Frente Sul - Mediterrâneo
(A guerra nos Balcãs, Norte da África e Itália)

A área do Mediterrâneo, abrangendo os Bálcãs, a costa do Norte da África e as ilhas de Malta, Creta, Sicí lia, Sardenha e Córsega nunca foi uma região importante nos planos de Hitler. O Führer considerava que, aque la região encontrava-se sob responsabilidade e influência direta dos italianos, cujo governo fascista de Benito Mussolini era seu aliado. Assim, qualquer ameaça aliada nesta área deveria ser repelida pelos italianos.

Contudo, essas expectativas não foram preenchidas. Mussolini só declarou guerra à França e à Inglaterra em Junho de 1940 (quando os franceses já estavam derrotados), e as ofensivas de suas tropas nos Bálcãs e no Norte da África foram desastrosas. Em setembro de 1940 o 10º Exército italiano atacou as tropas inglesas no Egito (visando alcançar o Canal de Suez mas, no mês seguinte, Mussolini determinou a desnecessária invasão da Grécia. Em ambos os casos as ofensivas não apenas foram detidas, como as con-tra-ofensivas quase levaram as tropas italianas ao colapso.

Assim, em fevereiro de 1941, pouco após a rendição dos remanescentes do 10º Exército italiano aos ingleses em Cirenaica (Líbia), Hitler viu-se obrigado a intervir com suas tropas a fim de evitar algo pior. Desta forma, foi criado o hoje lendário Deutsches Afrika Korps (ou DAK), sob comando do General der Panzertruppen (e depois Generalfeldmarschall) Erwin Rommel (1891-1944), a “Raposa do Deserto”.

A Luftwaffe começou a deslocar-se para o leste em janeiro de 1941. Em março, cerca de 500 aviões (40 bombardeiros, 120 Stukas, 120 Bf 109, 40 Bf 110 e 170 aviões de transporte e reconhecimento) foram reunidos na Romênia e Bulgária (aliados do Eixo) preparando-se para o planejado ataque à Grécia. A esta força somou-se o Fliegerkorps X, do General Hans Geisler,

com 390 aeronaves (a maioria Stukas e Bf 109’s). Foi justamente o Fliegerkorps X, estacionado na Sicília, que atuaria junto ao DAK de Rommel, em suas campanhas da Líbia e Egito. Além disso, também cabia a esta uni dade a tentativa de neutralizar a guarnição aliada na ilha de Malta, importante base naval e aérea dos ingleses.

Para reforçar ainda mais a Luftflotte 4 nos Balcãs, outros 600 aparelhos foram transferidos do Ocidente para lá. O fato de uma força tão grande poder mover-se para bases situadas a 1.600 km de distância das anterior-mente ocupadas, na França, e entrar em ação com metade dos seus efetivos estimados dez dias depois da ordem de transferência, é outro exemplo da mobilidade da Luftwaffe.



A invasão da Iugoslávia, Grécia e Creta

Os alemães haviam tomado como certo que a Iugoslávia concordaria com seus planos e foi com surpresa que viu, em março de 1941, um golpe de Estado expulsar o governo pró-alemão daquele país. Hitler decidiu que teria de ocupar a Iugoslávia e a Grécia, para garantir seu flanco meridional, antes da ofensiva na URSS.

O ataque à Iugoslávia iniciou-se em dia 6 de abril de 1941, com violento bombardeiro naquela manhã bem ce-do contra a capital, Belgrado. Uma força de 150 bombardeiros de nível e de mergulho, com poderosa escolta de caças, superou facilmente as fragílimas defesas de caças e antiaéreas, e passou a destruir Belgrado sem quase ser molestada. Tendo desfechado seu golpre destruidor contra a força aérea adversária e a capital, a Luftwaffe voltou-se para solopar os pontos de apoio ao exército: concentrações de tropas, linhas de comunica- ção e alvos na área de combate. Como acontecera antes, a combinação de apoio aéreo concentrado e podero

sas penetrações blindadas em terra mostrou-se irresistí- vel. Os iugoslavos renderam-se doze dias após o início da campanha.

