A Guerra Relâmpago
(Blitzkrieg)

Os preparativos para o ataque à Polônia (chamados de Fall Weiss, ou Plano Branco, ver mapa), estavam em andamento desde Abril de 1939. Na concepção do OKW, caberia à Luftwaffe o suporte direto aos Exérci-tos terrestres em seu avanço à capital polonesa, Varsóvia. Assim, a Luftflotte 1 (comandada pelo General Al-bert Kesselring) auxiliaria o Grupo Norte do Exército a atravessar o “Corredor Polonês”, ligando a Pomerânia à Prússia Oriental e daí em direção à Varsóvia e a Luftflotte 4 (comandada pelo General Alexander Lohr) daria su porte ao Grupo Sul do Exército, que avançaria em direção Norte, partindo da Silésia e Eslováquia (Ver mapa).

Em setembro de 1939, a Luftwaffe tinha aproximadamente 3.650 aviões de combate assim distribuídos:

Bombardeiros de nível (Do 17 e He 111)..............
1.170
Bombardeiros de mergulho (Ju 87)......................
335
Caças monomotores (Bf 109).............................
1.125
Caças bimotores (Bf 110)...................................
195
Reconhecedores (Do 17 e Hs 126)......................
620
Hidroaviões (He 59, He 60 e He 115)...................
205

Além disso, havia uma reserva de aparelhos entre 10% e 25% dos efetivos de primeira linha, dependendo do tipo. Apoiando essa força de combate e sua reserva havia uma organização de treinamento com mais de 2.500 aviões, além de outros 500 usados para treinamento operacional.

Os aviões que formavam a espinha dorsal das armas de caças e bombardeiros eram respectivamente os Messerschmitt Bf 109 e os Heinkel He 111, eram decididamente melhores do que quaisquer equivalentes em serviço em larga escala nas outras forças aéreas.

Soldados alemães retiram o bloqueio de uma  estrada na fronteira com a Polônia. dando início às hostilidades. As missões de reconhecimento começaram em Julho, pa-ra que fossem identificados os principais aeroportos mili-tares poloneses. Nessa época a Força Aérea Polonesa dispunha de cerca 1.900 aeronaves (incluindo a reserva), em sua maioria biplanos antiquados, que deteriam as aero naves germânicas, a maioria moderna e já testada em ba-talha.

A invasão começou nas primeiras horas do dia 1º. de se-tembro de 1939, tendo a Luftwaffe procurado atingir os a-viões inimigos ainda no solo ao mesmo tempo que faziam ataques a alvos terrestres para dar suporte aos exércitos que avançavam rapidamente. Os pilotos polacos que con-
seguiram levantar vôo para interceptar os incursores viram
que seus ultrapassados caças PZL não eram páreo para os modernos Messerschmitt Bf 109 que os ataca-ram. Contudo, logo no inicio os alemães descobriram que a Força Aérea polonesa encontrava-se dispersa, o que dificultava a destruição de seus aviões.

Mesmo assim o sucesso foi satisfatório a ponto de Göring já no dia 03 de setembro, afirmar que já possuía a superio ridade aérea. Enquanto isso, Kesselring e Lohr ordenavam às suas Luftflotten que se concentrassem nas linhas de suprimento e de comunicação do exército polonês.

Os ataques conduzidos ao sistema ferroviário entre 02 e 05 de setembro, por exemplo, levaram às ferrovias ao co-lapso. Os ataques diretos à Infantaria também foram cons-tantes e a 13ª divisão polonesa foi exterminada quase que totalmente por ataques aéreos.

Soldados alemães inspecionam os destroços de um avião polonês, 1939.

Sem grandes problemas, os avanços continuaram em ritmo alucinante e, a partir do dia 17 - quando os russos atacaram a Polônia ao leste, como parte do Pacto de Não-agressão teuto-soviético - a resistência cessou rapidamente. No dia 25 de setembro, a Luftwaffe realizou um último raid sobre a cidade de Varsóvia que foi feito por insistência de Hitler que não queria que a capital caísse nas mãos soviéticas. No dia 28 as últimas resistências foram varridas e o Governo polonês deixou de existir.

Soldados da Wehrmacht após a invasão da Polônia. "Varsóvia 347 kilometros" le-se na placa de sinalização. Em 08.09.1939 a 4ª Divisão Panzer alcançaria a capital da Polônia.

