Batalha da Inglaterra
(O Primeiro Revés)

Embora a Batalha da Inglaterra tenha sido relativamente curta - 10 ou 20 semanas, dependendo de como você a definir - para os pilotos parecia não ter fim, e as várias fases não eram bem definidas. A simples luta pela sobrevivência impelia os dois lados. Algumas vezes voava-se várias surtidas em um único dia e para a maioria dos que estavam na batalha permanecia incerto quem, se alguém, venceria. A Batalha da Inglaterra não terminou com qualquer fanfarra, ela simplesmente cessou depois que o tempo de outono forçou Hitler a abandonar a Operação Seelöwe (Leão Marinho), seu plano de invasão do Reino Unido. Somente quando o inverno se aproximou, os ingleses se aperceberam de que tinham sobrevivido à batalha.

Com a queda da Noruega, Dinamarca e França em junho de 1940, a Luftwaffe havia ganho importantes bases aére as para se lançar no maior combate aéreo da sua histó- ria até então: a Batalha da Inglaterra, que tinha como obje-tivo a destruição da Royal Air Force (R.A.F.), pavimentan-do o caminho para a Operação Seelöwe (leão marinho), que era a invasão do Reino Unido. Mas antes tentariam impor um bloqueio ao comércio com as ilhas britânicas.

A vitória parecia possível partindo da costa francesa do ca-nal da Mancha (ver mapa). As forças aéreas alemãs havi-am se tornado invencíveis desde a conquista da Polônia e da França; além disso, tinham o Messerschmitt Bf 109E, um dos mais formidáveis caças do mundo, tinham ótimos

(Esq-dir) Günther Lützow, Adolf Galland,  Günther von Maltzahn, Theodor "Uncle Theo" Osterkampf (Generalmajor e Jagdführer  da Luftflotte 2) e Werner Mölders.
pilotos, comandados por ases da I Guerra Mundial e, entre eles, muitos jovens aviadores que haviam experi-mentado o novo caça nos céus da Espanha durante a Guerra Civil, também podiam considerar-se os melhores do mundo.

Estavam envolvidas nesta operação (ver mapa) a Luftflotte 5 (sediada na Noruega, sob comando do General Hans Jurgen Stumpf), a Luftflotte 2 (ao norte de Le Havre, sob comando do General Albert Kesselring) e a Luft-flotte 3 (ao sul de Le Havre, sob as ordens do General Hugo Sperrle). No começo de julho estavam concentra-dos cerca de 2.800 aviões, entre os quais se contavam 1.300 bombardeiros Heinkel He 111, Junkers Ju 88A e Dornier Do17; 280 bombardeiros de mergulho Junkers Ju 87 Stukas; 790 caças; Messerschmitt Bf 109; 260 ca ças pesados Messerschmitt Bf 110 e 170 aviões de reconhecimento de vários tipos. Desse total, só metade estava pronta para entrar em combate imediatamente.

a "Chaim Home".A RAF por sua vez, contava com 347 caças monopos-tos Hawker Hurricane, 199 Supermarine Spitfire, 69 ca-ças noturnos Bristol Blenheim e 25 Boulton Paul Defiant, metade dos quais estava dispersa pelos aeró-dromos do sul da ilha. As bases-chave de Biggin Hill, Kenley, Croydon, Hornchurch, Manston e Tangmere for mavam um anel defensivo em torno de Londres e do estuário do Tâmisa. Também era importante o fato de as costas meridional e oriental estarem cobertas por uma rede de estações de radar (a "Chaim Home") que podiam detectar as incursões aéreas a uma distancia de quase 160 km. Além disso, havia sido desenvolvida uma rede de controle que permitia o melhor uso possível dos caças disponíveis.

