Günther Lützow
(1912 - 1945 ?)

Oberst
J/88, JG3, JG51 e JV44
+300 missões de combate, 110 vitórias (5 na Espanha, 9 na Inglaterra, 2 c/Me 262)
Desaparecido em ação (24/04/1945)

Quando a II Guerra Mundial começou, a Luftwaffe podia se vangloriar de ter os melhores e mais experientes pilotos da Europa e, talvez, do mundo. A Guerra Civil espanhola havia se mostrado uma oportunidade única para muitos pilotos e vários haviam se tornado Experten naquele conflito, isto é, já possuíam cinco ou mais vitórias confirmadas - nada mal para uma força que nem existia até 1935. Mas, entre todos estes pilotos, alguns atingiram uma aura quase mítica para o povo alemão e acabaram se tornando fontes de inspiração para os mais jovens, tal como havia ocorrido na I Guerra Mundial com Manfred von Richthofen, o Barão Vermelho, e os homens de seu lendário Circo Voador. E, entre a nata destes homens, estava Günther Lützow, que foi definido por Adolf Galland como "o mais extraordinário líder da Luftwaffe".

Lützow é o nome de uma das mais tradicionais famílias mi litares prussianas, sendo que seus serviços remontam à I-dade Média. Membros de sua família lutaram contra Napo-leão e esse nome foi dado à cruzadores da Marinha em ambas as guerras mundiais. Logo, a carreira militar foi u-ma escolha lógica para Günther Lützow, nascido na cida-de portuária de Kiel, Alemanha, em 04.09.1912.

Conhecido pelos amigos como "Franzl", ele teve uma edu- cação extremamente privilegiada, estudando em um mos-teiro beneditino. Além disso, na onda do vôo planado que varreu a Alemanha dos anos 20, rapidamente tornou-se a-depto da aviação, tendo obtido o breve de piloto de plana-

nador antes dos 20 anos de idade. Obviamente, esse talento não passou despercebido do Reichswehr, que tentava construir uma Força Aérea em segredo. Desta época data sua amizade com homens como Adolf Galland, Werner Mölders e Walter Oesau.

Assim, em 1931, Lützow foi convidado a se juntar à escola de vôo mantida em segredo pelos alemães em Lipetsk, que ficava em território soviético. Após a conclusão deste curso, ele foi incorporado como um Leut-nant a um regimento de infantaria do Exército enquanto aguardava o ressurgimento oficial da Força Aérea.

Com a ascensão de Hitler ao poder em 1933, o desenvolvimento da Luft-waffe foi acelerado consideravelmente e, em 1934, Lützow foi designado para servir junto ao I/JG132 (Gruppe I da Jagdgeschwader 132), mantendo o posto de Leutnant, e pilotando os biplanos Arado Ar 64. Neste mesmo ano, ele também participaria de um curso de reciclagem na Fliegerschule de Schleissheim. Mas foi com a eclosão da Guerra Civil Espanhola em 1936 e a conseqüente formação da Legião Condor que Lützow sentiria o gosto dos combates aéreos e onde se revelaria não só como um ótimo piloto de caça, mas um grande organizador e líder nato.

Lützow permaneceria na Espanha entre março e setembro de 1937, atuan do como Staffelkapitän do 2./JGr88, conhecido como "Marabu Staffel". Aí ele obteria cinco vitórias confirmadas e, ao final do conflito, ele receberia a Cruz Espanhola em Ouro com Diamantes, a mais alta condecoração ale-mã deferida naquele conflito. Em novembro de 1938, já vislumbrando as nuvens da guerra, o Alto Comando da Luftwaffe acelerou o programa de formação de pilotos e, "Franzl", com a experiência adquirida nos céus es- panhóis, foi designado como instrutor da Jadgfliegerschule 1 (Escola de Aviação de Caça-1).


Promovido a Hauptmann, Lützow ainda atuava como ins-trutor quando a guerra começou em setembro de 1939, e a tarefa de defender os céus de Berlim foi confiada a ele e a seus alunos, o que realizou sem grandes problemas, mantendo essa função até maio de 1940, quando foi no-meado Gruppenkommandeur do I/JG 3 (Gruppe I da Jagd geschwader 3). Com essa unidade ele atuaria à frente do feroz avanço alemão sobre os Países Baixos, Bélgica, Luxemburgo e França a partir de 10.05.1940.

