo, as principais nações começaram a adotar esse armamento como par te de seu arsenal.

Os alemães estão entre os primeiros a adotarem pistolas semi-automáticas como armas regulamentares de suas Forças Armadas, com a Marinha Imperial escolhendo a Luger Naval em 1904 (daí sua denominação entre colecionadores de Luger Modelo 1904), seguida pelo Exército em 1908, oficialmente designando-a Pistole 08 (ou, popularmente, Luger P08).

As pistolas semi-automáticas foram rapidamente assimiladas pelas tropas e seu uso oficial foi muito difundido. Quando da eclosão da I Guerra Mundial, em 1914, o Exército Imperial alemão autorizava o uso deste tipo de armamento em regimentos de artilharia (oficiais não-comissionados - NCO - e soldados de linha de frente), cavalaria, unidade de metralhadoras (NCO´s), pessoal médico, franco-atiradores, unidades de transporte, guardas (polícia militar e polícia ferroviária) e, logicamente, todo oficial (acima do posto de Leutnant) em serviço.

Essa estrutura foi não só mantida como ampliada durante o III Reich. Via de regra todos os Oficiais Comissionados, bem como os Não Comissionados (NCO´s), deviam portar estas mas, ao longo do conflito o seu uso se espalhou, terminando por serem carregadas por qualquer soldado que precisasse ter liberdade de movimentação (o que lhe impedia de utilizar os pesados e grandes fuzis da época). Nessa categoria, estavam os motoristas, sinaleiros, médicos e tripulações de tanques e aviões.

Mais ainda, uma vez que a aquisição de armas de fogo por civis foi proibida durante o governo nazista (interessante observar que todo regime de aspirações totalitárias sempre procura desarmar o cidadão de bem...), liberou-se a aquisição privada para todo oficial que quisesse portar sua própria arma. Essa medida, que visava aliviar a demanda de armas pela Wehrmacht, fez com que

as armas regulamentares de dotação como a Luger P-08 e a Walther P-38, fossem tecnicamente posse do Estado, enquanto que as armas dos oficiais fossem privadas ou "comerciais". Com isso, os oficiais alemães tinham uma liberdade muito grande para escolherem a sua arma pessoal, ao contrário dos soldados de postos mais baixos, que eram obrigados a carregarem as armas regulamentares da Luftwaffe (i.e. da Wehrmacht).

Mesmo assim, praticamente toda a produção de armas "co-merciais" após 1939 foi adquirida para fins militares, como foi o caso das pistolas Walther PP e PPK, Mauser HSc e Sauer 38H, entre outras. Essa política permitiu que um grande núme ro de oficiais e, posteriormente, soldados subalternos, tives-sem acesso a uma arma curta, ao contrário do que ocorria nos exércitos aliados. Desse modo, à época da II Guerra Mundial, a tradição de se portar armas pessoais já era largamente difun dida na Wehrmacht e, por conseqüência, na Luftwaffe.

No caso específico de tripulantes de aviões, a principal arma de dotação, nos primórdios da criação da Força Aérea nos i-dos de 1934, foi a Luger P-08 em calibre 9mm Parabellum, quer por se tratar da única escolha possível, quer pela tradi- ção. Entretanto, rapidamente, constatou-se que a veterana pis tola, além de um pouco ultrapassada (seu projeto datava de 1899), era muito volumosa e pesada para ser utilizada no co-ckpit prin cipalmente dos caças. Deste modo, já em 1935 a Luftwaffe, decidiu adotar pistolas menores, principalmente no calibre 7,65mm Browning (também chamado de .32 ACP), pri

meiramente adquirindo partidas de pistolas Walther PP e PPK e, depois, das já citadas Mauser HSC e Sauer 38H. Mesmo assim, a Luger e a P-38 continuaram sendo usadas por tripulantes de bombardeiros (cujo espa- ço interno era maior) e, principalmente, pelos pára-quedistas, que confiavam em seu calibre mais poderoso.

O uso de armas pessoais pelos tripulantes de aviões era uma necessidade lógica, pois, uma vez que o piloto fos-se abatido ou tivesse qualquer tipo de problema que o for çasse a aterrissar em território inimigo, essa seria sua ú- nica opção para defender-se na sua tentativa de alcançar as próprias linhas. Mais uma vez, a liberdade de escolha permitia que os pilotos portassem as pistolas que mais lhe agradassem, seja pelo mecanismo, pelo tamanho, ca libre ou simplesmente gosto pessoal.