O ataque simultâneo à Grécia foi igualmente bem sucedi-do. Na primeira noite, Ju 88s da KG 30 (Kampfgeschwader 30) atacaram o maior porto do país, Pireu, próximo à Ate-nas. Uma bomba certeira atingiu o navio de munições Clan Frazer, atracado a um dos cais para descarregar, e a explosão resultante das 250 toneladas de explosivos exis-tentes em seus porões destruiu o porto grego de ponta a ponta. Num só golpe as forças britânicas e gregas foram privadas da única baía bem equipada para desembarque de suprimentos.

Bombardeiros Do 17 sobrevoam a cidade de Atenas.

Com o apoio cerrado da Luftwaffe, as forças de terra alemãs avançaram rapidamente pela Grécia e dois dias depois entraram em Salonica. Uma a uma, as linhas defensivas nas montanhas foram derrubadas e logo tornou-se evidente que a posição Aliada estava ficando rapidamente insustentável. A 24 de abril, enquanto as tropas britânicas travavam prolongado combate para atrasar os alemães, os primeiros homens da força expedicionária eram evacuados pelo mar. Três dias depois os invasores entraram em Atenas e a 28 de abril - passadas apenas três semanas do início da campanha - as últimas das forças britânicas ainda no território continental grego renderam. A maquinaria alemã da Blitzkrieg estava funcionando regularmente.

Tropas de montanha alemãs aguardam o embarque para Creta.

Ainda antes da captura final da Grécia, os estrategistas alemães estavam estudando o último objetivo da limitada campanha dos Balcãs: a estratégica ilha de Creta, a 96 km ao sul do continente grego. A 25 de abril Hitler assinou sua 28ª diretiva de guerra, que dizia:

" Como base para guerra aérea contra a Grã-Bretanha no Mediterrâneo Oriental, temos de nos preparar para ocupar a ilha de Creta (Operação Mercúcio)...O Comando desta operação é confiado ao Comandante-Chefe da Luftwaffe, que empregará para esse fim, primeiramente, as forças aerotransportadas e as forças aéreas estacionadas na área do Mediterrâneo..."


Ao contrário do que ocorria com outras nações, as tropas aerotransportadas alemãs eram parte integrante da força aérea, e não do exército. Daí a responsabilidade da Luftwaffe pelo ataque à Creta.

Para a invasão aerotransportada (Operação Merkur), comandada pelo general Kurt Student (1890-1978), reuniu -se uma força de 493 transportes Ju 52s, mais uns 100 planadores de assalto DFS 230, nos aeródromos dos arredores de Atenas. A tarefa de prestar o apoio aéreo necessário coube ao Fliegerkorps VIII, do General Freiherr von Richthofen, que compreendia 650 aparelhos assim distribuídos:

Bombardeiros de nível (Ju 88 e He 111)..............
280
Bombardeiros de mergulho (Ju 87)......................
150
Caças monomotores (Bf 109).............................
90
Caças bimotores (Bf 110)...................................
90
Reconhecedores (Do 17 e Hs 126)......................
40

Os alemães só precisaram de quatro dias para eliminar a fraca oposição aérea britânica e, por volta de 18 de maio, a Luftwaffe controlava totalmente os céus de Creta. Agora os bombardeiros começavam as operações sistemáticas de "debilitação" das defesas terrestres.

O assalto aerotransportado à Creta iniciu-se, de manhã bem cedo, no dia 20 de maio de 1941, precedido de uma hora de ataques aéreos intensos contra as defesas em torno das zonas de salto. A seguir vieram os transportes Ju 52s e as primeiras levas de pára-quedistas e planado-res desceram sobre Máleme, Canea, Rétimo e Heráklion. Em todos os casos, os desembarques foram sincroniza-dos com o fim dos bombardeios, para que as tropas ale-mãs pudessem aproveitar as recém-criadas crateras de bombas para proteção.

Mas, a despeito de tudo isso, as tropas aerotransporta-das a princípio sofreram pesadas baixas e progrediram muito pouco. Só gradativamente, e com o apoio amplo das unidades aéreas disponíveis é que os alemães pude-

20 de maio de 1941 - Pára-quedistas alemães saltam dos Junkers Ju 52 próximos a  Heraklion, muitos foram mortos antes mesmo de atingir o solo.
ram arrancar as tropas britânicas, neozelandesas, australianas e gregas das suas posições. Para os invaso-res, o momento decisivo ocorreu na tarde do dia 21, quando finalmente conseguiram tomar o aeródromo de Máleme. Muito embora a pista ainda estivesse sob fogo de artilharia, dezenas de Ju 52s aterrisaram com novas tropas e suprimentos muito necessários. Entrementes, o Fliegerkorps VIII impedira efetivamente que os defensores recebessem quantidades necessárias de suprimentos. As coisas pioraram para as forças Aliadas, e a 28 de maio a Marinha Real começou a evacuar os homens da ilha.