Suas primeiras vitórias na II Guerra Mundial viriam em 14. 05.1940, quando Lützow derrubou dois caças Hawk 75A franceses, seguido de outro Hawk no dia seguinte e de um Hurricane da RAF no dia 19.05.1940. Piloto experien-te e atirador hábil, "Franzl" se revelou um adversário im-placável nos céus da França: no dia 31.05.1940 outros

dois caças Morane 406 tombariam sob o fogo de suas armas; a estes somaram-se, ainda, outro Hawk 75A

(em 03.06.1940) e dois bombardeiros Blenheim da RAF (em 06 e 08.06.1940). Assim, ao fim da Campanha da França, em 22 de ju nho de 1940, Hauptmann Lützow já acumulava um total de nove vitórias confirmadas.

Mas, quase que imediatamente, iniciou-se a campanha que ficaria conhecida como a Batalha da Inglaterra: a luta pela supremacia aé- rea sobre as ilhas britânicas e o Canal da Mancha.

No auge dos combates, o Reischsmarschall Hermann Göring resol-veu retirar do comando das unidades de caça os veteranos da I Guer ra Mundial, colocando os jovens ases em seus lugares. Como resul-tado, em 21.08.1940, o Major Günther Lützow se tornou Kommodore da JG 3.

Lutando contra os bem treinados e motivados pilotos da RAF, Lützow continuaria a acrescentar vitórias à seu escore pessoal. Co mo resultado, em 18 de setembro de 1940, quando somava um total de 15 abates confirmados (além de suas cinco vitórias na Espanha), ele seria condecorado com a Cruz de Cavaleiro da Cruz de Ferro.


Lützow e sua unidade permaneceria no Canal da Mancha até junho de 1941, quando foram transferidos para o leste para tomar parte na invasão da URSS, que se iniciou em 22.06.1941. Atuando implacavelmente na destruição da Força Aérea Soviética, o Major Lützow acumularia uma seqüência invejável de vitórias contra os mal treinados e equipados pilotos soviéticos. Como resultado, em 20.07. 1941, Lützow abateu seu 41º e 42º adversários (dois Vultee V-11). No mesmo dia, ele se tornou o 27º soldado da Wehrmacht a receber as Folhas de Carvalho da Cruz de Cavaleiro.

Por outro lado, além de participar de combates violentos, a partir de 16.09.1941, Lützow - um líder extraordinário - passou a acumular o comando também da JG 51 (cujo Kommodore, Friedrich Beckh, havia sido ferido em com-

Werner Mölders (esq) e Lützow
bate em 16.09.1941), além de continuar na liderança da JG 3. Desenvolvendo uma competição com outro vete-rano dos tempos da Espanha, Walter Oesau, ambos tentavam alcançar a marca mágica de 100 vitórias - na tentativa de igualar-se ao único que havia feito isso até então: o Oberst Werner Mölders.

Günther Lützow recebendo as Espadas da Cruz de Cavaleiro em 11.10.1941

Ele se empenharia com dedicação nos combates, obtendo várias vitó- rias múltiplas (como cinco aviões soviéticos no dia 08.10.1941), alcan- çando sua 92ª vitória em 11 de outubro de 1941, ocasião em que foi a-graciado novamente por Hitler, desta vez com as Espadas da Cruz de Cavaleiro (o 4º soldado a receber essa honraria).

Por fim, "Franzl" "ganharia" a corrida, abatendo seu 100º inimigo em 24.10.1941 (em um combate onde derrubou três caças I-16), tornando-se o segundo piloto da História a atingir essa marca. Oesau chegaria ao mesmo resultado dois dias depois.

As habilidades de Lützow como organizador e líder, tornaram-se tão evi-dentes que, em 11.08.1942 ele foi designado como Inspektor der Tagjä- ger West (Inspetor da Força de Caça Diurna no Oeste) e, em novembro deste ano Kommandeur da 1. Jagddivision. Esses cargos de cunho bu-rocrático afastaram-no dos combates, e terminaram por torná-lo uma pessoa cética em relação à forma como a Luftwaffe vinha sendo dirigida pelo cada vez mais ausente Hermann Göring.

As mortes de Ernst Udet (Diretor do Departamento Técnico da Luftwaffe) e de Werner Mölders, em novembro de 1941, já tinham abalado sua confiança no Reichsmarschall e, diante das dificuldades que presenciou no teatro de operações do Mediterrâneo - que praticamente anularam o poder de ataque da Luftwaffe - só deixaram Lützow cada vez mais frustado. A antipatia era mútua, já que Göring, pelo que consta, detestava o jovem oficial, tanto pela sua origem aristocrática, quanto pela sua competência e suas opiniões francas.