Ao final da Campanha da Polônia, a Luftwaffe tinha perdido 285 aerona-ves e teve danificadas outras 279, sendo que o total de mortos e desapa-recidos foi de 759. Em troca a Luftwaffe ganhou a reputação como a “cru el” e eficaz arma da Wehrmacht, o que foi de extrema valia nas campa-nhas que se seguiram ao Oeste.

Tanto a França como a Inglaterra haviam declarado guerra à Alemanha no dia 03 de setembro de 1939, esperando deter o ataque alemão à Polô nia. Políticos de Londres e Paris, temerosos dos ataques da Luftwaffe, permaneceram cautelosos, evitando um confronto direto, restringindo su as atividades ao lançamento de folhetos sobre o território alemão e o ata que a navios no Mar do Norte. Neste último caso, os Aliados sofreram pesadas perdas. Por exemplo, em 18.12.1939, quatorze bombardeiros Wellington da RAF foram perdidos (de um total de 24) quando foram ata-cados por Bf 110´s. Três deles sendo abatidos pelo futuro ás da aviação noturna Helmut Lent, enquanto Gordon Gollob e Johannes Steinhoff - ou-tros dois ganhadores da Cruz de Cavaleiro - também obtiveram uma vitó ria cada um. Isto só veio a reforçar a imagem da Força Aérea Alemã face aos seus inimigos. Mal sabiam eles que, ao final da Campanha da Polô-

nia os homens de Göring estavam exaustos e quase sem munição para suas aeronaves. Mas isto apenas adiaria a tempestade que se abateria sobre a Frente Ocidental na primavera de 1940.

Ases da Campanha da Polônia - Set/1939
NOME
N.V
T.V
UNIDADE
DESTINO
*
Johannes Gentzen
7
18
Stab I./ZG2
KIFA (inicio/1940)
1º. ás da Luftwaffe
Werner Methfessel
4
8
I.(Z)/LG1
KIA (17.05.1940)
--
Karl Schuch
4
--
1./ZG2
--
--
Wolfgang Falck
3
8
1./ZG76
POW
? Wallerman
3
--
I.(Z)/LG1
--
--
Hartwig Domeier
3
--
Stab I./ZG2
--
--
Wilhelm Spiess
2
20
I.(Z)/LG1
KIA
? Sibnik
2
--
I./ZG2
--
--
Georg Schneider
2
--
3./JG21
--
--
Hans Katzmann
2
--
1./ZG2
--
--
? Jäger
2
--
I./ZG76
--
--
Fritz Giehl
2
--
1./ZG2
--
--
Georg Fleischmann
2
--
I./ZG76
--
--
Helmut Fahlbusch
2
--
I./ZG76
--
--
Friedrich Geisshardt
+1
102
2.(J)/LG2
DOW
Klaus Quaet-Faslem
+1
49
1.(J)/LG2
KIFA (30.01.1944)
--
Hans Philipp
1
206
1./JG76
KIA
Gordon Gollob
1
150
I./ZG76
POW
Erwin Clausen
1
132
3.(J)/LG2
KIA
Helmut Lent
1
113
I./ZG76
KIFA
Gustav Rödel
1
98
2./JG21
POW
Karl-Gottfried Nordmann
1
78
2./JG77
WIFA
Hannes Trautloft
1
57
2./JG77
POW
Hugo Frey
1
32
1.(J)/LG2
KIA (06.03.1944)
Herbert Schob
1
28
1.(Z)/LG1
POW
Harro Harder
1
22
1.(J)/LG2
KIA (12.08.1940)
Hermann Guhl
1
15
1.(J)/LG2
--
--
Gerhard Herzog
1
~10
I./ZG76
KIA (20.10.1943)
--
Victor Mölders
1
9
I./ZG1
POW (07.10.1940)
Kurt Müller
1
7
3./ZG2
POW (03.09.1940)
--
Frank Neubert
1
--
1./Stg.2
1ª. vitória da II G.M
Rudolf Ziegler
1
--
Stab I./JG76
--
--
Helmut Woltesdorf
1
--
I./ZG76
--
--
Heinz Wilberg
1
--
2./ZG2
--
--
Hans-Wedige von Weiher
1
--
3.(J)/LG2
--
--
Waldemar von Room
1
--
1./ZG2
--
--
Roloff von Aspern
1
--
1./JG76
--
--
? Vellenbeck
1
--
I./ZG76
--
--
? Schleiff
1
--
I.(Z)/LG1
--
--
? Reinecke
1
--
I./ZG76
--
--
? Rademacher
1
--
I./ZG76
--
--
? Pape
1
--
I.ZG76
--
--
Hans Nocher
1
--
1./ZG2
--
--
Reinfold Messner
1
--
3./ZG2
--
--
Franz Menztel
1
--
3./ZG2
--
--
Walter Maurer
1
--
Stab I./ZG2
--
--
Willi Lohrer
1
--
3./JG77
--
--
Johann Klein
1
--
1./JG76
--
--
Josef Kellner-Steinmetz
1
--
3./ZG2
--
--
Hans Kartmann
1
--
1./ZG2
--
--
Karl Hier
1
--
1./JG76
--
--
Friedrich Hauck
1
--
3./JG77
--
--
Gerhard Haag
1
--
3.(J)/LG2
--
--
Fritz Gutezeit
1
--
3./JG21
--
--
? Graeff
1
--
I./ZG76
--
--
Joachim Glienke
1
--
1.(Z)/LG1
--
--
Leo Eggers
1
--
2./JG21
--
--
Heinz Dettmer
1
--
3./JG21
--
--
Hans Busching
1
--
1.(Z)/LG1
--
--
Wolfgang Brachs
1
--
1./ZG2
--
--
? Böhmel
1
--
I./ZG76
--
--
Siegfried Becker
1
--
1./ZG2
--
--
Wilfried von Müller-Reinzburg
1
--
I./JG76
--
--
Albrecht Dresz
1
--
2./JG21
--
--
N.V = Número de Vitórias/ T.V = Total de Vitórias/ KIA = Morto em ação
KIFA = Morto em acidente aéreo/ MIA = Desaparec. em ação/ POW = Prisioneiro de Guerra