Durante a II Guerra Mundial, em razão da expansão do contingente militar e, nos estágios finais, em razão da grande perda de material, as forças alemãs começaram a incorporar e utilizar em suas fileiras o armamento captura

do nos países derrotados. Com as armas curtas não foi diferente e um grande número de pistolas se tornou disponível à medida que os países fabricantes (Bélgica, Checoslováquia, França e Polônia) ou nações com arsenal vultuoso (Iugoslávia, Noruega, e Áustria) caíam sob jugo alemão. Em vários casos, o avanço da Wehrmacht durante a Blitzkrieg permitiu a captura de fábricas de armas intactas que, então, tiveram sua produção direcionada para o esforço de guerra do III Reich. Outro expediente utilizado pelos alemães para suprir a demanda foi a compra de armas de fornecedores situados em nações aliadas (como a Itália e Hungria) ou neutras (como a Espanha). Dessa forma, a diversidade de modelos era muito grande.

A identificação de uma arma incorporada à Wehrmacht é relativamente simples. Quando uma arma era oficialmen-te aceita pelas Forças Armadas Alemãs, ela recebia mar cações específicas, denominadas pelos colecionadores de Waffenamt, que se consistia de uma pequena águia estilizada sobre as iniciais “WaA” seguidas de três dígi- tos, que identificavam o inspetor militar. Tais marcas e-ram efetuadas com punções em vários locais das armas, normalmente no ferrolho, armação, cano e carregador. No entanto, as armas adquiridas para uso privado por oficiais, não tinham a marcação dos Waffenamts, mas sim a marca comercial do período (um "N" coroado ou uma águia sobre um "N").

Outra característica das armas feitas na Alemanha, Áustria, Hungria e Checoslováquia durante o III Reich e destinadas ao uso militar, era a ausência do nome do fabricante na peça, que era substituído por um código de letras e pelo anos de fabricação. Tal sistema visava impedir que armas capturadas pelo inimigo revelasse quais as empresas fabricantes e suas localizações.

As pistolas fornecidas aos soldados pela Wehrmacht ou aquelas adquiridas em caráter particular vinham acompa-nhadas por um coldre, desenhado para transportar não somente a arma mas também um carregador sobressa-lente.

De acordo com o regulamento, o coldre era preso ao cin to no lado esquerdo do uniforme mas essa ordem nem sempre foi observada e variações existiram, sendo a mais comum aquela onde o soldado transportava a arma no lado esquerdo das costas, sobre o quadril. Interessan te observar que a maioria dos coldres destinados à Luft-waffe tinham a cor marrom e muitos tinham a configura- ção de "saque rápido" (chamado pelos colecionadores de "drop holsters"). Vários tinham um pequeno furo na sua

porção inferior, para permitir que fossem amarrados à perna ou a uma parte do uniforme, visando diminuir as chances de enroscar dentro do cockpit.

Atualmente, as armas curtas de uso do III Reich encontram-se entre os itens mais cobiçados pelos colecionadores. Longe de serem instrumentos para marginais - ao contrário do que a imprensa nacional e as duvidosas ONG´s de plantão mentirosamente dizem - essas armas são autênticas peças de inestimável valor histórico e que, por isso, devem ser preservadas com responsabilidade e a todo custo por seus proprietários. Não se trata de um investimento monetário, mas sim de preservação do patrimônio da humanidade, tão importante quanto um quadro ou uma escultura, já que são as testemunhas de uma época ao mesmo tempo violenta e apaixonante.

We would like to thank to Mr. Matt Weber who kindly gave permission to use pictures of some items from his very nice III Reich guns´ collection to illustrate this section. Thank you Matt!! We´d like also to express our gratitude to Mr. Bob Adams, from "Adams Guns" (www.adamsguns.com), who also allows to use pictures from his site.

Nós gostaríamos de agradecer ao Sr. Matt Weber, que gentilmente deu permissão para usar as fotos de alguns dos itens de sua ótima coleção de armas do III Reich para ilustrar essa seção. Obrigado, Matt!! Nós também expressamos nossa gratidão ao Sr. Bob Adams, da "Adams Guns", que sempre permite o uso de fotos de seu site.


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