Bernhard Jope
(1914 - 1995)


Oberstleutnant
KG40, KG100 e KG30
410 missões de combate
Prisioneiro de guerra

Bernhard Jope foi, durante a II Guerra Mundial, um dos mais bem sucedidos dentre os pilotos de bombar-deiro da Luftwaffe, ligando seu nome para sempre a algumas das ações mais ousadas conduzidas pelos ale-mães e ao emprego das primeiras “armas inteligentes” da história.

Nascido em 10 de maio de 1914 na cidade de Leipzig, Alemanha, Jope foi fascinado pelo vôo desde muito jovem e, após freqüentar o curso de piloto comercial e obter seu brevê, tornou-se comandante na Lufthansa.

Quando do início da II Guerra Mundial, Jope foi convocado para o serviço na Luftwaffe, a qual passou a integrar como Leutnant, sendo designado para servir no 2./KG 40 (2º Staffel da Kampfgeschwader 40), equipado com o famoso Focke-Wulf Fw 200 “Condor”. Com es-sa unidade, Jope participaria com destaque da invasão da Polônia (setembro de 1939) e a campanha da Blitzkrieg (abril a junho de 1940), recebendo a Cruz de Ferro de 2ª Classe.

Com o início da Batalha da Inglaterra em julho de 1940 - quando foi condecorado a Cruz de Ferro de 1ª Classe -, a KG 40 de Jope, ficou sediada em Bordeaux-Merignac, no sul da França, a partir de onde passou a atacar os comboios de navios mercantes, além de atuar na orientação dos U-Boats para a localização de seus “alvos”.

Foi em uma dessas missões que Jope ganhou fama pela primeira vez. No dia 24.10.1940, enquanto estava em patrulha armada de longo alcance, Jope e sua tripulação avistaram o transatlântico inglês transformado em transporte de tropas “HMS EMPRESS OF BRITAIN”, de 42.348 BRT (toneladas brutas) ao sul de Donegal. Em um ataque ousado com suas bombas, Jope danificou de tal modo o navio que ele foi abandonado e afundou. Promovido a herói na Alemanha, o Oberleutnant Jope foi condecorado com a Cruz de Cavaleiro da Cruz de Ferro em 30 de dezembro de 1940.

Jope continuaria a atuar com a KG 40 no ano seguinte, sendo que sua unidade acumulou 390.000 BRT de navios afundados apenas entre janei-ro e março de 1941. A despeito do aumento das defesas antiaéreas ins-taladas nos navios ter dificultado as operações durante o restante de 1941, os Kondor atuaram de modo eficiente o bastante para receber o apelido de “Flagelo do Atlântico” de Churchill.

Promovido a Hauptmann, Jope tornou-se Gruppenkommandeur do IV/KG 100 em 12.06.1943, mas permaneceu pouco tempo à frente dessa unida de, pois, em 28.07.1943, foi designado para comandar o III/KG 100, en-tão operando no Mediterrâneo. E foi liderando essa unidade que ele efe-tuaria um dos mais famosos ataques que a Luftwaffe executou na II Guer ra Mundial.

Em 10.09.1943, os Italianos, já fartos da guerra, anunciaram a sua capi-tulação às forças aliadas. Como parte do acordo, naquela manhã a frota italiana composta pelos novos encouraçados “Roma” e “Itália” zarparam do porto de La Spezia para se juntar à marinha britânica, a fim de combater seus antigos aliados. Contudo, os alemães estavam cientes do

plano e o comandante da Luftwaffe na região, Generalfeldmarschall Wolfram von Richthofen ordenou que o Major Jope impedisse que o plano se concretizasse.

Comandando nove bombardeiros Dornier Do217 do III/KG 100, Jope decolou de Istres (sul da França) para inter ceptar a frota italiana. Sob a asa de estibordo, entre o motor e a fuselagem, cada um dos nove Dornier trans-portava uma única bomba Fritz X. Esta arma, altamente secreta, era uma bomba-voadora de 1.500 kg, tendo na cauda um dispositivo que permitia o controle pelo rádio de toda a parte final de sua trajetória.

Quando as belonaves italianas encontravam-se no estreito entre as ilhas de Sardenha e Córsega, foram avistadas por Jope e o ata que começou. Quando os Dorniers lançaram suas bombas Fritz-X os italianos não tiveram a menor chance. O primeiro petardo lança do por Jope atingiu o encouraçado “Roma” a estibordo do mastro traseira, destruindo sua sala de máquinas, reduzindo sua velocida de.