Escandinávia: A Queda da Dinamarca e Noruega

Antes de iniciar sua ofensiva contra seus principais adversários (França e Inglaterra), Hitler decidiu que a Dina-marca e a Noruega deveriam ser ocupadas pelos alemães, antes que o fossem pelos Aliados. Além disso, no caso da Noruega, o Führer procurava assegurar o fornecimento do precioso minério de ferro existente naquele país. Denominado Weserübung (ou exercício Weser) ver mapa, o ataque deveria ser rápido e decisivo, sem grandes per-das materiais e humanas face às pequenas forças aéreas daqueles países.

Os ataques começaram em 09.04.1940, enquanto as for ças blindadas avançavam, quase que sem oposição, pela Dinamarca e navios da Kriegsmarine desembarcavam sol-dados nas ilhas dinamarquesas, Oslo, Kristiansand, Ber-gen, Trondheim e Narvik, na Noruega, os Fallschirmjäger (os famosos pára-quedistas) faziam o primeiro desembar-que de assalto sobre os dois aeródromos em Aalbrog. Em pouco tempo a cidade de Aalborg, bem como quase toda Copenhague, estavam em mãos alemãs, permitindo que uma força de 28 Heinkel He 111 passassem a operar dali e que mais tropas de infantaria fossem transportadas por Junkers Ju 52s, aumentando rapidamente o contingente das forças invasoras. Esses mesmos Heinkels despejari-am, no mesmo dia, muitos panfletos sobre a capital Cope-

Equipe de apoio prepara um He 111B para um ataque.
nhague exigindo a rendição, sob pena de serem bombardeados. Antes de terminar o dia, o rei e o governo dina marqueses cientificaram-se de que qualquer resistência aos invasores só resultaria em inútil perda de vidas e deram ordens de cessar fogo.

Simultaneamente os desembarques anfíbios nos portos noruegueses de Trondheim, Bergen e Kristiansand haviam sido sincronizados com ataques aéreos aos aeródromos usados pela pequena força aérea daquele país, que foi praticamente aniquilada no solo. Os caças alemães reduziram, neste dia, a Força Aérea norueguesa a 54 aviões operacionais (dos 102 existentes). Depois disso os aeródromos de Stavanger/Sola e Oslo/Fornebu foram rapidamente capturados por tropas aerotransportadas e se tornaram bases avançadas para os bombardeiros de mergulho Junkers Ju 87 e caças bimotores Messerschmitt Bf 110 em missões de apoio às tropas terrestres. Menção honrosa deve ser dada ao Leutnant Helmut Lent e seu Funker o Unteroffi-zier Kubisch que foram os primeiros a aterrissarem com seu Bf 110 no aeródromo de Fornebu em Oslo, ainda sob fogo da artilharia antiaérea!!

Bf 110 do Lt. Helmut Lent depois de sua espetacular chegada no aeródromo de Fornebu-Oslo na manhã de 9 de abril de 1940.