Soldados britânicos se rendem aos pára-quedistas alemães em 1º de junho de 1941.Durante a batalha terrestre pela tomada de Creta, a Mari-nha Britânica, desafiando a ameaça dos bombardeiros de mergulho, conseguiu repelir quase todas as tentativas ale mãs de desembarcar tropas na ilha pelo mar. Mas a for- ça de von Richthofen reagiu violentamente e, nas bata-lhas aeronavais que se seguiram, afundou dois cruzado-res e quatro destróires e danificou um porta-aviões, três couraçados e um destroier. Agora a preocupação era im pedir a retirada dos britânicos e, ao custo de um cruza-dor e dois destróires afundados e de três destróires avari-ados, os navios britânicos retiraram 16.000 homens da ilha, antes que os restantes fossem obrigados a render-se, em 1º de junho.

As tropas aerotransportadas alemãs também sofreram sérias baixas. Dos 13.000 pára-quedistas empenhados cerca de 4.500 foram mortos ou considerados desaparecidos. No decorrer da ação, 272 dos aviões de trans-porte foram destruídos ou seriamente danificados - mais da metade da força .

 

Malta - O Bastião da Grã-Bretanha no Mediterrâneo

Desde o começo da guerra no Mediterrâneo, a pequena ilha de Malta, pertencente à Grâ-Bretanha e situada a 100 km ao sul da Sicília, foi um tormento constante para o Eixo.

O primeiro ataque à ilha ocorreu em 09 de janeiro de 1941, quando foram atingidos instalações portuárias e aeródro-mos. Durante os meses de fevereiro e março, o Flieger-korps X e algumas unidades da Regia Aeronautica (Força Aérea Italiana) desfecharam violentos ataques aéreos con-tra a ilha, visando principalmente à baía de Valetta e aos vários aeródromos. Quase toda a força de bombardeiros de Geisler, compreendendo 120 bombardeiros de nivel e 150 de mergulho, esteve empenhada nessa tarefa.

A intervalos regulares, eles desfechavam ataques sincroni-zados de bombardeio de mergulho e de baixa altitude u-sando Ju87s e Bf 110, enquanto os Ju 88 e He 111, com escolta de caças, realizavam ataques a médias altitudes,

de 1.500 a 2.400 m. Mas durante a primavera de 1941, os olhos de Hitler estavam firmemente voltados para o objetivo principal: a União Soviética.

Então, em abril, os ataques começaram a diminuir, à medida que as exigências das outras frentes de batalha começavam a afastar da Sicília unidades de combate da Luftwafffe que eram enviadas para bases em Creta e Grécia. Uma vez eliminada a ameaça bolchevista, a pequena ilha de Malta poderia ser atacada tranquilamen-te. Para Rommel restaram pouco mais de 150 aviões.

Um Spitfire Vc do 185 Squadron relativamente protegido de  possiveis ataques.

Aliviada um pouco, a ilha pôde aumentar seu potencial co-mo base para destróires, submarinos e aviões que ataca-vam as rotas marítimas de abastecimento do Afrika Korps.

Por volta do outono, as perdas infligidas estavam assumin-do proporções sérias: em setembro, quase 40% dos supri-mentos alemães ou italianos enviados pelo Mediterrâneo se perderam no caminho; no mês seguinte, as perdas su-biram para 60% e, em novembro, quase 80% dos supri-mentos não chegaram; a maior parte dessas perdas foi causada por unidades aéreas e navais estacionadas em Malta.

