Cruz Germânica em Ouro
(Das Deutsche Kreuz in Gold - DK)



Por volta de 1941, um grande número de condecorações já haviam sido introduzidas na Wehrmacht desde o início da II Guerra Mundial. Mesmo assim, Hitler acreditava que havia um vazio significante entre a Cruz de Ferro de 1ª Classe e a Cruz de Cavaleiro da Cruz de Ferro e que esta falha devia ser suprida para reconhecer feitos de bravura que se situassem em uma categoria intermediária entre aquelas duas condecorações.

Para cumprir este papel, o Führer criou, em 28.09.1941, a Ordem de Guerra da Cruz Germânica (der Kriegsorden des Deutschen Kreuzes) ou simplesmente, Cruz Germânica. Esta condecoração estava sendo intro- duzida em uma época em que as conquistas alcançadas pelo III Reich estavam em seu apogeu, embora as primeiras falhas logo fossem apare cer, quando os alemães fracassaram em tomar Moscou antes do terrível inverno daquele ano. Mas a Cruz Germânica continuaria a ser en tregue ao longo de todo o conflito, até a derrota final em 1945. E, assim como a Cruz de Ferro, ressurgiria em uma versão desnazificada em 1957.

A Cruz Germânica foi desenhada pelo Professor Klein, de Munique, e re-cebeu esta denominação pelo fato de que a suástica é, tecnicamente, u-ma cruz (a "cruz gamada"), embora o formato da condecoração não se assemelhe ao conceito tradicional que todos temos de uma cruz. Foi ins tituída em duas formas, distintas entre si: a Cruz Germânica em Ouro (Deutsches Kreuz in Gold), que era entregue por bravura do militar em fa-ce do inimigo; e a Cruz Germânica em Prata (Deutsches Kreuz in Silber) que era entregue àqueles que se destacavam por liderança ou atos que não estivessem envolvidos com operações de combate. Com isso, con-cluí-se que todos os exemplares entregues aos pilotos de caça da Luft-waffe, eram da versão em Ouro - e nela concentramos este breve estudo.
Quanto à sua forma, ambas as versões eram quase idênticas, sendo a única diferença a coroa de louro que cerca a suástica e traz a data "1941" que, na versão em Ouro, era dourada (a outra, obviamente, era em prata).
A construção destas peças era a mais complexa den-tre todas as condecorações do III Reich. Era composta por cinco partes: (1) uma base convexa de cor pratea-da em forma de uma estrela de oito pontas, (2) outra placa de tom acinzentado montada sobre a primeira; (3) um disco feito de tombak também prateado mas com uma aplicação de esmalte vermelho; (4) uma co-roa de folhas de louro dourada (ou prateada, depen-dendo da versão) e (5) um disco em prata de 21mm de diâmetro contendo uma suástica esmaltada em preto com uma finíssima borda prateada. Todas estas partes são mantidas juntas por um número variado (de 4 a 10) de pequenos rebites - sendo que as versões com dez e oito rebites são as mais raras. A maioria da Cruzes Germânicas medem entre 62,5mm e 63,5mm, conside-rando-se as extremidades exteriores da peça.

A Cruz Germânica era segura ao uniforme através de um grande pino chato preso a um pequeno gancho, am-bos soldados no seu verso. Os fabricantes normalmente estampavam suas marcas neste pino ou mesmo dire-tamente no verso da peça, sendo que os principais produtores foram Deschler de Munique, Steinhauer & Luck de Lundenscheid, Zimmerman de Pforzheim e Junker de Berlim. Todas as condecorações eram acompanha-das dos respectivos documentos e, não raro, o soldado agraciado gravava no verso da condecoração o seu no-me e a data de deferimento.


A Cruz Germânica deveria ser utilizada em todas as ocasiões em que o soldado estivesse de uniforme, devendo ser fixada no lado direito da túnica (a única outra condecoração que era utili-zada neste lado da túnica era a Cruz Espanhola), ver exemplo.

Uma prática muito comum era a aquisição de cópias oficias das condecorações, para serem utilizadas pelo recebedor no seu dia-a-dia, preservando-se a peça original, sendo que a qualidade destas cópias variava muito de acordo com o fabricante.

Já as condecorações originais, no início, eram relativamente pe-sadas mas, à mediada que a guerra progrediu, elas passaram a serem feitas de níquel e são consideravelmente mais leves. No entanto, a qualidade das Cruzes Germânicas era muito alta e seu a-cabamento não apresentou uma depreciação substancial,

comoocorreu com ou-tras condecorações ao longo do conflito. Outra prática comum, era a aquisição de peças feitas em tecido e que eram costuradas ao uniforme de serviço.