Durante a invasão da Noruega os alemães utilizaram plenamente sua frota de aviões de transporte para levar soldados e pessoal de terra da Luftwaffe, cerca de 500 Junkers Ju 52s estavam disponi-veis para a operação, sendo um terço deles pertencentes às unida-des regulares de transporte e o restante emprestado das unidades de treinamento avançado. A habilidade de transportar forças com rapidez desempenhou papel importante no pronto estabelecimento da área de defesa (lodgement) alemã no sul da Noruega.

Quando as primeiras tropas britânicas e francesas desembarcaram em Narvik, Namsos e Adalsnes, nos dias 15, 16 e 17 de abril, res-pectivamente, os alemães haviam conseguido um ponto de apoio firme no sul, e a Luftwaffe passou logo a atacar violentamente os pontos de desembarque Aliados e os navios mercantes que trazi-am suprimentos e reforços. Bombardeiros de nível e de mergulho mantinham uma pressão constante e, ausente qualquer oposição aérea da RAF, causaram danos consideraveis.

Entretanto, o incremento aéreo alemão na Noruega prosseguia e, no começo de maio de 1940, o Fliegerkorps X, a principal unidade consignada, consistia de 710 aviões assim distribuídos:

Bombardeiros de nível (Do 17 e He 111)..............
360
Bombardeiros de mergulho (Ju 87)......................
50
Caças monomotores (Bf 109).............................
50
Caças bimotores (Bf 110)...................................
70
Reconhecedores (Do 17 e Hs 126)......................
60
Hidroaviões (He 59, He 60 e He 115)...................
120

Diante de oposição aérea tão forte, a RAF foi incapaz de intervir com eficiência. As tentativas de criar bases de caças eram invariavelmente observadas por aviões de reconhecimento da Luftwaffe e a seguir os campos de pouso eram bombardeados até a inutilização total. Em terra, os alemães prosseguiam implacavelmente para o norte, por toda a extensão da Noruega, e, no começo de maio, as tropas Aliadas tiveram de ser evacua das de Andalsnes e Namsos, no centro país. A 10 de junho, as forças restantes, que estavam em Narvik, ao norte, também foram obrigadas a retirar-se. Os alemães completavam assim a posse de todo o país e os Aliados ingleses e franceses vencidos ou evacuados para fazer frente à Wehrmacht que já iniciava seu avanço em direção à França.

Do começo ao fim, a Luftwaffe foi um fator decisivo no sucesso da campanha da Noruega. Como vimos, a tomada dos aeródromos em Oslo e Stavanger foi possibilitada pelo uso de pára-quedistas e unidades aero-transportadas. E, uma vez garantidos esses aeródromos, os bombardeiros e caças de longa distância que operavam dali puderam atrasar ou comprometer seriamente o movimento de tropas britânicas e francesas para o país. Mais tarde, no desenvolvimento da batalha terrestre, o domínio aéreo revelou-se novamente uma vanta-gem tremenda, e muitas vezes decisiva.



A Luftwaffe na França

O Plano Amarelo (Fall Gelb) - a invasão da França (ver mapa) - começou em 10 de maio de 1940. Ao amanhecer deste dia, 500 bombardeiros da Luftwaffe (parte de um total de 3.868 aviões que Göring reuniu para enfrentar cerca de 2.600 aliados), atacaram estradas, ferrovias, campos de pouso e aeroportos (47 no norte da França, 15 na Bélgica e 10 na Holanda) - a Wehrmacht ia avançar através destes dois pequenos países a fim de cercar a famosa linha Maginot, que se estendia ao longo da fronteira franco-germânica.

Soldados alemães inspecionam um caça francês Dewoitine D.520  abatido em maio de 1940.Durante todo esse dia combatendo os aviões adeversári-os (entre eles os modernos caças franceses Dewoitine D.520 e Morane-Saulnier MS.406 ), os pilotos alemães ha-viam destruído um total de 210 aeronaves (83 belgas, 62 holandeses e 65 franceses), o que lhes garantiu a supe-rioridade aérea que rapidamente foi explorada.

Enquanto a fronteira holandesa era atacada a leste pelo 18º Exército, milhares de pára-quedistas e tropas aero-transportadas alemãs foram lançados sobre as cidades-chave de Rotterdam e Haia. Essas tropas tomaram os de-fensores holandeses completamente de surpresa, e conse guiram capturar e ocupar as pontes do rio Reno, Waal, e o
aeroporto de Hague, até que as forças terrestres moveis pudessem chegar. Foi a primeira grande tentativa na história de conquistar um país pelo ar e o sucesso da operação foi vital ao resultado final da invasão.

