Medalha Voluntários Espanhóis
(Erinnerungsmedaille für die Spanischen Freiwilligen)

Embora simpático à causa do Eixo, o ditador Francisco Franco (1892-1975) resistiu às investidas de Hitler de incluir formalmente a Espanha como aliada do Eixo, mesmo no apogeu das conquistas alcançadas pelo III Reich. Franco compreendia que seu país não havia se recuperado da ainda recente e longa guerra civil que durara três anos (1936-1939) e que tinha drenado os recursos da nação, de modo que não havia condições de ajudar os alemães.

No entanto, sem esquecer o papel fundamental por Hitler e a Legião Condor para assegurar sua vitória na guerra ci-vil, Franco permitiu que voluntários servissem nas Forças Armadas alemãs na frente oriental. Agindo assim, ele man teve a neutralidade espanhola ao mesmo tempo que retri-buía o favor prestado pelos alemães, dando continuidade à sua luta contra o comunismo.

Poucos minutos antes da invasão da URSS, em 22.06. 1941, o Ministro das Relações Exteriores do III Reich, Joachin von Ribbentrop recebeu uma oferta formal de aju-da do governo espanhol, e a proposta foi aprovada por Hitler dois dias mais tarde.

Na Espanha não houve falta de voluntários e, a despeito de apenas 4.000 homens tivessem sido solicitados, a procura foi tão grande que as autoridades rapidamente elevaram o número de voluntários permitidos, visando formar uma divisão completa (cerca de 19.000 homens). Regimentos de voluntários foram criados em Madrid, Barcelona, Sevilha, Valência e todas as outras regiões metropolitanas. Em 02.07.1941 os postos de recrutamento foram oficialmente fechados, com o número de voluntários tendo até mesmo superado a marca de uma divisão. A maioria desses homens não eram voluntários inesperientes: muito pelo contrário, muitos eram veteranos da Guerra civil, acostumados com os rigores da vida militar.

Com a Legião agora formada, o seu comandante foi anunciado co-mo sendo o General Augustin Muñoz Grandes. Como eles não eram membros do exército espanhol, um uniforme simbólico foi improvisa-do: uma boina vermelha do movimentos Carlista, a camisa azul do movimento Falangista (que por fim deu o nome à unidade) e as cal- ças cáquis da Legião estrangeira espanhola. Esse uniforme era para ser usado enquanto permanecessem na Espanha mas, antes de par tirem, receberam o tradicional uniforme do exército alemão, conten-do um escudo com as cores nacionais e a palavra “España”, na par te superior da manga direita.

Em 13.07.1941 o primeiro trem com voluntários deixou Madrid em direção a Grafenwohr, Bavária, onde eles se tornaram a 250º Divisão de Infantaria, com um efetivo de 17.924 soldados e oficiais, divididos em quatro regimentos. Como entre esses voluntários havia um núme ro considerável de pilotos e um esquadrão foi formado inteiramente por espanhóis. Chamado de 15./JG 51 “Mölders” (15º Staffel da Jagd geschwader 51) e, equipados com Bf109 e Fw190, eles obtiveram o crédito de ~156 vitórias confirmadas na frente oriental.

Esses homens lutaram bravamente na frente russa ao longo de mais de três anos, ganhando o respeito não só dos alemães como também dos soviéticos. Em reconhecimento ao desempenho desses soldados, a Wehrmacht criou uma medalha específica para homenageá-los.

A condecoração entregue para os voluntários espanhóis era chama-da de “Erinnerungsmedaille für die Spanischen Freiwilligen’ im Kampf gegen den Bolschewismus” ou “Medalha Comemorativa para Voluntários Espanhóis na Luta contra o Bolchevismo”.

Conhecida popularmente como Medalha da divisão Azul, ela foi ofi-cialmente instituída em 03 de janeiro de 1944. A medalha é construí da em uma peça maciça de liga de zinco com um banho de bronze, sendo produzida pela empresa Deschler und Sohn. Media 32mm de diâmetro e tinha 1mm de espessura.

Na sua face frontal inferior há uma suástica tendo um ramo de fo-lhas de louros de cada lado, com as folhas estando em sentido opostos. Uma espada militar cruzava o centro da medalha, com dois escudos sobre ela: o da esquerda trazendo uma águia da wehr macht e o da direita com o feixe de flechas Falangista (nome da fac ção de direita a qual pertencia Franco). Diretamente sobre os escu dos estava um capacete Modelo 40 do exército germânico.

A face de trás da medalha tinha uma Cruz de Ferro encimada por outro ramo de folhas de louros. No centro havia a inscrição “DIVISION ESPAÑOLA DE VOLUNTARIOS EN RUSIA” (Divisão Espanhola de Voluntários na Rússia). No topo da medalha estava a argola por onde passava a fita da medalha, que tinha 30mm de largura composta de uma faixa preta (4mm), uma branca (2mm) e uma faixa vermelha (18mm) com uma faixa central dourada (3mm). Na verdade, tratava-se da fita da Cruz de Ferro de 2ª Classe com um detalhe em amarelo para lhe dar as cores da Espanha. A maioria vem com o sistema de presilha típico das medalhas espanholas.

Por fim, é interessante notar que Franco permitiu o uso de condecorações militares nazistas em seu formato original (com a suástica) mesmo depois da guerra e, desse modo, a medalha da Divisão Azul foi oficialmente produzida na Espanha para fins de reposição para veteranos. Como seu uso foi sancionado oficialmente pelo governo, essas não são consideradas reproduções, embora não sejam tão desejadas por colecionados.


Voluntários espanhóis são condecorados com a Cruz de Ferro de 2ª classe.


Condecorações
Marcações na Fuselagem