Poucos minutos depois, um segundo míssil atingiu o navio, entre a ponte de comando e a torre de canhões “B”. O navio incendiou-se, atingindo o depósito de munições e, em segundos, o “Roma” explodiu, dobrando-se ao meio e afundando com quase toda sua tripulação.

Depois, seu navio irmão, o “Itália” foi atingido na proa e inundado com cerca de 900 toneladas de água, mas conseguiu escapar, chegando a Malta, onde permaneceu em reparos por vários me-ses. Mais tarde, Jope declarou:

"Nós não vimos o ‘Roma’ explodir. Isso aconteceu depois que nós deixamos o local. Nós apenas vimos as ex-plosões das bombas que o atingiram, mas quantas vezes antes não tínhamos visto algo semelhante com o navio sobrevivendo ao ataque e retornando danificado ao porto?”

No mesmo dia, tropas americanas desembarcaram em Salerno, próximo a Nápoles. Esse era o momento pelo qual Richthofen estava esperando, envi-ando suas tropas contra a cabeça-de-ponte aliada.

A concentração de navios aliados no litoral, dando suporte às tropas terres tres, era muito grande e os homens de Jope, novamente, realizaram ata-ques com os mísseis teleguiados. Nas semana seguinte ao ataque ao “Ro ma”, eles danificaram seriamente o encouraçado “HMS Warspite” e os cru-zadores “HMS Uganda” e “USS Savannah”.

Embora os navios não tenham sido afundados, para ter uma idéia da des-truição ocasionada, o HMS Warspite foi atingido por três bombas, sendo que a primeira penetrou por seis decks antes de explodir e as outras duas atingiram compartimentos laterais. Uma das salas de caldeiras foi destruí da e quatro das outras cinco foram inundadas. Para sorte dos britânicos, não houve incêndio, mas o navio estava com 5.000 toneladas de água em seu interior.


Em razão do grande sucesso nessas operações, o Major Jope foi nomeado Geschwaderkommodore da KG 100 em 10.09.1943, e, finalmente, em 24 de março de 1944, foi chamado à presença de Hitler para receber de suas mãos as Folhas de Carvalho da Cruz de Cavaleiro, tornando-se o 431º soldado da Wehrmacht a receber essa honraria.

Jope permaneceria liderando a KG 100 até 20.08.1944, quando assumiu o comando da KG 30. Promovido a Oberstleutnant, ele ficaria à frente dessa unidade até o final da guerra. Tendo sido capturado pelos aliados, ele foi libertado em 1946, retornando à vida civil. No início dos anos 50, com o ressurgimento da Lufthansa, ele vol-tou a reintegrar seus quadros, tornando-se piloto comercial.

Cerimônia de entrega (dir-esq): Hptm. Hans-Joachim Jabs, Maj. Bernhard Jope, Maj. Hansgeorg Bätcher e Hitler. Berghof (abril de 1944).

O Oberstleutnant Bernhard Jope, um dos maiores pilotos da II Guerra Mundial, faleceu de causas naturais em Königstein im Taunus (Alemanha), em 31 de julho de 1995, aos 81 anos de idade.


Ficha do Piloto
Unidades:
- Kampfgeschwader 40 
 - Kampfgeschwader 100 - Kommandeur IV./KG 100 (12.06.1943)
- Kommandeur III./KG100 (28.07.1943)
- Kommodore (10.09.1943)
 - Kampfgeschwader 30 - Kommodore (20.08.1944)
Aeronaves:
 - Focke-Wulf Fw 200
- Dornier Do 217
Campanhas:
  - Blitzkrieg
- Batalha da Inglaterra
- Mediterrâneo
Promoções:
 
Condecorações:
- 29.09.1939 - Cruz de Ferro de 2ª classe
- 13.09.1940 - Cruz de Ferro de 1ª classe
- 30.12.1940 - Cruz de Cavaleiro da Cruz de Ferro...................................(173º)
- 05.02.1942 - Cruz Germânica em Ouro................................................(5/17)
- 24.03.1944 - Folhas de Carvalho da Cruz de Cavaleiro ..........................(431º)

 

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