Evidentemente, era preciso fazer alguma coisa contra a ilha, bastião da Grã-Bretanha no Mediterrâneo. A des-peito das necessidades da frente russa em fins de 1941, os alemães transferiram cerca de 200 aviões dali pa-ra o Fliegerkorps III, baseado na Sicília e destinados a atacar Malta. A força continuou aumentando; por volta de março de 1942, ela dispunha de mais de 400 aparelhos (incluindo 190 bombardeiros e 115 caças Bf 109), e a presença desta poderosa força de ataque sobre Malta, logo se fez sentir. Nesse mês, a Luftwaffe realizou 2.800 missões sobre a ilha e despejaram 2.200 toneladas de bombas ao custo de 60 aviões perdidos. As coi-sas atingiram o ponto culminante nos meses de abril e maio, quando realizaram 11.000 surtidas contra a ilha. As bases aéreas e navais britânicas sofreram danos muito sérios, e os destróires e aviões usados no combate à navegação mercante tiveram de ser retirados.

Todas as tentativas de levar abastecimentos à ilha sitiada foram violentamente repelidas pela Luftwaffe. Em março, de 1942, a Marinha Britânica foi obrigada a empregar um navio antiaéreo para escoltar um comboio de quatro navi-os mercantes até Malta. A despeito da poderosa proteção a Luftwaffe afundou um dos navios, obrigou outro a enca-lhar, danificado, na própria ilha e atingiu os dois restantes quando estes descarregavam na baía de Valetta. Somente um quinto das 26.000 toneladas de suprimentos extrema-mente necessários foi desembarcado com segurança.
Parte do Fliegerkorps X estacionado na Sicília. Em primeiro plano vemos um MC.200 Saeta da 86ª Squadriglia, logo atrás um Caproni Ca.133 e no fundo um Ju 87 Stuka, provavelmente da StG.3

Em fins de maio de 1942 a situação parecia estar inteiramente controlada pelos alemães. A maior parte da for ça de bombardeiros de longa distância retornou à URSS, para apoiar a ofensiva de verão naquele local. Mas, a despeito disso, a Luftwaffe conservou-se na Sicília suficientemente forte para reagir com vigor a qualquer tenta-
Um bombardeiro SM.79 sobre Malta.

tiva de reabastecer Malta. O esforço seguinte, realizado em junho, envol veu dois comboios separados: um do Egito, no leste, e outro de Gibral-tar, no oeste. A marinha italiana obrigou o primeiro comboio a voltar, en-quanto que a do oeste - compreendendo seis navios mercantes escolta-dos por um couraçado, três cruzadores e 17 destróires, foi seriamente hostilizado por aviões alemães e italianos, e somente dois, dos seis navios mercantes, chegaram a Malta.

Em agosto de 1942, mais outro comboio partiu para a ilha, desta feita com 14 navios mercantes escoltados por três porta-aviões, dois coura- çados, um navio antiaéreo, seis cruzadores e 24 destróires. Nessa épo-ca, contavam os alemães com cerca de 220 aviões baseados na Sicília além disso, os italianos tinham 300 ali e mais 130 na Sardenha.

Dos 14 navios mercantes que partiram para Malta, somente cinco che-garam lá, e dois destes cinco estavam seriamente danificados. Mas as 32.000 toneladas de carga que conseguiram entregar manteriam a ilha em ação até que a situação no Norte da África melhorasse para os Aliados.

Com as forças britânicas que defendiam Malta bastante debilitadas, e mais longe que nunca da ajuda externa, os alemães e os italianos examinaram seriamente a idéia de uma invasão aerotransportada: a Operação Hércules. Todavia, o medo da repetição do ocorrido em Creta - quando as unidades aerotransportadas alemãs sofreram pesadas baixas - e o sucesso da ofensiva de verão de Rommel, que prometia tornar supérflua tal operação, finalmente convenceram a Hitler a não realizá-la.



Norte da África - A Guerra no Deserto

Neste meio tempo, no Norte da África, por volta da primavera de 1942, a Luftwaffe criara uma força de 260 aviões, além do contingente italiano de 340 aparelhos. Combinada, esta força tinha o dobro dos efetivos da RAF na área; além disso, os recém-chegados caças Bf 109F eram superiores aos Hurricanes e aos P-40 Tomahawks dos Aliados.