No início da Batalha, que durou todo o mês de julho e início de agosto, os alemães adotaram a tática de dire-

cionar pequenos grupos de bombardeiros, operando dia e noite, contra alvos selecionados (pontes, aeródro-mos, quartéis militares), enquanto grupos maiores, es-coltados por caças, atacavam comboios de navios no Canal da Mancha. Nas seis semanas seguintes a 1º. de julho de 1940, a Luftwaffe efetuou 3000 missões de bombardeio despejando 1900 toneladas de explosivos. Contudo, embora tenham afundado cerca de 70.000 ton. de navios, os alemães perderam 279 aviões, con-tra apenas 142 da RAF. A principio, os caças britâni-cos efetuaram patrulhas sobre comboios e receberam ordens para não combater os caças inimigos, a não ser em caso absolutamente necessário, isso devido à escassez de caças que tinham ao seu dispor.

Um Heinkel He 111 em ação sobre a Inglaterra

Voando em formações abertas de quatro (Schwarm) e dois (Rotte) aviões, já experimentadas na Espanha, os Bf 109´s levavam vantagem sobre os caças da RAF, que voavam em formações rígidas de três aviões: normalmente os pilotos ingleses estavam tão preocupados em manter a formação que não davam pela aproximação dos 109s. Além disso os caças britânicos sofriam de um grave problema técnico, por não possuirem injeção direta de combustivel, como os caças germânicos, o motor dos Spitfires e Hurricanes "pipocava" quando estes entravam em mergulho, obrigando os pilotos ingleses a efetuarem sempre um half roll antes.

 

O dia da Águia - A RAF por um fio

No início de agosto, Hitler interveio para redirecionar os objetivos da Batalha, determinando que a RAF deveria ser completamente destruída. A Luftwaffe lançou, então, o plano Adlerangriff (Ataque da Águia). De acordo com este plano, as Geschwaders sediadas nos Países Baixos e na França, passariam os cinco dias seguintes atacando aeronaves, aeródromos, estações de radar e outros alvos terrestres nas regiões a oeste e sul da Inglaterra. A esta altura, as três Luftflotten possuíam um total de 3196 aeronaves contra cerca de 2.500 aviões britânicos.

Rastros de fumaça deixados pelos caças durante os Dogfights sobre a Inglaterra.

A ofensiva principal às bases aéreas britânicas come- çou dia 8 de agosto, com o ataque dos bombardeiros, escoltados por Bf 109, contra estações de radar, cen-tros de controle e aeródromos. Os Bf 109 eram, em muitos aspectos, superiores aos Hurricanes e, por is-so, quando era possível, os controladores aéreos man-davam os Spitfires enfrentá-los, enquanto os Hurricane atacavam os bombardeiros.

Os Bf109 atravessavam a costa a altitudes superiores
a 9.000 m, muito acima das formações de bombardei-ros, na tentativa de atrair os Spitfire e os Hurricane pa-
ra o combate manobrado a grande altitude, onde os a-parelhos alemães eram indiscutivelmente superiores. No entanto, os defensores sabiam que deviam atacar os bombardeiros e ignoravam as escoltas, pelo que as

formações de caças eram obrigadas a descer ao nível dos bombardeiros. Nessa situação, os Bf 109 sofriam uma dupla desvantagem. Privados da superioridade das suas performances em grande altitude, só podiam esperar a chegada dos caças britânicos que escolhiam o momento do ataque e a forma de atuar.

Além disso, os 109 também sofriam de alguns proble-mas técnicos: por incompatibilidade das freqüências de rádio, os caças não podiam comunicar-se com os bombardeiros que deviam escoltar, e nem podiam per-manecer junto deles durante todo o ataque. Após 30 minutos sobre solo britânico, os indicadores do nível de combustível assinalavam que era hora de voltar à base, então, era preciso voar o mais baixo possível sobre as águas hostis e geladas do Canal da Mancha. Muitos não o conseguiram, afundando nas ondas quando os seus tanques ficavam vazios ou sucumbiram por danos sofridos durante os combates. Outros eram obrigados a fazerem pousos forçados nas praias do litoral frances com o tanque totalmente vazio.
Um Bf 109E após fazer um pouso forçado no litoral da França.

