Recordes
Hermann Graf
(1912 - 1988)

Oberst
JG52, JGr.50 e JG11
830 missões de combate, 212 vitórias (6 quadrimotores)
Prisioneiro de Guerra (17/05/1945)

Depois da guerra, Sepp Herberger, o lendário treinador da Seleção de Futebol Alemã campeã do Mundial de 1954, ajudou seu amigo Hermann Graf: ele conseguiu para o Oberst aposentado um cargo na indústria de solda elétrica. Herberger retribuiu, assim, os muitos favores feitos para ele durante a II Guerra Mundial pelo al-tamente condecorado soldado e apaixonado por futebol. Isto porque, durante a guerra, Graf havia montado um time com os maiores nomes do futebol alemão de sua época e que encontravam-se em serviço na Luftwaffe: Fritz Walter (capitão da equipe campeã da Copa do Mundo de 1954), Franz Hahnreiter, Alfons Moog, Fritz Hack e muitos outros jogaram pelos "Die Roten Jäger" de Graf. Mais ainda, o Oberst Graf, sempre que possível, lhes permitia participar dos jogos decisivos dos campeonatos nacionais em plena guerra.

Hermann Graf (centro), em seu uniforme de goleiro e Fritz Walter (dir), trajando a camisa dos "Roten Jäger" .

O General der Jadflieger Adolf Galland, sabendo deste fa-natismo de Graf pelo esporte, sempre que questionado por outros oficiais, dizia: "Eu sei que ele anda por todo lado com todo um time de futebol". Certa vez, a Federação Ale-mã de Educação Física, enviou uma carta para o Reichs-marschall Göring solicitando que Graf fosse proibido de jo-gar (uma vez que ele defendia a profissionalização do es-porte), ao que o Comandante Supremo da Luftwaffe respon deu, ironicamente: "Se Graf gosta de jogar futebol, então, deixem-no jogar!!".

Graf não apenas jogava futebol - ele foi um dos mais pro-missores goleiros alemães na sua juventude - mas tam-bém voava e combatia muito bem. Ele foi o último coman-dante da Jagdgeschwader 52 (JG 52), a mais bem sucedi-

da unidade de caças da Luftwaffe, que abateu quase 11.000 aviões inimigos até o fim do conflito. Ele também foi o primeiro piloto no mundo a atingir a marca de 200 vitórias aéreas, tendo sido condecorado com a Cruz de Cavaleiro com Folhas de Carvalho, Espadas e Diamantes em 16 de setembro de 1942. Ao final da guerra, Graf tinha voado em 830 missões e alcançado 212 vitórias confirmadas (além de outras 40 não confirmadas).

Nascido em Egen im Hegau em 12 de Outubro de 1912, Hermann Anton Graf fez seu primeiro vôo de planador aos 12 anos de idade. Em 1936 juntou-se à Wehrmacht, sendo enviado para a escola de pilotos de Karlsruhe. Após completar o curso foi mantido na Reserva e somente em 1939 - após concluir um curso de aspirante à oficial - é que seria readmitido na Luftwaffe.

Em 31 de julho de 1939 Graf juntou-se a um esquadrão de caças em Aibling. Contudo, o início de sua carreira foi desanimador: ele voou 21 missões durante a Campanha da França sem disparar um único tiro. Somente durante a Campanha da Rússia (mais de 18 meses depois) é que Graf derrubaria seu primeiro inimigo, voando pelo 9º Staffel da JG 52 (9./JG 52) - o lendário Karayastaffel. Isto foi em 04 de agosto de 1941, próximo à cidade de Kiev (Ucrânia).