Marseille e sua Cruz Germânica em Ouro

De certa forma, a Cruz Germânica em Ouro sempre esteve associada à Cruz de Ferro, já que um pré-requisito para que fosse entregue era que o soldado já fosse detentor da Cruz de Ferro de 1ª Classe. Contudo, de-ve-se entender que a Cruz Germânica não pertencia à Ordem da Cruz de Ferro e não era um pré-requisito para se receber a Cruz de Cavaleiro da Cruz de Ferro.

Era, isto sim, uma condecoração completamente independente, mes-mo porque muitos que a receberam jamais foram condecorados com a Cruz de Cavaleiro, enquanto houve vários outros que a receberam muito tempo após serem agraciados com a Ritterkreuz ou mesmo há aqueles que jamais foram condecorados com esta peça e que possuíam os ma-is altos graus da Cruz de Ferro.

Ao longo da guerra, foram distribuídas cerca de 30.000 Cruzes Germâni cas em Ouro, sendo que a primeira cerimônia de entrega deu-se em 18.10.1941.Os números da versão em Prata são bem menores, situan-do-se em algo em torno de 1.200 exemplares.

Em 05.06.1942, a mesma data em que foi autorizado o uso das versões em tecido da Cruz Germânica, um nível especial desta condecoração foi instituído : a chamada Cruz Germânica em Ouro com Diamantes (Deutsches Kreuz in Gold mit Brillanten). Em outubro de 1942 um protótipo custando 2.800 Reichsmarks foi entregue à Chancelaria do Reich em Berlim.

Assim como a Cruz de Cavaleiro da Cruz de Ferro com Brillhan-tes, esse nível especial da Deustsches Kreuz era manufaturada artesanalmente por joalheiros, trazendo estampado o grau de pureza da prata empregada e uma coroa de louros incrustada de diamantes. No entanto, essa versão da Cruz Germânica nun- ca foi oficialmente entregue e os únicos vinte exemplares produ-zidos passaram todo o restante da guerra trancados em cofres na Chancelaria e no Castelo de Klessheim.

Alguns exemplares repousam em coleções de museus nos Es- tados Unidos, já que esse castelo foi conquistado por tropas norte-americanas no final do conflito.

Do mesmo modo que ocorreu com a Cruz de Ferro, a Cruz Ger-mânica teve seu uso proibido após a promulgação da Constitui- ção da República Federal Alemã (Alemanha Ocidental), que ve-tou expressamente a exibição de qualquer item que trouxesse a

suástica ou outros símbolos ligados ao Partido Nazista. Consequentemente, os vetera-nos do conflito se viram impedidos de ostentar suas condecorações.

A partir de 1955, com a entrada da Alemanha na OTAN, iniciou-se o programa de rearmamento, que incluía, por óbvio, a criação de uma nova Luftwaffe. A nova Força Aérea alemã - chamada de Bundesluftwaffe - recrutou vários de seus antigos ases para suas fileiras, como Erich Hartmann, Günther Rall, Gerhard Barkhorn, Werner Streib, Wilhelm Batz, Johannes Steinhoff e Hannes Trautloft entre outros, a fim de aproveitar a fantástica expe-riência destes homens em combate. Contudo, eles - assim como vários outros veteranos do Exército e da Ma-rinha - também não podiam utilizar suas condecorações, mesmo sem terem tido qualquer ligação com o Parti-do Nazista.

Visando solucionar este problema, o Governo alemão, em 26. 07.1957 editou a "Lei de Títulos, Ordens e Medalhas de Hon-ra", que previa a manufatura de medalhas desnazificadas para uso pelos veteranos. Estas condecorações mantiveram seus desenhos originais, perdendo apenas os vestígios nazistas. Im portante observar que não se trata da reinstituição da Cruz Ger mânica mas sim apenas a regulamentação de sua substitui- ção por uma versão sem os símbolos do III Reich.

No caso da Cruz Germânica, a suástica situada no centro foi substituída por uma Cruz de Ferro de 1ª Classe contendo no centro um ramo de três folhas de carvalho existente nas conde corações imperiais, mantendo a data de 1941. Normalmente, as medalhas feitas após 1957 são de qualidade inferior quando comparadas às originais.

A inovação veio com a introdução de uma barra de medalha in-dicando seu recebimento, que poderia substituir o uso da con-

decoração, tal como ocorria com a Cruzde Ferro de 2ª Classe, com a Medalha da Frente Russa e com as condecorações americanas e inglesas.

Considerada uma das mais bonitas condecorações entre os especialistas de Militaria, a Cruz Germânica per-manece um item muito popular e procurado pelos colecionadores, constituindo-se uma peça rara e, portanto, cotada em valores expressivos. Contudo, embora sua falsificação seja muito difícil, já existem exemplares fal-sos que podem induzir um observador mais descuidado ao erro.



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Condecorações
Marcações na Fuselagem