 

O Pior Dia da Luftwaffe e o Dia Negro do Fighter Command

Vista do interior de um Heinkel He 111 após ser atacado por um Spitfire (logo a sua frente).

A operação aonde a Luftwaffe sofreu o maior número de perdas de bombardeiros não ocorreu em um ataque à Londres, como seria esperado.

Em 15 de agosto de 1940, às 10h00, uma força de 72 Heinkel He 111H-1 da KG 26 (Kampfgeschwader 26) rumou para um ataque múltiplo à Dishforth, Usworth e Middlebrough, com Newscastle e Sunderland como alvos opcionais. Em um terrível lance de má sorte, os alemães, devido a um erro de navegação, foram condu-zidos para uma emboscada ao rumarem para uma for-mação composta de quatro esquadrilhas de Hurricanes e Spitfires da RAF. Sem escolta alguma, os He 111´s tornaram-se alvos fáceis para os pilotos britânicos.

Se não bastasse esta fatalidade, outra força de bombardeiros - também sem escolta - composta por 50 Junkers Ju 88A-1 da KG 30, enfrentou sorte semelhante ao tentar um ataque contra Driffield, onde duas esquadrilhas de caças do Fighter Command exterminaram a força de ataque germânica. Ao fim deste dia, a Luftwaffe deparou-se com aquele que seria o seu pior resultado durante toda a Batalha da Inglaterra: 79 aviões alemães perdidos, contra apenas 34 caças da RAF abatidos.

Às 4h45 da manhã do dia 31 de agosto de 1940, mais de 100 aviões alemães dirigiram-se à Eastchurch e bombardearam Detling; algum tempo depois do alvorecer, vieram novos ataques maciços contra Duxford, North Weald e Debden. Os caças iniciaram os embates quase de imediato, e até conseguiram rechaçar o ataque a Duxford, mas Debden foi violentamente castigada ao ser atingida por bombas incendiárias e explosivas.

Mas o pior ainda estava por vir. Por volta do meio-dia, duas grandes ondas de bom bardeiros da Luftwaffe sur-giram, protegidos por uma decidida escolta de Messerschmitts Bf 109E´s e até mesmo alguns Bf 110C´s. Em fração de minu-tos, o céu tornou-se uma arena gigantesca de vários dogfights, com os caças alemães duelando com as esquadrilhas de Spitfires e Hurricanes do Fighter Command. A estrutura de defesa dos britânicos, contudo, já estava se mostran do afetada pelo cansaço e o empenho dos caças da RAF não foi bem sucedido em evitar que os bombardeiros germânicos atingissem duramente seus alvos - Croydon, Biggin Hill, e Hornchurch - todas bases de caças da RAF e as esta- ções de radar localizadas em Rye, Pevensey, Foreness e Whitstable.

Apesar da defesa composta de radares e do limitado fogo defensivo dos bom-bardeiros alemães, o dia terminou com um saldo amargo para os britânicos (o pior da RAF durante a Batalha): 39 caças perdidos em face de apenas 41 aviões alemães abatidos.

Major Helmut Wick, o maior ás da Batalha da Inglaterra com 42 vitórias.

 

As Vantagens Decisivas e as Fraquezas Fatais

Centro de Operações do Fighter Command. O eficiente sistema de radares da RAF foi um fator decisivo para o sucesso britânico em conter a Luftwaffe.

Contudo, os ingleses possuíam algumas vantagens im-portantes. Em primeiro lugar, eles lutavam sobre o seu próprio solo; em segundo, operavam com autonomia máxima, enquanto que seus adversários (e, principal-mente, os caças Bf 109), possuíam uma autonomia li-mitadíssima sobre a Inglaterra.

Além disso, os britânicos montaram uma eficiente rede de radares (a "Chaim Home") que podia prever onde os ataques da Luftwaffe ocorreriam, e direcionar os pou-cos caças disponíveis para aquele local.