O ataque a Bélgica também foi precedido por pára-quedistas, cujos o-bjetivos eram as duas pontes principais sobre o Canal Albert e a fortale-za de Eben Emael. A fortaleza era o contra-pino da principal linha de de fesa belga e dominava o Canal Albert, as estradas para o oeste e as im portantes pontes sobre o canal.

Construída entre 1932 e 1936, era considerada a fortaleza mais segura do mundo. Medindo 820 por 640 m, tinha um complexo sistema de ins-talações de artilharia e infantaria; uma série de fortes com postos de o-bservação, holofotes e metralhadoras ligadas entre si por uma rede de túneis. Os Aliados contavam que Eben Emael resistisse pelo menos cinco dias.

A missão de tomar a fortaleza foi confiada a uma pequena e bem trei-nada unidade de 81 Fallschirmjäeger (pára-quedistas) da Luftwaffe. O elemento chave do ataque foi o uso de planadores DFS 230, que trans-portaram as tropas para os alvos em silêncio absoluto; Eben Emael só não estava protegida contra ataques pelo ar.

Os temidos Fallschirmjäeger da Luftwaffe em ação.

Quando os planadores aterrissaram sobre seu teto na meia luz da ma-drugada do dia 10/05, os guardas foram pegos completamente de sur-presa, em pouco tempo, os 81 pára-quedistas já mantinham toda a guarnição da fortaleza, composta de 1.200 homens, imobilizada e aguardavam pela chegada (24 horas mais tarde) das tropas avançadas do 6º Exército, compostas inclusive por 500 soldados do batalhão de engenheiros, que destruíram a fortificação. Mais tarde, Hitler em pes-soa, condecorou todos os pára-quedistas que participaram da opera-ção. A tomada completa de Eben Emael foi realizada com o custo de somente seis alemães mortos e quinze feridos e permitiu o avanço das Divisões Panzer até a fronteira com a França.

Oficiais pára-quedistas do Sturmabteilung Koch sendo condecorados com a Cruz de Cavaleiro pela participação no assalto a Eben Emael e as pontes sobre o Canal Albert, 10 de Maio de 1940.

Isso fez com que as forças aliadas situadas na França, dirigissem para o norte a fim de conter o avanço. Quando os franceses refor çaram as posições em torno de Lille, os alemães lançaram outra ofensiva pelo sul de Sedan. Em 13/05, uma Blitz de 4 horas de du-ração feita por Stukas, obrigou os franceses a recuarem da mar-gem oeste do rio Meuse, abrindo caminho para a infantaria motori-zada, que rapidamente assegurou a outra margem do rio. Só nesse dia o Fliegerkorps II vôou um total de 1.770 missões e, apenas no dia seguinte os aliados perderam 54 bombardeiros.

Mais ao norte, quatro Panzerdivisionen (Divisões Panzer) estavam cruzando o Meu se em Montherme e Dinant, (uma delas comanda da por Rommel), destinadas a cercar totalmente as tropas aliadas ao norte, principal mente toda a Força Expedicionária Britânica, for mada por aproxima damente 400.000 homens. Enquanto isso, na Holanda, a Luftwaffe bombardeava o porto de Rotterdam, com o in-tuito de forçar os holandeses à capitulação. O plano funcionou e a Holanda aceitou os termos de rendição.




Operação Dínamo - A retirada de Dunquerque

No dia 22/05, enquanto o 18º Exército forçava o flanco belga a recuar no norte, a 2ª Panzerdivision chegava ao porto francês de Boulogne e no dia 23/05 a 10ª Panzerdivision invadia Calais, isolando os exércitos Aliados no Bolsão de Lille. As divisões blindadas de Guderian estavam no ponto de fechamento do cerco de Fandre. Às tropas aliadas não restava outra saída senão o mar, pelo porto de Dunquerque e foi ali que ocorreu um dos mais espetaculares acontecimentos de toda a guerra. Churchill posteriormente proclamou como um "triunfo" que o exército inglês, mesmo tendo perdido todo o equipamento, houvesse salvo a vida... o que houve, porém, foi algo extraordinário e inimaginável, Hitler deixou ser possível essa salvação!!