A 26.05.1942 o Afrika Korps de Rommel passou para a o-fensiva. Com vigoroso apoio aéreo, ele atacou para o sul e depois para leste, flanqueando a linha defensiva britânica em Gazala. O ponto mais meridional da linha, em Bir Ha-kim, tornava-se agora o centro de gravidade da batalha. Fa zendo um total de 1.400 surtidas contra essa posição, te-nazmente defendida pelos homens da Brigada de France-ses Livres, a contribuição da Luftwaffe para a sua queda a 11.06.1942 foi considerável. Uma vez cruzada a linha de Gazala, Rommel continuou avançando e, valendo-se nova-mente do poderoso apoio aéreo, os alemães conseguiram assaltar e capturar a fortaleza birtânica de Tobruk em 20 de junho de1942.

Rommel com a 15ª Divisão Panzer entre Tobruk e Sidi Omar, 1941.

Mas na parte restante do avanço alemão, que penetrou profundamente no Egito e foi detido em Al Alamein, a Luftwaffe estava já esgotada; durante o período intenso de vôo, ela acabara com os estoques de combustível tão cuidadosamente acumulados nos meses anteriores.

Enquanto os britânicos se esforçavam valentemente para manter Malta a-bastecida, os alemães e os italianos tinham seus próprios problemas de abastecimento. Com a colocação de número cada vez maior bombardei-

ros norte-americanos e britânicos de longa distância no Egito, o castigo aos navios do Eixo no Mediterrâneo tornava-se cada vez mais sério. Além disso, o bombardeio aéreo aos portos de chegada em Bengazi e Tobruk causava sempre outras perdas. Durante o verão de 1942, o bloqueio Aliado do Norte da África foi quase total e, desesperados, os alemães tiveram de recorrer à ponte aérea para trazer suprimentos de combustível. Assim, o poder de combate da Luftwaffe na área diminuiu rapidamente, numa época em que o contingente britânico no Egito passou a receber reforços em grande escala, criando a DAF (Desert Air Force), composta por unidades da Royal Air Force, Royal Australian Air Force, e South African Air Force.

Nativos da região comemoram a queda de um P-40 norte-americano, junto com um soldado do Afrika Korps.Calor, areia e tempestades, somados aos baixos esto-ques de combustível disponíveis (os aliados continua-ram a atacar os suprimentos destinados ao Norte da África), tornaram a situação gradativamente desespera dora para os alemães. Foi neste teatro e nestas condi- ções que se destacou o Hauptmann Hans-Joachim Marseille. Nos dezoito meses em que combateu no de-serto (Abril/1941 a Setembro/1942) Jochen - como era chamado pelos colegas - destruíu nada menos que 151 aviões da DAF (147 caças), sendo considerado por mui tos especialistas no assunto, não somente o maior ás do Norte da África como também de toda a Segunda Grande Guerra.

Quando os britânicos desfecharam sua ofensiva, em El Alamein, em 23.10. 1942, era a RAF que imperava. Um rastro de aviões destruídos, largados nos aeródromos abandonados à medida que o Afrika Korps recuava cada vez mais para oeste, esta a visão da Luftwaffe naquela área. Rommel fez suas forças recuar de tal modo, que a grande retirada não se transformou em derrota. No início de 1943, as forças alemãs e italianas haviam sido expulsas do Egito e da Líbia, ela estava lutando tenazmente para manter um ponto de apoio na Tunísia.

A velocidade do avanço britânico e os desembarques anglo-americanos si-multaneamente feitos na Argélia e Marrocos colocavam os alemães em po-sição muito difícil; a menos que se fizesse alguma coisa rapidamente, eles e seus aliados italianos seriam empurrados para o mar.

Quando tudo estava perdido, Hitler decidiu que os esforços há muito solicita dos seriam enviados para o teatro de guerra do Mediterrâneo, a despeito da necessidade vital de levar unidades de combate para a frente russa, a fim de estabiliza-la, após o cerco do 6º Exército em Stalingrado.

Hans-Joachim Marseille, o maior ás do Norte da África e maior caçador de P-40 (101 P-40's)

Caças Bf109F-2/Trop da JG27 preparam-se para decolarAssim, unidades da Luftwaffe no Norte da África, agora reunidas sob um só comando de operações, o Flieger-korps Tunis, foram subitamente revivadas. Entre esses reforços haviam duas unidades equipadas com o caça Focke-Wulf Fw 190, transferidas da costa do Canal da Mancha. Como resultado, os alemães conseguiram superioridade aérea temporária sobre as forças aéreas britânica e norte-americana no Norte da África. A parte a vantagem de ter os caças mais modernos à disposi- ção, a Luftwaffe estava operando de bases bem prepa-radas e com linhas de comunicação curtas, ao passo
que seus adversários eram obrigados a valer-se de pistas improvisadas e enfrentar o problema da extensão de suas linhas de abastecimento.