No entanto, a Luftwaffe enfrentava problemas muito mais sérios, decorren- tes da própria forma como fora concebida. Como vimos, a Força Aérea Ale-mã fora criada para servir de suporte às tropas terrestres e nisso foi muito bem sucedida. Mas, a tarefa que se impunha dependia de bombardeiros estratégicos, para o que eram necessários aviões quadrimotores de grande autonomia e capacidade e fortemente armados para sua defesa. E a Luft-waffe nunca chegou a dispor de nada semelhante durante toda a Batalha, e mesmo durante toda a guerra!

Porém, os sucessos foram acontecendo, como o ataque às bases de ra-dares da Ilha de Wight em 12.08 (que abriu uma brecha na Chaim Home). Os heróis também começavam a surgir: Helmut Wick (42 vitórias durante a Batalha), Walter Oesau (38), Adolf Galland (37), Werner Mölders (30), Hermann-Friedrich Joppien (25), Herbert Ihlefeld (24), entre outros, logo se destacaram durante os ferozes combates sobre o canal.

Entre 19.08 e 06.09 a Luftwaffe chegou a voar 1000 missões por dia, levan-do a RAF quase ao colapso: ao fim deste período os britânicos tinham per-dido 273 caças que não conseguiam repor, para os ingleses, o fim da RAF estava iminente. Mas neste ponto, o Reichsmarschall Hermann Göring cometeu um erro fatal.

Um Bf 109E sendo reabastecido. A baixa autonomia dos Emil seria o principal fator responsavel pelo fracasso da Luftwaffe em conquistar a superioridade aérea nos ceús da Grã-Bretanha.

 

As Bases "Para Qualquer Tempo"

Coube à Luftwaffe, durante a Batalha da Inglaterra, a primazia de criar e desenvolver sistemas para que suas bases aéreas fossem capazes de operar não apenas em condições climáticas favoráveis mas, literalmente, também com "qualquer tempo", de dia ou de noite. Assim, foram os alemães que, com suas bases "24 horas", criaram todos os conceitos básicos das operações aéreas noturnas e com mau tempo, não só para ações militares mas, inclusive, para o tráfego aéreo comercial de hoje em dia.

Tripulação  de um Heinkel He 111 retornando de uma missão noturna.

O esquema básico das bases da Luftwaffe era com-posto por duas ou três pistas de concreto, com largura aproximada de 35 metros e extensão de 1.400m, com todas as instalações e alojamentos necessários, além de uma estação ferroviária próxima. As comunicações eram feitas na faixa de 300 a 600kHz, tendo um canal de emergência. Ainda existia uma rede de radiofaróis para orientação da navegação, operando entre 200 e 500 kHz.

Nas operações noturnas e com tempo ruim (ou nevo-eiro), os técnicos da Luftwaffe se utilizavam de tecno-logias sem igual em nenhum local do planeta àquela época. Para aproximações finais e pousos, utilizavam equipamentos Lorenz EBL-1 e EBL-2, que permitiam o cálculo da distância da aeronave à base através do rá-

dio. Além disso, o controlador de vôo em terra contava com um sistema denominado ZZ, que lhe permita guiar uma aeronave com segurança até a base, mesmo em condições de visibilidade zero. Por fim, um último sistema de auxílio ao piloto atuava no momento final e era visual, tratando-se de luzes de aproximação colocadas de modo a se cruzarem em 90º.

Mais importante - e perigoso para os adversários - era o fato de que a Luftwaffe contava com um sistema ca-paz de guiar, através de rádio, um bombardeiro em vôo cego até o seu alvo.

Eram três os sistemas empregados: o Knickebein (que utilizava dois feixes de rádio de VHF, sendo um para determinar a direção e outro a altitude), o X-Gerät (que requeria tripulações especializadas e empregava quatro feixes de rádio, entre 65 e 75 mHz) e o Y-Gerät (o mais preciso, empregando ondas de rádio entre 42.1 e 47.9 mHz, requerendo tripulações especializadas mui-to bem treinadas). Tais equipamentos se mostraram importantíssimos no decorrer do conflito.

A Antiaérea britânica.