O Karayastaffel (cujo símbolo era um pequeno coração a-tingido por uma flecha) viria a se tornar o mais bem suce-dido Jagdstaffel de toda a guerra, ao mesmo tempo que seus homens tornaram-se igualmente notórios por sua falta de disciplina militar. Além do próprio Graf, o 9./JG 52 era famoso por outros três pilotos: Alfred Grislawski, Ernst

(esq-dir): Alfred Grislawski, Hermann Graf, Heinrich Füllgrabe e Ernst Süss, verão de 1943
Süss e Heinrich Füllgrabe. Dentro deste quarteto, Graf e Grislawski eram os mais próximos, enquanto Füllgrabe e Süss eram inseparáveis.

Günther Rall, Hermann Graf e Adalbert Sommer, 1943.

As peripécias do grupo são notáveis. Uma vez quase enlouqueceram um general que estava fazendo uma visita à base do III./JG 52, enquanto em outra ocasião um deles literalmente seqüestrou o Fieseler Storch do Generaloberst von Richthofen, para levar um colega ferido ao hospital de campo.

Após seu debut, o número de abates de Graf passou a subir rapidamente: ele receberia a Cruz de Cavaleiro em 24 de janeiro de 1942, após derrubar seu 45º adversário e, em 17 de maio do mesmo ano ele se dirigiria ao Quartel General de Hitler para receber as Folhas de Carvalho, após abater seu 105º avião inimigo. Por sua vez, Graf nunca escondeu o fato de que boa parte de seu sucesso se deu ao empenho de outro jovem piloto e que se tornaria um dos mais promissores ases da Luftwaffe: o austríaco Leopold Steinbatz.

Apenas dois dias depois, em 19 de maio de 1942, Graf receberia as Espadas da sua Cruz de Cavaleiro. Mesmo após a morte de seu fiel "Katschmarek", Steinbatz, em 15.06.1942, nada pode impedi-lo de prosseguir acumulando vitória sobre vitória contra os soviéticos.


Por fim, em 16 de setembro de 1942, após atingir sua 172ª vitória, Her-mann Graf se tornou o 5º soldado alemão a ser condecorado com a Cruz de Cavaleiro com Folhas de Carvalho, Espadas e Diamantes. Em 23 de setembro, ele obteve 10 vitórias contra os soviéticos em uma sé- rie combates naquele dia.

Em 26 de setembro de 1942, ele se tornou o primeiro piloto da história a atingir a marca de 200 vitórias confirmadas. Entretanto, no mesmo dia chegava a ordem do Oberkommando der Luftwaffe (OKL) que o proibia de voar em combate. Foi lhe dado um posto burocrático em terra: o comando das Unidades de Caças do Oeste, baseado na França. Contudo, após alguns meses, a situação da Alemanha se agravou desesperadoramente e Graf foi designado para criar o Jagdgruppe 50 (JGr.50), unidade que se destinou, durante o verão de 1943, a encontrar e destruir todo De Havilland Mosquito da RAF que pudesse ser localizado, avião que estava se tornando um tremendo incômodo para a Luftwaffe.

Göring permitiu que Graf escolhesse ao seu bel-prazer os pilotos para integrar este Gruppe. Hermann Graf não apenas escolheu seus velhos amigos Grislawski, Süss e Füllgrabe, mas também toda a Seleção Ale-

mã de Futebol - com os quais formou o acima mencionado time Rotten Jägers (Os Caçadores Vermelhos). A cor escolhida causou certo transtorno, já que um oficial do Ministério da Propaganda acusou Graf de estar fazendo propaganda comunista! Entretanto, devido ao pouco sucesso que teve a iniciativa do JGr.50, o grupo foi logo dispersado.

Graf seria, no outono de 1943, indicado para atuar como Geschwader-kommodore da JG 1 - para onde levou os colegas do Karayastaffel e o seu time de futebol - mas ali permaneceu por curto período pois, pouco depois, ele assumiu o comando da JG 11, unidade que foi criada a partir da JG 1 especificamente para atuar na Defesa do Reich, contra as gigan tescas formações de bombardeiros aliados e sua escolta de caças P-51 Mustang e P-47 Thunderbolt. Localizado em Rotemburg (próximo a Bre men), a JG 11 se revelaria uma das mais bem sucedidos Geschwaders a operar contra os quadrimotores aliados. E, mesmo atuando como seu Kommodore, Graf ainda encontraria tempo para se dedicar ao futebol.