A 14.02.1943, Rommel desfechou sua ofensiva na Tunísia, a O-peração Fruhlingswind (Brisa de Primavera). Seus objetivos e-ram as recém-comprometidas unidades americanas na área do Passo de Kasserine e, para essa operação, o Fliegerkorps Tu-nis engajou uma força composta de 371 aviões. A princípio tudo ocorreu bem para os alemães, mas, depois de uma semana de ataques violentos, suas penetrações foram contidas pelas for- ças britânicas, francesas e americanas. Outra ofensiva alemã, em fins de fevereiro, desta vez contra o aguerrido 8ª Exército de Montgomery, no leste, foi repelida com pesadas baixas.

Apesar de todos os esforços, os alemães só podiam adiar o ine vitável. Enquanto as forças de terra Aliadas envolviam paulatina-mente o bolsão da Tunísia, suas forças aéreas - cujo equipa-mento agora incluía as versões mais recentes do Spitfire - esta-

Um Heinkel He111 é carregado com bombas.
vam recebendo suprimentos adequados e se tornando cada vez eficientes. Ao contrário, a situação do Flieger-korps Tunis piorava à medida que as forças de bloqueio aéreo e marinho americanas e britânicas estrangula-vam as linhas de abastecimento do Eixo.

Em meados de abril de 1943, a Luftwaffe no Norte da África estava à beira do colapso total; os poucos aeródro mos que lhe restavam eram continuamente martelados por bombardeiros Aliados, enquanto caças americanos e britânicos patrulhavam com muita regularidade o local. Diante da pressão ininterrupta das forças terrestres Aliadas, a linha defensiva final dos alemães rompeu-se totalmente. Sem terem para onde recuar, as tropas alemãs e italianas começaram a se render em grandes números, e a 13.05.1943 todo continente africano esta va nas mãos dos Aliados. Quase 250.000 soldados do Eixo depuseram armas na Tunísia, num desastre até então apenas superado pelo que os alemães haviam sofrido em Stalingrado.

 

A Batalha pela Itália

Em 03.07.1943, os efetivos da Luftwaffe no Mediterrâneo totalizavam 1.280 aviões. Foi então que as forças aéreas Aliadas começaram a atacar os aeródromos da Sicília, nos preparativos para o assalto marítimo à ilha. Quando os primeiros soldados Aliados desembarcaram, o número de aviões à disposição da Luftwaffe estava reduzido em mais de uma centena. Como seus aeródromos haviam sido bombardeados a ponto de torná-los inúteis, os caças Fw 190 restantes tiveram de ser retirados para bases localizadas na área de Nápoles, de onde não podiam combater os desembarques Aliados. Nesse meio tempo, os efetivos da proteção de caça Aliada eram tais, que a força alemã de bombardeiros de nível pouco realizava e os Gruppen eram destruídos sempre que tentavam alguma coisa.

Pára-quedistas alemães operam um canhão anticarro de 75 mm, Cassino 1944.A 17 de agosto de 1943, as últimas tropas alemãs que estavam na Sicília se renderam, e os Aliados ocidentais se preparavam para a invasão da Itália Continental. A Luftwaffe sofrera sérias perdas no mês anterior, mas, devido à existência das frentes interna e russa, nem todas puderam ser repostas. Assim, quando as tropas Aliadas desembarcaram na ponta da Itália, em 03.07.1943, os efetivos alemães no Mediterrâneo haviam caído para uns 800 aviões de todos os tipos. O comandante da Luftwaffe na Itália, Generalfeldmarschall von Richthofen, decidiu prudentemente conservar suas forças minguantes para os combates mais decisivos que por certo sobreviriam, por isso que a primeira reação alemã aos desembarques foi fraca.