 

Mudança de planos - O erro fatal

Dois Heinkels He 111 sobre LondresSe o OKL tivesse insistido na tática atual, teriam ani-quilado as defesas britânicas em pouco tempo. No en-tanto, o rumo das operações iria mudar radicalmente. Em 24 de agosto, quando a ofensiva alemã começou a concentrar-se sobre os aeródromos do Comando de Caças da RAF, um único bombardeiro alemão, que se dirigia para instalações de petróleo no estuário do Tâmisa, desviou-se do curso e deixou cair suas bom-bas num subúrbio de Londres. Em represália, o pri-meiro ministro Winston Churchill ordenou que a RAF bombardeasse Berlim. Por sua vez, Hitler ordenou a Göring que mudasse de objetivo: em vez de atacar a RAF, deveriam atacar as cidades inglesas, até então a Luftwaffe tinha se concentrado em alvos militares. Es-sa mudança concretizou nas primeiras horas da tarde de 7 de setembro, com ataque aos bairros orientais de

Londres, e foi decisiva, pois o alívio da pressão sobre os caças britânicos e toda a agonizante RAF permitiu-lhes recuperar as forças, dando-lhes tempo de repor suas perdas materiais e de pessoal. Além disso, as perdas da Luftwaffe começaram se mostrar preocupantes: em 07.09, uma força de 650 bombardeiros e 1000 caças esteve envolvida em um ataque que durou 11 horas, ao custo de 36 aviões perdidos.

O dia mais lembrado da Batalha da Inglaterra, no entanto, é o dia 15 de setembro de 1940. Neste dia, no meio da manhã, uma formação de mais de 40 aeronaves foram localizadas sobre a costa francesa em Dieppe, rumando em direção a Newhaven. Pouco depois, outras formações detectadas, desta vez compostas por mais de 120 atacantes. Em pouco tempo, o 11º e o 12º Fighter Groups da RAF enviaram todos os seus aviões para o céu para defenderem a capital Londres - nenhum avião restou na reserva.

A primeira onda de bombardeiros alemães chegaram à Londres por volta do meio-dia, e depararam-se com cinco esquadrilhas de caças do 12º Group. Por problemas de autonomia, após meia hora de combates, os caças Bf 109E tiveram que rumar de volta à França, deixando os bombardeiros alemães para se defenderem sozinhos dos caças da RAF.

Bombardeiros Heinkel He 111 e Dornier Do 17 atacam a cidade de Londres em 07-09-1940.

Ataque a Londres.

Mas, às 14:00hs, chegava a segunda leva de bombar-deiros da Luftwaffe. À esta altura, a RAF havia enviado para o combate sobre Londres toda a elite do Fighter Command: 23 esquadrilhas do Grupo 11, cinco do Grupo 12 e três do Grupo 10.

Entretanto, já um pouco debilitados por um esforço de mais de duas horas de combates, os caças da RAF não conseguiram evitar que Londres fosse alvo das bombas alemãs. Uma delas chegou a atingir até mesmo o Palácio de Buckingham, danificando os apo-sentos pessoais da Rainha.

Os últimos atacantes somente se retiraram por volta das 16:00hs. Ao final deste dia, a Luftwaffe havia perdi-

do nada menos que 60 aviões, contra 26 aparelhos da RAF. Nos dias seguintes, entre 16-30 de setembro, a RAF derrubou 199 aviões alemães contra a perda de 115 dos seus.

 

Fim da Batalha - Quem venceu?

Nesse momento, Hitler, que já pensava na invasão da União Soviética, cancelou a operação Seelöwe, en-quanto Göring, lentamente começou a diminuir os ata-ques diurnos sobre a Inglaterra. Mas a "vitória" britâ-nica não significou que os ataques cessariam.