Guderian (centro) conversa com dois oficiais franceses.Vejamos o que disse o historiador britânico Lidell Hart: "...no dia 24 de maio as divisões blindadas alemãs (1ª Panzerdivision) chegaram ao Ca-nal Aa, em Gravelines, a 16 km de Dunquerque. O exército do general Reinhardt (XLI Panzerkorps composto pela 6ª e 8ª Panzerdivionen) avan-çou até o canal Aire St. Omer-Gravelines, onde só havia um batalhão da Força Expedicionária Britânica. As forças blindadas alemãs estabe-leceram cabeças de ponte sobre o canal, no mesmo dia, não havendo após qualquer obstáculo a mais. Em Gravelines o corpo de divisões blindadas recebeu a ordem terminante de "fazer alto! Essa ordem ex-pedida pelo alto comando inimigo" - escreve Hart - "preservou todo o exército britânico, quando não mais havia o que o pudesse salvar!"

Durante os dias seguintes, coube a Luftwaffe a tarefa de atacar o ini-migo, que a essa altura, já iniciara sua retirada pelo "Canal Inglês". Contudo, o mal tempo impediu as incursões aéreas nos estágios ini-ciais da evacuação. O primeiro grande ataque aéreo só ocorreu no dia 29/05, ficando mais intensos nos três dias seguintes. Durante esses dias, as forças anglo-francesas encurraladas nas praias de Dunquerque
foram constantemente atacadas por uma força de 300 bombardeiros e 500 caças. Contra estes, estavam os modernos caças Supermarine Spitfire da RAF que se encontravam baseados ao sul da Inglaterra. Furiosos combates se seguiram, sendo que a Luftwaffe foi responsavel pela destruição de 243 navios, incluindo 8 Destroyers e 8 navios de transporte de tropas, 106 caças e 77 bombardeiros, perdendo cerca de 100 aviões.

No final, os alemães haviam aprisionados 330.000 france-ses e belgas e deixaram, no intervalo de 23/05 a 4/06, sair de Dunquerque cerca de 338.226 soldados britânicos (~68.000 foram mortos, capturados, feridos ou desapare-cidos em ação). Durante a fulga, foi utilizado tudo o que pudesse flutuar: botes, canoas, barcos de pesca, etc.

Em suas memórias, Churchill admite que se perdeu todo o equipamento do exército inglês, que foi abandonado na praia: 7.000.000 kg de munição, 90.000 fuzis, 120.000 veículos, 8.000 canhões e 400 armas anti-tanques. Por essa época, a Bélgica também já havia se rendido aos alemães.
Aproximadamente 500.000 soldados belgas, franceses e ingleses aguardam o momento da evacuação.

Equipamentos abandonados pelos ingleses em Dunquerque.

Concluíndo, diz o capitão e historiador inglês Lidell Hart: "A escapada do exército britânico da França tem sido freqüentemente chamada de "milagre de Dunquerque'" ou "gloriosa retirada de Dunquerque..." Aqueles que conse-guiram escapar se perguntam seguidamente como pude ram se arranjar para consegui-lo.

A resposta é que a intervenção de Hitler foi o que os sal-vou, quando nada havia que fosse possível para salvá-los Uma ordem repentina deteve as Divisões Panzer, exata-mente quando estas se encontravam às portas de Dun-querque".


A dúvida ainda prossegue, o que teria feito Hitler interromper o avanço e consequentemente salvar todo um e-xército britânico?

A ordem de parada partiu do General von Rundstedt (comandante do Grupo de exécitos A) na noite do dia 23/05/1940. Rundstedt queria uma pausa para reagrupar suas tropas, ele havia perdido metade de seus blinda dos no avanço através da França, apesar de a maioria das perdas ter ocorrido por desgaste e não por ação inimiga. Hitler não apenas aprovou sua decisão de parar, como também deu ordens para que tal parada fosse permanente.

A medida que os Panzer penetravam na França e segui-am a noroeste, Hitler ficava cada vez mais preocupado; ele temia que a qualquer momento um contra-ataque ao seu flanco esquerdo pudesse isola-los e negar-lhe sua iminente vitóra. Assustado com seu próprio sucesso, ele preferiu puxar as rédias de suas colunas, a correr riscos.

Outro fator decisivo é atribuído à influência do Reichsmar-schall Hermann Göring, ele queria que a glória da vitória final coubesse à Luftwaffe. Göring argumentava que a Luft waffe era muito mais leal ao partido nazista do que o e-xército, que merecia a honra do grande triunfo e assegu-rou a Hitler que sua força aérea poderia acabar com Dun-querque sozinha. Os argumentos de Göring, deram a Hitler a justificativa que procurava para deter os Panzer.
General von Rundstedt relata a situação no front para Hitler.