Em certa ocasião Graf se machucou durante uma partida no campo improvisado na base de Wiesbaden, que o deixou mancando. Sem ter tido tempo para se recuperar, ele recebeu relatórios de que uma formação de bombardeiros aliados se aproximava de Schweinfurt e, com muito esforço conseguiu subir em seu Bf 109. No combate acirrado que se seguiu, ele conseguiu danificar seriamente dois quadrimotores, que foram forçados a sair da formação.

Entretanto, o motor de seu avião foi danificado pelo fogo defensivo de um dos aviões e ele foi obrigado a fazer um pouso forçado em uma plantação de tabaco. Retirado do avião com a ajuda dos fazendeiros, Graf saiu mancando - como era de se esperar. Os fazendeiros correram em seu auxílio e perguntaram ao condecorado oficial se estava ferido ao que ouviram incrédulos a resposta sorridente: "Não. Este machucado é de uma partida de futebol!". Enquanto isso, viram o piloto sair saltitando em uma das pernas...

Mas nem tudo era fácil à esta altura da guerra. Em 20 de dezembro de 1943, tombou o primeiro dos membros do Karayastaffel: Ernst Süss, ás de 68 vitórias e detentor da Cruz de Cavaleiro, foi morto por Mustangs da USAAF, enquanto saltava de pára-quedas de seu avião. Ele estava voando sob o comando de Graf na JG 11.

Em 29 de março de 1944, Graf novamente danificou outros dois Boeing B-17´s e, em seguida, engajou-se em um violento dogfight contra os caças de escolta. Enquanto seus homens atacavam selvagemente a formação aliada, Graf foi separado de sua unidade e passou a ser perseguido por quatro caças Mustangs. Envolto por inúmeros projéteis e explosões, Graf pen-

sou que desta vez sua hora chegara. Sua munição estava esgotada e seu combustível era suficiente apenas para retornar à base, mas os seus adversários não o deixavam em paz.

Em um gesto que caracteriza muito bem sua personalidade, Graf voltou-se contra um de seus adversários e avançou a toda velocidade para chocar-se contra ele, partindo-o ao meio. O avião americano despencou em direção ao solo, assim como o avião alemão, que caía em espiral. Ainda mais enervados com a atitude daquele piloto alemão, os demais caças americanos continuaram a perseguí-lo, tentando desfechar o golpe final.
Graf (esq) e Egon Mayer.

Para Graf somente havia uma alternativa: saltar! Seu avião já havia perdido uma grande altitude e seu pára-quedas abriu a apenas 150 metros do solo. Felizmente, o impacto foi relativamente suave e foi amortecido pelo fato de se tratar de uma área pantanosa. Mesmo assim, ele estava gravemente ferido e foi hospitalizado. Somente a habilida de do cirurgião que o atendeu evitou que seu braço esquer do fosse amputado.

Se ainda não bastasse, outro golpe atingiria Graf. Heinrich Füllgrabe foi morto em combate em 30.01.1945, ao ter seu avião atingido pela bateria antiaérea soviética, quando havia retornado à JG 52 e contabilizava 67 vitórias. Dos quatro amigos, somente Grislawski sobreviveria à guerra e escaparia ao cativeiro soviético.

Após sua recuperação, Hermann Graf foi designado para o comando da JG 52. Nesta fase final da guerra, a JG 52 lutaria nos céus da Silésia e Checoslováquia, em suporte às tropas do Generalfeldmarschall Ferdinand Schörner (ganhador dos Diamantes da Cruz de Cavaleiro), sendo que a última vitória (não confirmada) de Graf foi no Domingo de Páscoa de 1945. No dia da rendição, em 08 de maio de 1945, a JG 52 estava sediada em Deutsch-Brod; Graf e o seu Kommandeur Erich Hartmann receberam ordens de entregarem-se aos ingleses em Dortmund.