Em janeiro de 1944 Lützow assumiria o comando da 4. Fliegerschuledivision (Quarta Divisão de Escolas de Ca- ças), mas a pressão sofrida - que prejudicava o treinamen to dos pilotos - somada às acusações feitas pelo já dese-quilibrado Göring aos pilotos da Força de Caças (havia di to que eles haviam se tornado "covardes e acomodados"), levaram-no a aderir ao que ficou conhecido como o "Motim dos Pilotos" em janeiro de 1945, liderado por ele próprio, Galland, Maltzahn e Steinhoff entre outros, e que foi uma tentativa de afrontar as ordens insanas do OKL (entre ou-tras, a insistência de usar o revolucionário Me262 como um caça-bombardeiro). Em uma reunião que terminou a-bruptamente com uma discussão acalorada, Göring foi cla ro ao afirmar a Lützow - que fazia as vezes de "porta-voz" dos jovens oficiais - que "você será fuzilado".

Göring não chegou a tanto, mas baniu Lützow para a Itália como Jagdfliegerführers (Líder dos Caças na região) Mas este "exílio" não durou muito. Em março de 1945, Lützow foi chamado por Galland para integrar a hoje lendária JV 44 (Jagdverband 44), uma unidade composta unicamente por caças a jato Me262 e pelos melhores pilotos da Luftwaffe que haviam sobrevivido até aquele estágio da guerra. Com essa unidade, Lützow alcança-ria suas duas últimas vitórias confirmadas na II GM (104ª e 105ª vitórias).

Em 24 de abril de 1945, o Oberst Günther Lützow decolou em mais u-ma missão para interceptar uma formação de bombardeiros com o seu jato Me 262. Ele jamais retornou daquele vôo, sendo considerado ofici-almente "desaparecido em ação" desde então, embora haja relatos de testemunhas oculares que viram seu avião explodir - mas, a esta altu-ra, com o III Reich desmoronando, pouco tempo havia para se procurar evidências dos restos mortais.

Uma das hipóteses é narrada no livro "The Messerschmitt Combat Diary Me262" de Foreman e Harvey, onde descrevem um ataque con-duzido por quatro jatos contra uma formação de bombardeiros B-26´s do 17th Bomber Group. Nessa ocasião, um dos atacantes contornou o grupo de bombardeiros e foi seguido por caças P-47 do 365th Fighter Group. Durante a tentativa de evadir-se o jato perdeu controle e cho-cou-se contra o solo a uma velocidade de cerca de mais de 900 km/h. Acredita-se que tratava-se de Lützow, pois foi o único Me 262 perdido naquele dia. De todo modo, sua morte - ocorrida duas semanas antes do fim da guerra - foi um tremendo choque para a JV 44 e para toda a Luftwaffe.

Ao morrer, o Oberst Günther Lützow tinha voado mais de 300 missões de combate e abatido 110 aviões inimi gos (cinco na Espanha, 20 na Frente Ocidental e 85 na Frente Russa) - mas, mais do que isso, havia entrado para a História da Luftwaffe como um de seus grandes líderes e mais habilidosos pilotos de caça do último conflito.


Bf 109E-4 - Hptm. Günther Lützow, Stab I./JG 3 - Berneui/França - Junho, 1940


Bf 109F-2 - Maj. Günther Lützow, Stab/JG 3 - URSS, 1941



Bf 109F-2 - Günther Lützow, Kommodore/JG51 - URSS - outubro, 1941

 

Ficha do Piloto
Unidades:
- Jagdgruppe 88 - Staffelkapitän 2./JGr. 88
- Jagdgeschwader 3 "Udet" - Kommandeur I./JG 3 (3.11.39 - 21.8.40)
- Kommodore (21.8.40 - 11.8.42)
- Jagdgeschwader 51 "Mölders"* Kommodore (10.41 - 11.41)
- Jagdverband 44 
* Em caráter provisório.
Aeronaves:
Arado Ar 64
Messerschmitt Bf 109
Messerschmitt Me 262
Campanhas:
Guerra Civil Espanhola
Blitzkrieg
Batalha da Inglaterra
Frente Oriental
Defesa do Reich.
Promoções:
 
Condecorações:
- 07.07.1939 - Cruz Espanhola em Ouro c/ Diamantes
- 26.05.1940 - Cruz de Ferro de 2ª classe
- 03.06.1940 - Cruz de Ferro de 1ª classe
- 18.09.1940 - Cruz de Cavaleiro da Cruz de Ferro...................................(120º)
- 20.07.1941 - Folhas de Carvalho da Cruz de Cavaleiro ............................(27º)
- 11.10.1941 - Espadas da Cruz de Cavaleiro ............................................(4º)

Bf 109B-2 - Günther Lützow, 2./JGr.88 - Espanha





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