Além disso, o próprio Führer pode ter desejado evitar a destruição da Força Expedicionária Britânica. Em uma de suas visitas a Rundstedt, ele surpreendeu seus Generais ao falar com admiração do império britânico. Dis-se que "só queria que a Inglaterra reconhecesse a supremacia germânica no continente". Quando a França fosse derrotada, ele realmente acreditava que poderia fazer as pazes com a Inglaterra. Ao poupar o exército britânico, Hitler achou que seria mais fácil alcançar essa paz.

O escritor inglês John Lukacs afirma que Hitler espereva com esse "cessar-fogo", criar uma brecha para iniciar as negociações de um possível armistício com os ingleses e cita: "O realismo de Hitler era impressionante. Ele não queria lutar com os ingleses. Tinha-lhes um ódio-amor ambíguo, ou melhor, um sentimento de des-dém-respeito. No verão de 1940, o seu respeito foi maior que o desdém".

Na verdade, para Hitler não interessava um conflito armado com a Inglaterra pois a verdadeira guerra (a guerra econômica) com os britânicos já vinha sendo vencida a algum tempo. A prova disso, está na expansão da influ ência germânica no continente e a consequente ampliação de seu mercado consumidor em todo o mundo. Tal situação, foi alcançada principalmente pela competitividade de seus produtos manufaturados que vinham des-bancando os similares ingleses a algum tempo. Com toda certeza, a essa altura as atenções de Hitler já esta vam voltadas para os comunistas da União Soviética, considerados, esses sim, seus verdadeiros inimigos.



O Golpe final - A tomada de Paris

Com a nata dos exércitos Aliados expulsa ou feita prisioneira, seria apenas uma questão de tempo até que a Alemanha acabasse com o resto das tropas francesas. Eles já haviam perdido trinta Divisões e a maior parte de seus blindados. Quanto aos alemães, a maior parte de sua infantaria quase não fora usada, e as divisões Panzer estavam descançadas e reequipadas. Eles tinham estabelecido sólidas cabeças-de-pontes tanto em Amiens quanto em Peronne (~120km de Paris), só o que teriam pela frente seria uma linha de defesa construí-da às pressas.

O Desfile da vitória em Paris, junho de 1940.

Em 09/06 a Wehrmacht já havia conseguido uma fantásti-ca vitória, destruindo as principais formações aliadas e a-brindo o caminho para Paris. Novamente a Luftwaffe contri-buiu decisivamente, destruindo unidades Aliadas e suas linhas de comunicação e suprimentos, fazendo com que o resto dos exércitos franceses ruissem em todas as fren-tes.

No dia seguinte o governo francês deixava Paris e quatro dias depois, em 14/06, os alemães entravam na cidade. Em 22/06, a França rendeu-se oficialmente, sendo que os combates cessaram completamente apenas em 24/06.


No total, a Luftwaffe havia perdido 1.284 aeronaves (28% do total no início da Blitzkrieg em 10/05) e tido 1.722 mortos. Foi um preço rela-tivamente pequeno por uma Campanha que tinha tomado a Bélgica, Luxemburgo e a Holanda em questão de dias, forçado a França a se render em apenas 6 semanas e deixado uma Inglaterra aparentemen te indefesa. Para os ingleses, o próximo passo lógico - a invasão da Grã-Bretanha - parecia apenas uma questão de tempo.

A vitória esmagadora da Alemanha confirmou sua posição de potên-cia suprema no oeste europeu. O único inimigo que sobrara, a Ingla-terra, estava isolada e muito enfraquecida. Hitler estava convencido de que logo ela jogaria a toalha. Mesmo antes do armistício com a França entrar em vigor, ele ordenara a desmobilização de trinta e cin co divisões e que os grupos Panzer fossem divididos.

No que dizia respeito a Hitler, a guerra no oeste estava efetivamente terminada. Num discurso proferido em Berlim em 19.07.1940, ele propõe à Grã-Bretanha um "último apelo à razão". Mas Halifax, mi-nistro das relações exteriores britânico, em 22.07.1940 recusa publi

camente a oferta de Hitler que embalado por seu grande triunfo já começava a contemplar uma campanha con tra a União Soviética. Contudo, ao deixar a Força Expedicionária Britânica escapar por entre seus dedos em Dunquerque Hitler permitiu que a Inglaterra continuasse a lutar. Ele estava prestes a engajar a Alemanha nu-ma guerra em duas frentes, sua mais espetacular vitória portanto, havia lançado as sementes de sua derrota definitiva.