Os 109 ainda tentaram outra tática: um terço das uni-dades de caça dispunham de aviões equipados para levar uma bomba de 250 kg. No mês de outubro, estes aviões foram usados para efetuar ataques diurnos, rea-lizados a uma altitude de quase 7.000 m, enquanto os seus companheiros os cobriam 3.000 m acima. Po-dendo aproximar-se muito mais rapidamente que quan-do escoltavam bombardeiros, com freqüência consegui

Bf 109E carregando uma bomba de 250 kg.
am iludir as interceptações. Os danos que causaram não foram muitos, mas os esquadrões da RAF encon-traram-se em má situação.
Tripulante de um Heinkel He 111 examina os danos em seu avião.

No entanto, como salientou Galland, as formações de caça alemãs sentiam-se "como um peixe fora d'água". Combatendo sobre território inimigo, no limite de sua autonomia e circunscritos a complicadas formações de bombardeiros, mas sem poder se comunicar com elas pelo rádio, obrigados a travar constantemente batalhas desesperadas com os indicadores de combustível na viagem de volta através do Canal, os caças da Luft-waffe tiveram que enfrentar obstáculos excessivos.

Na noite de 14/15 de novembro, 439 bombardeiros ale-mães utilizando novos equipamentos de orientação no-turna, despejaram 500 toneladas de explosivos e 30.000 bombas incendiárias sobre a cidade de Conven-try, matando 568 pessoas e destruindo ou danificando

cerca de 60.000 edifícios. Até o Natal daquele mesmo ano, Birmingham, Sheffield, Liverpool e Manchester sentiriam a fúria da Luftwaffe, bem como Londres ainda sofreria um pesado ataque na noite de 29/30 de dezembro de 1940.

Mas os britânicos resistiram. Logo aprenderam a embaralhar o novo sistema de orientação noturno - um prelúdio dos violentos combates noturnos que se desenvolveriam nos cinco anos seguintes. Este foi o primeiro fracasso da Luftwaffe e de Göring, o qual nunca foi esquecido por Hitler. Com a invasão da União Soviética em junho de 1941, as operações diminuíram, permitindo que as ilhas britânicas se tornassem a porta de entrada das forças aliadas para a "Fortaleza Europa" em 1944.


