Hans Jeschonnek
(1899 - 1943)

Hans Jeschonnek nasceu no dia 09 de abril de 1899 em Hohensalza na Posnânia (atual Inowrocław na Polônia). Filho de um assistente de diretor de escola secundária, ele estudou na escola de cadetes de Lichterfelde. Foi comissionado como Leutnant em 1915 e começou a voar com o Jasta 40 em 1917. Durante a I GM, Jeschonnek derrubou dois aviões inimigos e recebeu a Cruz de Ferro de 2ª e 1ª classes.

Com a criação do Reichswehr, Jeschonnek participou nos levantes da Silésia como membro do 6º Regimento de Cavalaria. Em seguida, ele trabalhou sob as ordens de Kurt Student no Departamento de Armamento do Exército. Em 1928 graduou-se na escola de formação de oficiais para o Comando Geral do Exército como orador da turma. Após a formatura, Jeschonnek trabalhou no departamento do Ministério do Reichswehr responsável pela construção de aviões, proibida pelo Tratado de Versalhes. Em 1933 ele se tornou ajudante de Erhard Milch, e um protegido de Walther Wever. Em 01.04.1935 ele foi promovido a Major e em outubro do mesmo ano nomeado Kommandeur do Fliegergruppe Greifswald. Em janeiro de 1936 foi nomeado Kommodore da Lehrgeschwader Greifswald uma unidade de testes de aeronaves. Em 01.10.1937, já promovido a Oberstleutnant, ele retornou ao RLM como Chef der Führungamt (chefe do departamento de operação), sendo nomeado Chef der Luftwaffenführungsstabes (Chefe de Operaçõ-es do Estado Maior) em 01.02.1938 e promovido a Oberst no final daquele ano. Em 01.02.1939, Jeschonnek substituiu Hans-Jürgen Stumpff como Chef der Generalstabes der Luftwaffe, cargo que ocupou até a sua morte.

Göring e Jeschonnek

Em 1938 ele escreveu sobre a guerra aérea: "a tarefa mais própria e essencial é a batalha contra a força aérea inimiga, batalha que deve ser executada de modo vigoroso e a qualquer custo. A segunda tarefa, o suporte a Wehrmacht, não pode ter a mesma importância nos primeiros dias de uma ofensiva. O que nós podemos conseguir em termos estratégicos durante os primeiros dias usando nossa própria força aérea contra o exército inimigo não se compara ao que podemos alcançar infligindo perdas consideráveis na força aérea inimiga”.

No primeiro dia da invasão da Polônia (01.09.1939), início da Segunda Guerra Mundial, o agora Generalmajor Jeschonnek ligou para a embaixada alemã em Moscou para solicitar que a URSS mantivesse sua estação de rádio em Minsk identificando-se continuamente, de modo que os pilotos alemães poderiam usá-la para fins de navegação contra alvos polacos. Em 27.10.1939 ele foi condecorado com Cruz de Cavaleiro da Cruz de Ferro após a derrota da Polônia. Com o sucesso da Luftwaffe durante a Blitzkrieg, Jeschonnek foi promovido a General der Flieger em 19.08.1940 e após o aparente sucesso da invasão da URSS, foi promovido a Generaloberst em 01.03.1942.


Hans Jeschonnek era devotadamente leal ao Führer, em contraste do seu relacionamento com Milch e Göring. Contudo, no decorrer do conflito, ele foi cada vez mais criticado por Hitler pelo declínio da Luftwaffe durante a guerra.

O General Albert Kesselring comentou a respeito: "Duran te os anos de guerra, a personalidade mais impressionan te entre os Chefes de Estado-Maior foi o Generaloberst Jeschonnek - uma pessoa extraordinariamente inteligen-te e enérgica. No entanto, não foi suficientemente forte para se opor a Göring com sucesso (ocasionalmente ele conseguiu se opor a Hitler) em assuntos de importância decisiva".

Göring, Jeschonnek e Otto von Waldau

Em novembro de 1942, numa reunião em Berghof, Jeschonnek precipitada mente deu as primeiras garantias de que a Luftwaffe era capaz de atender às necessidades logísticas do VI Exército em Stalingrado. Acontece que quando ele deu sua garantia inicial a Hitler, acreditava que o cerco ao exército seria temporário e, portanto, que a sua sobrevivência de longo prazo não dependia da capacidade da Luftwaffe de mantê-lo suprido. Se ele soubesse que o VI Exército precisaria de suprimento por diversas semanas, senão por diversos meses, ele certamente não teria prometido a Hitler coisa alguma sem uma pesquisa extensa.

Homem extremamente íntegro e dedicado, a seu crédito, quando ele veio a saber que o cerco permaneceria por muito mais tempo do que inicial-mente afirmado, que von Richthofen e Fiebig se opunham vigorosamente ao transporte aéreo e que seus próprios cálculos rápidos eram inexatos, ele imediatamente admitiu seus erros e tentou dissuadir inutilmente Hitler e Göring. A culpabilidade de Jeschonnek, desse modo, é apenas impru-dência, a de uma avaliação inicial falha da situação e a da inabilidade de se impor a personalidades mais fortes.

Somado a isso, em 1943 como parte da Operação Crossbow, bombardeios aliados atingiram Peenemünde; Jeschonnek erroneamente ordenou que a defesa anti-aérea de Berlim abrisse fogo contra 200 caças alemães que por engano reuniram-se perto da capital do Reich. Foi demais para o jovem general, em 18.08.1943, enquanto encontrava-se em visita a Wolfschanze (Toca do Lobo), Jeschonnek se suicidou com um tiro na cabeça aos 44 anos idade.


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