Mas ambos recusaram, alegando que havia mais de 2000 civis que encontravam-se sob sua proteção e que eles não poderiam abandoná-los aos soviéticos - notórios por sua crueldade. Tendo conhecimento de que havia tropas ameri canas em Pisek, há apenas 100 km de distância, Graf, Hartmann e aqueles sob seus cuidados rumaram para lá - após incendiarem suas aeronaves -, rendendo-se para a 90ª Divisão de Infantaria dos EUA.

Contudo, em 17.05.1945, para desespero de Graf e seus homens, os americanos entregaram toda a JG 52 para os soviéticos. Seu cativeiro duraria 5 anos, tendo sido julgado por vários "crimes de guerra" pelos seus captores. No en-tanto, mesmo eles tiveram que absolvê-lo diante da incon-sistência de suas alegações.


A relativamente rápida liberação de Graf do seu cativeiro (a maioria dos prisioneiros somente foi solta em 1955), fez com que surgissem várias acu-sações de que ele havia colaborado com os soviéticos durante sua prisão. Graf negaria essas acusações por toda sua vida e nenhuma prova cabal de que isso ocorreu jamais surgiu.

Mesmo assim, ele nunca retornaria à nova Luftwaffe nos anos que se se-guiram à guerra e, por muito tempo foi visto com desconfiança por seus antigos companheiros.

Atuando na iniciativa privada e abatido por doenças - decorrentes do trata-mento "especial" dado pelos russos - Graf recusou receber a pensão ofe-recida pelo governo alemão até completar 65 anos. Sua única ajuda viria dos antigos jogadores de futebol que sempre lembraram do ótimo goleiro apaixonado pelo esporte que, outrora, evitou que morressem inutilmente.

Somente em seus últimos anos, alguns dos antigos pilotos buscaram uma reconciliação, mas agora faria pouca diferença. O Oberst Hermann Graf, sem dúvida um dos mais destemidos pilotos da II Guerra Mundial, tendo voado 830 missões e sido vitorioso em 212 combates aéreos, faleceu na antiga Alemanha Ocidental em 04 de novembro de 1988, aos 76 anos de idade.


Bf 109F-4 - Hermann Graf, 9./JG52 - URSS, 1942




Bf 109G-6 (W.Nr.15913) - Maj. Hermann Graf, JGr.50 - Wiesbaden-Erbeinheim/Alemanha, 1943



Fw190A-5 - Maj. Hermann Graf, JGr. Ost - Toulose-Blagnac/França - Setembro, 1943

 

Ficha do Piloto
Unidades:
- Jagdgeschwader 52 - Staffelkapitän 9./JG 52
- Kommodore (1.10.44 - 8.5.45)
- Jagdgruppe 50 - Kommandeur JGr.50 (início 1943 - 10.43)
- Jagdgeschwader 1 "Oesau"- Kommodore (10.43 - 10.11.43)
- Jagdgeschwader 11- Kommodore (11.11.43 - 29.3.44)
Campanhas:
Blitzkrieg
Frente Oriental
Defesa do Reich
Aeronaves:
Messerschmitt Bf 109
Focke-Wulf Fw 190
Promoções:
 
Condecorações:
- 22.08.1941 - Cruz de Ferro de 2ª classe
- 10.10.1941 - Cruz de Ferro de 1ª classe
- 15.12.1941 - Troféu de Honra
- 24.01.1942 - Cruz de Cavaleiro da Cruz de Ferro...................................(398º)
- ??.04.1942 - Cruz Germânica em ouro
- 17.05.1942 - Folhas de Carvalho da Cruz de Cavaleiro ...........................(93º)
- 19.05.1942 - Espadas da Cruz de Cavaleiro ..........................................(11º)
- 16.09.1942 - Diamantes da Cruz de Cavaleiro .........................................(5º)
Na Espanha
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Na Espanha
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