Capacete de Aço
(Stahlhelm)

Poderíamos dizer, com uma boa probabilidade de acerto, que o item de militaria mais evocativo das Forças Armadas alemãs do século XX é o famoso capacete de aço, ou na língua germânica, Stahlhelm. Tanto para lei gos como para iniciados no assunto, consciente ou inconscientemente, a sua silhueta ímpar se confunde com a própria imagem do soldado alemão dos dois grandes conflitos mundiais.

O primeiro modelo de capacete de aço alemão surgiu na metade da I Guerra Mundial, em 1916 (sendo denomi nado M-16), como uma resposta à ineficácia dos igualmente conhecidos Pickelhaube (aqueles capacetes com um espigão), que eram feitos de couro ou feltro e ofereciam pouca proteção contra estilhaços e projéteis. Aper feiçoamentos ocorreriam em 1917 (na fixação da parte de couro interna, chamada de carneira) e em 1918 (na fi xação da tira que os prendiam embaixo do queixo, denominada jugular), sendo este último modelo chamado, então, de M-18.

M-16
M-16

Estes primeiros modelos possuíam uma grande aba lateral e um visor proeminente e os respiros protegidos por dois pinos protuberantes, nos quais poderia ser fixada uma placa blindada frontal para oferecer maior prote ção àqueles que precisavam se expor fora da segurança das trincheiras. Contudo tal utensílio nunca foi muito popular, sendo logo abandonado. A carneira dos capacetes desta época é constituída por 3 abas largas de couro, contendo pequenos travesseiros internos. Esta primeira geração de ca-pacetes era distribuída em cinco tamanhos básicos (marcados no interior da aba) que eram 60, 62, 64, 66 e 68, os quais eram fei tos a partir de uma chapa de aço de 1 a 1,1 mm de espessura, com sua borda dobrada para dentro, pesando cerca de 1,3 kg (pa ra o tamanho 66). Normalmente, estes exemplares do primeiro conflito não possuem decais, sendo que os símbolos encontrados eram geralmente pintados à mão.

Com o fim da 1ª Guerra Mundial, muitos exemplares foram destruídos, devido à redução dramática nos efetivos que podiam ser mantidos de acordo com o Tratado de Versailles. Contudo, os alemães mantiveram um grande número de exemplares em estoque, que permaneceram em uso ao longo dos anos 20 e 30. Mas mesmo durante a Segunda Guerra Mundial, vários destes exem

plares viram serviço em tropas de 2ª linha. Em 1931 foi in-troduzido uma nova carneira (constituída de sete a nove abas de couro com cinco pequenos furos cada), pelo que os capacetes passaram a ser denominados M-18/31 ou transicionais.

Com a ascensão dos nazistas ao poder, o rearmamento alemão começou quase que instantaneamente. Eles lançaram mão de todos os estoques disponíveis de sobras da 1ª Guerra, sendo que a maior diferença passou a ser a aplicação de decais em ambos os lados dos capacetes, sendo um com as cores nacionais (à direita) e outro com o símbolo da respectiva Força Armada (à esquerda) - no caso da Luftwaffe, a conhecida águia em vôo. Esta águia também apareceu em dois modelos distintos, sendo que o mais antigo foi usado até cerca de 1937-38, quando foi substituído por outro algo maior. Ainda no caso da Luftwaffe - objeto de nosso estudo - op-tou-se inicialmente pela adoção de uma pintura lisa e brilhante azul escura, passando depois ao famoso azul-acinzentado.

Primeiro modelo de águia.
Segundo modelo de águia.

O ano de 1935 viria surgir um novo modelo de capacete. Esta nova versão procurava oferecer maior proteção e sanar alguns problemas constatados no modelo mais antigo. O principal era a limitação à capacidade auditiva dos soldados, devido às grandes abas laterais do M-18. Assim, o chamado M-35 possuía as abas laterais e o visor menores; além disso, nos respiros houve a substituição dos pinos por simples rebites, embora sua es-pessura tenha aumentado (entre 1,1 e 1,2mm), mantendo-se a borda dobrada, a carneira introduzida em 1931 e os mesmos tamanhos disponíveis. Seu peso era consideravelmente maior (cerca de 1,4 kg) e também utili-zavam decais duplos (o nacional e da águia em vôo).

M-35
M-35

Ao longo de 1940, após as primeiras campanhas da guerra, o Alto Comando decidiu introduzir algumas alterações nos capacetes em uso. Em primeiro lugar, o furo de respiro pas sou ser estampado em uma única peça (e não mais como um rebite em separado, como no M-35).

Em segundo, foi abolido o decal das cores nacionais (no la do direito), pois eram ótimos alvos para franco-atiradores, sendo que aqueles que ainda os tivessem deveriam ser reti-rados, uma ordem que nem sempre foi observada.

Por fim, os alemães passaram a adotar uma pintura "rugo-sa" e fosca, também visando uma melhor camuflagem. Es- ta versão passou a ser denominada de M-35/40 ou, simples mente, de M-40.
Generalmajor Junck em visita à NJG1, maio de 1944.

M-40
M-40

Funeral de Otto Kittel.

Os pilotos da Luftwaffe raramente utilizavam seus capa cetes, preferindo, sempre que possível os Schirmmüt-ze ou os M-43. Assim, os M-35 só eram utilizados em algumas solenidades, como funerais e recepção de vi-sitas.

Não há diferenças entre os modelos utilizados por sol-dados, NCO´s, Oficiais Comissionados e Generais. E-xistiram alguns modelos que foram adaptados para vô o, principalmente por tripulações de bombardeiros, vi-sando uma maior proteção contra os estilhaços da arti-lharia anti-aérea.

Em 1942 foi introduzida uma nova modificação em seu desenho: as bordas do capacete passaram a ser es-tampadas para fora, o que também visava acelerar a produção. A partir da segunda metade de 1943, qualquer decal deixou de ser aplicado aos capacetes da Wehrmacht. Calcula-se que, em suas várias versões, cerca de 35 milhões de capacetes foram produzidos entre 1935 e 1945.

M-42

Com certeza, tudo isso faz com que os capacetes alemães estejam entre as peças mais colecionáveis do mundo da militaria. Contudo, embora ainda sejam encontrados em números razoáveis, o número de falsifica- ções tem aumentado consideravelmente nos últimos dez anos, inclusive com réplicas de decais e carneiras e outros apetrechos que buscam "valorizar" as peças.


M-40 M-40 M-40 M-40 M-35 M-35M-35M-35


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