Principais Ases (5+ vitórias)
Nome
Vitórias
*
42
35
34
28
26
24
Gerhard Schöpfel
23
Hans-Karl Mayer
22
Erich Schmidt
19
Siegfried Schnell
18
Horst Tietzen
18
Eric S. Lock
18+1
--
Hans Hahn
17
Josef Frantisek
17
--
16
Heinz Bretnütz
16
Arnold Lignitz
15
Hans Philipp
15
Brian J. G. Carbury (NZ)
15+2
--
Archibald A. McKellar
15+1
--
Robert Francis Thomas Doe
15
--
Witold Urbanowicz
15
--
Hans-Ekkehard Bob
14
Karl-Heinz Leesmann
14
Joachim Müncheberg
14
Josef Priller
14
Paterson Clarence Hughes (Aus)
14+3
--
Colin F. Gray (NZ)
14+2
--
James H. Lacey
14+1
--
Heinz Ebeling
13
Erich Groth
13
Karl-Heinz Krahl
13
Michael N. Crossley
13+2
--
Hans-Joachim Jabs
12
Heinz Nacke
12
Rolf Pingel
12
Hans Wiggers
12
--
11
Erich Hohagen
11
Desmond A.P. McMullen
11+3
--
Harbourne M. Stephen
11+3
--
Robert F. Boyd
11+2
--
Thomas F. Neil
11+2
--
George C. Unwin
11+2
--
William L. Dymond
11+1
--
John Ellis
11+1
--
Reginald T. Llewellyn
11+1
--
Aeness Ronald D. MacDonell
11+1
--
Carl Raymond Davis
11+1
--
Douglas R.S. Bader
11
--
Andrew McDowell
11
--
Heinz Bär
10
Kurt Brändle
10
Dietrich Hrabak
10
Wolf-Dietrich Wilcke
10
Gustav Rödel
10
Erich Rudorffer
10
Walter Scherer
10
--
Heinz Tornow
10
--
Rudolf Kaldrack
10
Eduard Tratt
10
Christopher F. Currant
10+5
--
John Wolferstan Villa
10+4
--
John Connell Freeborn
10+2
--
John Colin Mungo-Park
10+1
--
Robert R. Stanford Tuck
10+1
--
Hamilton Charles Upton (Canada)
10+1
--
Walter Adolph
09
Sophus Baagoe
09
Otto Bertram
09
Wilhelm Herget
09
Günther Lützow
09
Wilhelm Makrocki
09
--
Walter Manhard
09
--
Helmut Mertens
09
Erbo Graf von Kageneck
09
Günther von Maltzahn
09
Geoffrey Allard
09+2
--
William Henry Millington (Aus)
09+2
--
Herbert James L Hallowes
09+1
--
Ronald Fairfax Hamlyn
09+1
--
Frederick William Higginson
09
--
Albert Gerld Lewis (África do Sul)
09
--
John R. Urwin-Mann
09
--
John T. Webster
09
--
Kurt Bühligen
08
Richard Heller
08
Richard Leppla
08
Wolfgang Lippert
08
Julius Meimberg
08
Karl-Heinz Schnell
08
Hermann Staiger
08
Hans Stechmann
08
--
Hubertus von Bonin
08
Manfred Beckett Czernin
08+5
--
Ronald Berry
08+3
--
Adrian Hope Boyd
08+3
--
Robert Wardlow Oxspring
08+1
--
John E.J. Sing
08+1
--
George Hermann Bennions
08
--
Alan Christopher Deere (NZ)
08
--
William Henry Franklin
08
--
Antoni Glowacki
08
--
Zdislaw Henneberg
08
--
James Henry Gordon MacArthur
08
--
Eugeniusz Szaposznikow
08
--
Jan Zumbach
08
--
Hans-Joachim Marseille
07
Rudolf Pflanz
07
Herbert Schramm
07
Wilhelm Spiess
07
Josef Haiböck
07
Roy Gilbert Dutton
07+3
--
John Curchin (Aus)
07+2
--
Townsend, Peter W.
07+2
--
Pearcy S. Weaver
07+2
--
Derek Pierre A. Boitel-Gill
07+1
--
Thomas Frederick Morgan
07+1
--
Denys Edgar Gillam
07+1
--
Frank Jonathan Howell
07+1
--
Miroslaw Feric
07
--
Athol Stanhope Forbes
07
--
John Albert Axel Gibson (NZ)
07
--
Alan Stuart Harker
07
--
Howard Clive Mayers (Aus)
07
--
Constatine Oliver J. Pegge
07
--
William T.E. Rolls
07
--
Charles Anthony Woods-Scawen
07
--
Wilhelm Balthasar
06
Helmut Belser
06
Friedrich Geisshardt
06
Hartmann Grasser
06
Helmuth Haugk
06
Gerhard Homuth
06
Karl-Gottfred Nordmann
06
Max-Helmuth Ostermann
06
Edmund Rossmann
06
Hans-Johann Schalk
06
Franz von Werra
06
Charles Brian Fabris Kingcome
06+3
--
Kenneth William MacKenzie
06+3
--
Walter Beaumont
06+2
--
Richard G.A. Barclay
06+2
--
Charles T. Davis
06+2
--
Dorian George Gribble
06+2
--
Alexander V. R. Johnstone
06+2
--
Basil Ewald Patrick Whall
06+2
--
Arthur G. Blake
06+1
--
William Denis David
06+1
--
Adolph Gysbert Malan (SA)
06+1
--
William Lidstone McKnight (Can)
06+1
--
Harold Derrick Atkinson
06
--
Cyril F. Babbage
06
--
Peter Malam Brothers
06
--
Thomas Arthur Francis Elsdon
06
--
Paul Caswell Powe Farnes
06
--
Thomas Gleave
06
--
Harold Norman Howes
06
--
Stanoslaw Karubin
06
--
J. E. Paul Laricheliere (Can)
06
--
John Keswick U. B. McGrath
06
--
William Henry Nelson (Can)
06
--
Ludwik Paszkiewicz
06
--
Francis D. Paul
06
--
Alexander C. Rabaglianti
06
--
Michael Lister Robinson
06
--
Karl Borris
05
Walter Grabmann
05
Stefan Litjens
05
Helmut Meckel
05
Hubert Mütherich
05
Robert Olejnik
05
Hans Roehrig
05
Theodor Rossiwall
05
Wolfgang Schellmann
05
Heinz Schumann
05
Alfred Wehmeyer
05
James Eric Storrar
05+4
--
George Goodman (Pal)
05+3
--
James Meaker
05+3
--
William H. Rhodes-Moorhouse
05+3
--
Anthony Eyre
05+2
--
Leonard N. Guy
05+2
--
Leonard Archibald Haines
05+2
--
Henry Algernon Vickers Hogan
05+2
--
Dudley Trevor Jay
05+2
--
Patrick Philip Woods-Scawen
05+2
--
Michael C. B. Boddington
05+1
--
William Pancoast Clyde
05+1
--
Stanley Dudley Pearce Connors
05+1
--
Alan N. Feary
05+1
--
Jacques Arthur L. Philipart
05+1
--
Karol Pniak
05+1
--
Irving Stanley Smith (NZ)
05+1
--
Peter C.P. Stevenson
05+1
--
James M. Strickland
05+1
--
John Maurice Bentley Beard
05
--
Frank H. Reginald Carey
05
--
Richard John Cork
05
--
Richard K. Hillary (Aus)
05
--
Anthony Desmond Joseph Lovell
05
--
John MacKenzie (NZ)
05
--
Stanley Charles Norris
05
--
Ernest Scott
05
--
Rupert Smythe
05
--
Michael E. Staples
05
--
John M. Thompson
05
--
E. R. Thorn & F. Barker
05
--
Timothy A. Vigors
05
--
x+y = Individual + coletiva