Em 10.07.1943, os italianos, já inteiramente fartos da guerra, anunciaram sua capitulação que, na realidade, fora assinada a 5 de setembro, tropas Aliadas assaltaram a costa de Salerno, perto de Nápoles. Era este o momento para o qual Richthofen estava preparando sua força, lançou suas unidades contra a cabeça-de-pon-te. Ademais, a concentração de navios mercantes, ao largo, era o tipo de alvo para o qual se projetara o Fritz X, e os Do 217 do III/KG 100, comandados pelo Major Bernhard Jope partiram para o ataque. Sob a asa de es-tibordo, entre o motor e a fuselagem, cada um dos nove Dornier transportava uma única bomba Fritz X. Esta ar

ma, altamente secreta, era uma bomba-voadora de 1.500 kg, tendo na cauda um dispositivo que permitia o controle pelo rádio de toda a parte final de sua trajetória. Na sema-na que se seguiu, eles atingiram o couraçado HMS War-spite e os cruzadores HMS Uganda e USS Savannah, ava-riando seriamente os três navios.

O III/KG 100 manteve-se em ação contra os navios mer-cantes, em conjunção com outras unidades, lançando ou-tra arma teleguiada, a bomba planadora Henschel 293. Mas durante a batalha de Salerno esta última não realizou

Dornier Do 217E-4
muita coisa, pois já então havia proteção de caças nos céus sobre a cabeça-de-ponte, vindos de bases situa-das em terra, e as unidades de bombardeiros alemães começaram a sofrer grandes baixas. A Luftwaffe travou combate até 20.07.1943. Então, as tropas britânicas que avançavam do sul ameaçaram as bases alemãs na área de Foggia e as unidades ali situadas tiveram de se retirar.

Pára-quedistas e granadeiros alemães escondidoss nas ruínas de Cassino.

Os Aliados ocidentais, por fim, estavam firmemente esta-belecidos na Europa Continental. O relevo italiano não per-mitiria, porém, progressões muito rápidas, porque monta-nhoso, e disso tirou Kesselring o partido que pôde para in-fligir à tropa de invasão duro castigo.

Em 22.01.1944, foram encontrados reforços depois que os Aliados tentaram romper as defesas alemãs perto de Cas-sino, quando desembarcaram mais ao norte, em Anzio, mas a quantidade ainda era inadequada. Ao final de janei-ro, 140 bombardeiros tinham sido trazidos da Grécia, Fran ça e Alemanha.


No entanto, a falta de caças impediu que a Luftwaffe ganhasse a superioridade aérea e, com isso, os Aliados conseguiam destruir quantos bombardeiros encontrassem voando. Mesmo o envio de uma força de 50 caças

no início de março foi insuficiente para permitir às tropas terrestres a cobertura necessária para um contra-ataque contra as cabeça-de-ponte em torno de Cassino. No final de março de 1944 era óbvio que o poder aéreo estava sendo desperdiçado e vários esquadrões foram deslocados daquele front. Daí em diante, a Luftwaffe teve um papel sofrível na Campanha da Itália, deixando as unidades terrestres à mercê do poderio aliado, passando a lutar pela própria sobrevivên-cia. A Wehrmacht não havia sido treinada para isso.

Nesta época era aparente que o desembarque Aliado na costa noro-este da Europa não demoraria a acontecer. A partir de 1º de abril um número significante da frota de bombardeiros anglo-americanos passou a se concentrar em alvos estratégicos para o desembarque.

A Luftflotte 3, que era responsável pela França e os Países Baixos, foi reforçada, parcialmente às custas das forças situadas na Itália, e de parte das forças empenhadas na defesa do Reich - já que os bombardeios à Alemanha haviam diminuído de número como refle-xos dos preparativos para o Dia D.

Soldados alemães rendem-se às forças Aliadas em alguma parte da Itália.


Dessa forma, quando os bem treinados esquadrões de suporte terrestre do Fliegerkorps II foram transferidos do norte da Itália para a Luftflotte 3 em fevereiro de 1944 e quando, um mês mais tarde, os experts de táticas contra navios, do Fliegerkorps X, juntaram-se a eles; a superioridade aérea dos Aliados na Itália era tal que po-de-se afirmar que a Luftwaffe na Itália havia deixado de existir como força de combate.



História da Luftwaffe
Organização e Estrutura