Quase um ano depois, mais precisamente em 10.05.1941 (um mês e doze dias antes do inicio da invasão da União Soviética), Rudolf Hess (braço direito e imediato de Hitler) numa missão solitária e sem o consentimen to do Führer voou para a Grã-Bretanha, a bordo do Messerschmitt Bf 110D (W.Nr.3869) VJ+OQ, numa nova e inutil tentativa de conseguir a paz com a Inglaterra. Como resultado, ele passaria o resto de sua vida na prisão (Click aqui para saber mais sobre essa história extraordinária)

Ases da Campanha da França - Mai/Jun de 1940 (5+ vitórias)

NOME

N.V

T.V

UNIDADE

DESTINO
*
Wilhelm Balthasar

23

47
JG 1
KIA
Werner Mölders

16

115
JG 53
KIFA
Adolf Galland

14

104
JG 27, JG 26
POW
Helmut Wick

12

56
JG 2
KIA
Erich Rudorffer

10

224
JG 2
POW
Werner Machold

10

32
JG 2
POW
Lothar Keller

10

23
JG 3
--
--
Günther Lützow

9

110
JG 3
MIA
Gerhard Homuth

9

63
JG 27
MIA
Ludwig Franzisket

9

43
JG 1
POW
Hans-Karl Mayer

9

39
JG 53
KIA
Hans Golubinski

9

28
JG 53
KIA (13.01.1944)
--
Johannes Gentzen

9

18
ZG 2
KIFA (inicio/1940) 1º. ás da Luftwaffe
Heinz Nacke

9

12
ZG 76
POW
Gert Framm

9

10
JG 27
--
--
Friedrich-Karl Müller

8

140
JG 53
KIFA
Joachim Müncheberg

8

135
JG 26
KIA
Hans von Hahn

8

34
JG 53
POW
Heinz Hoffmann

8

--
JG 2
--
--
Hans Philipp

7

206
JG 76
KIA
Max Stotz

7

189
JG 76
MIA
Hans-Joachim Jabs

7

50
ZG 76
POW
Johannes Schmid

7

45
JG 2
MIA (06.11.1941)
Karl-Wolfgang Redlich

7

41
JG 27
KIA (29.05.1944)
Gustav Sprick

7

31
JG 26
KIA
Wolfgang Schellmann

7

25
JG 2
MIA
Heinz Kunert

7

9
JG 53
KIA (08.09.1940)
--
Roloff von Aspern

7

--
JG 76
--
--
Dietrich Hrabak

6

125
JG 76
POW
Josef Priller

6

101
JG 51
POW
Hermann Neuhoff

6

40
JG 53
POW (10.04.1942)
Wolfgang Lippert

6

35
JG 53
DOW (03.12.1941)
Rolf Pingel

6

28
JG 53
POW
Max Bucholz

6

28
JG 3
POW
Karl Schmid

6

10
JG 51
KIA (05.08.1940)
--
Helmut Tiedmann

6

7
JG 3
POW (18.08.1940)
--
Wilhelm Hermes

6

--
JG 2
--
--
Otto-Heinrich Hillecke

6

--
JG 26
--
--
Walter Oesau

5

125
JG 20
KIA
Hans Hahn

5

108
JG 2
POW
Franz Götz

5

63
JG 53
POW
Hugo Dahmer

5

45
JG 26
POW
Georg Keil

5

36
JG 2
--
--
Karl-Heinz Greisert

5

33
JG 2
KIA (22.07.1942)
--
Walter Adolph

5

29
JG 1
KIA (18.09.1941)
Werner Tismar

5

27
LG 2
KIFA (26.04.1942)
--
Heinz Ebeling

5

18
JG 26
POW (05.11.1940)
Alexander von Winterfeldt

5

13
JG 2
POW
Karl Ebbighausen

5

9
JG 26
MIA (16.08.1940)
--
Igor Zirkenbach

5

7
JG 27
--
--
Gerhard Sprenger

5

--
JG 3
--
--
Anton Stangl

5

--
JG 76
--
--
N.V = Número de Vitórias/ T.V = Total de Vitórias/ KIA = Morto em ação
KIFA = Morto em acidente aéreo/ MIA = Desaparec. em ação/ POW = Prisioneiro de Guerra



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Organização e Estrutura