Obs: Se considerarmos que os pilotos germânicos combateram exclusivamente contra os modernos caças (Spitfire e Hurricane) da RAF, além de não poderem permanecer por muito tempo sobre território inimigo devido ao problema de autonomia, a superioridade dos ases da Luftwaffe e seu equipamento (Messerschmitt Bf 109) é ainda maior, uma vez que os pilotos do Fighter Command além de lutarem sobre seu próprio solo, tinham como principais alvos as grandes formações de bombardeiros (Heinkel He 111, Dornier Do 17, Junkers Ju 88 e Ju 87) que eram demasiados lentos e mal equipados para sua autodefesa.


Balanço - Julho/1940
Avião
Destruídos
Avariados
Mortos
Desaparecidos
Feridos
Hurricane
33
17
23
00
11
Spitfire
34
24
25
00
09
Blenheim
04
01
09
00
01
Defiant
06
01
10
00
02
Do 17
39
13
30
74
19
Ju 87
13
11
10
12
03
Ju 88
39
11
52
67
11
He 111
32
03
52
85
06
Bf 109
48
14
17
14
13
Bf 110
18
04
13
17
02

Balanço - Agosto/1940
Avião
Destruídos
Avariados
Mortos
Desaparecidos
Feridos
Hurricane
211
44
85
01
68
Spitfire
113
40
41
03
38
Blenheim
13
10
06
03
00
Defiant
07
03
07
??
04
Do 17
71
30
70
129
57
Ju 87
57
16
35
58
19
Ju 88
89
32
94
182
19
He 111
89
15
113
204
35
Bf 109
217
45
54
91
39
Bf 110
119
40
80
113
22

Balanço - Set/Outubro - 1940
Avião
Destruídos
Avariados
Mortos
Desaparecidos
Feridos
Hurricane
294
77
107
02
10
Spitfire
195
76
67
01
??
Blenheim
12
04
26
03
55
Defiant
--
--
--
--
--
Do 17
82
36
147
94
50
Ju 87
01
03
01
??
??
Ju 88
175
85
251
227
74
He 111
131
78
203
184
67
Bf 109
326
96
77
159
36
Bf 110
124
26
91
109
17




História da Luftwaffe
Organização e Estrutura