Wilhelm Batz
(1916 - 1988)

Major
JG52
445 missões de combate, 237 vitórias (2 quadrimotores)
Prisioneiro de Guerra

Quando falamos dos grandes ases alemães da II Guerra Mundial, os nomes que nos vêm à mente são a-queles que os historiadores já trataram de consagrar, como Adolf Galland, Erich Hartmann, Werner Mölders, Hans-Joachim Marseille e Walter Nowotny. Entretanto, poucas vezes cita-se a pessoa do Major Wilhelm "Willi" Batz, ganhador das Espadas da Cruz de Cavaleiro e detentor da impressionante marca de 237 vitórias aéreas, o que lhe assegura a posição de 6º maior ás de todos os tempos.

Isso se torna algo difícil de se entender quando vislumbramos que a sua carreira foi muito peculiar se compa-rada a de outros ases de sua época. Afinal de contas, de seu total de vitórias, 222 inimigos foram abatidos no curtíssimo espaço de tempo compreendido entre março de 1944 e maio de 1945, o que, por si só, já é uma amostra irrefutável das habilidades deste piloto quando em combate.

Wilhelm Batz nasceu em Bamberg, Alemanha em 21 de junho de 1916. Ele, assim, como tantos outros de seu tempo, cresceu duran te uma época em que, devido às restrições impostas pelo Tratado de Versalhes, a forma de vôo mais difundida era o planado. Foi assim que tanto Batz, como milha res de outros jovens alemães das décadas de 20 e 30, ganharam o gosto pela aviação, tendo em mente a imagem dos combates heróicos da I Guerra Mundial.

Nada mais natural que o jovem de 19 anos, após concluir o ensino médio, tenha optado por se juntar à recém-nascida Luftwaffe, onde ingressou em 1º de novembro de 1935. Embora tenha se graduado na escola de vôo com facilidade, Batz não combateu na Legião Condor, durante a Guerra Civil Espanhola. Esse seria o principal fator que o diferenciaria dos demais ases, posto que Batz levaria muito mais tem po para entrar em combate do que os demais ases da sua geração. Isto porque, durante seu próprio treinamen to, descobriu-se que Batz tinha a habilidade natural de ser um espetacular instrutor - algo que a Luftwaffe necessitava urgentemente.

Batz (dir.) e Friedrich Obleser.

Promovido a Leutnant em 01 de novembro de 1940, Batz serviria como instrutor de vôo durante os três primei-ros anos da guerra, sendo que seus constantes pedidos para ser transferido para uma unidade de combate fo ram ignorados. Para ele não poderia haver nada mais frustrante: com mais de 5.000 horas Batz não se envol-veria nos anos de ouro da Blitzkrieg, na Batalha da Inglaterra e muito menos no início da invasão da União So viética. Embora, para ele, voar fosse tão natural quanto caminhar, sua oportunidade surgiria apenas no final de 1942, quando a necessidade de oficiais na Luftwaffe tornou-se imperiosa.

Batz (dir.) e Dietrich Hraback (esq)

Deste modo foi tão-somente em dezembro de 1942 que Batz foi transferido para uma unidade de combate no Front russo, tendo se juntado à famosa Jagdgeschwader 52 (JG 52). Assim, embora sua primeira tarefa não tenha sido muito glamorosa, seria de extrema importância para sua formação como piloto de combate, ao ser designado Adjutant do então Gruppenkommandeur do II./JG 52, Jo-hannes Steinhoff.

Entretanto, a despeito de ser um piloto fabuloso, Batz simplesmente não conseguia abater nenhum inimigo! "Eu fiz centenas de milhares de buracos no ar enquanto apontava em aeronaves inimigas", disse em tom de brin-cadeira, alguns anos depois. A situação começou a dei-xá-lo preocupado, pois somente depois de quase quatro

meses em um dos fronts mais ativos da guerra, com inúmeros alvos e voando várias missões, é que Batz conseguiria abater sua primeira vítima em 11.03.1943. Ele até mesmo requisitou uma transferência para uma unidade de bombardeiros, o que foi negado.

Quando Batz foi nomeado Staffelkapitän do 5./JG 52 (5º Staffel da JG 52), ele era o único oficial nessa posi- ção em toda a frente oriental que não era um "ás". Mas isso não parecia preocupá-lo: "...eu ganhei essa pro moção não porque eu era um bom piloto de caça, mas porque eu era o mais velho. Eu tinha 27 anos de idade - muito velho para ser um piloto de caça. A maioria deles tinha por volta de 21 anos, e eu era um ´velho' perto deles. Eu era um bom ajudante mas um caçador ruim, e meu comandante me disse isso. E eu concordei com ele."

E o pior é que sua situação não parecia melhorar. Em junho de 1943 ele der rubaria seu oitavo oponente e, no fim daquele ano Batz somava 75 vitórias confirmadas, a despeito de ter sido condecorado com o Troféu de Honra (Ehrenpokal) em 14 de novembro de 1943. Mesmo esta condecoração não melhorou sua moral.

Então, em fevereiro de 1944, Batz adoeceu e ficou impedido de voar por alguns dias. Nesse período, ele pôde assistir vários combates aéreos do so lo, com a devida calma, estudando as manobras dos pilotos - esta experiên cia renovou completamente sua perspectiva. Ao retornar ao combate, ele acreditava que nada mais poderia dar errado e não apenas se tornou extre-mamente bem sucedido, mas sim, excepcionalmente eficaz.

O ano de 1944 foi um ano terrível para a Luftwaffe. A escassez de aviões era gritante, tendo em vista que muitas unidades foram transferidas para a Defe-sa do Reich contra os bombardeiros anglo-americanos que estavam minan- do a capacidade industrial da Alemanha. Na Rússia, as forças alemãs trava-

vam uma luta violenta enquanto recuavam em direção ao Oeste, enfrentando um inimigo que apresentava uma superioridade de não raro 12 para 1.

Batz recebe as Folhas de Carvalho.

Nesse mesmo período, o já Oberleutnant Batz colecionaria duas ou três vitórias por dia, sendo condecorado com a Cruz de Cavaleiro da Cruz de Ferro em 26 de março de 1944, quando superou a marca de 100 vitórias confirmadas. Continuando sua escalada meteórica, Batz derrubaria 15 aviões inimigos em 31 de maio de 1944, ao longo das sete missões separadas de vôo naquele dia.

Em maio de 1944, com a transferência de Günther Rall para a Frente Ocidental, ele seria designado para servir como Gruppenkommandeur do III./JG 52 (Gruppe III da JG 52). Na companhia de nomes como Erich Hartmann (352 vitórias), Fritz Obleser (120 vitórias) e Walter Wolfrum (137 vitórias), a competição era ainda mais acirrada. Pouco depois, em 20 de julho de 1944, o agora Hauptmann Wilhelm Batz se tornaria o 526º soldado da Wehrmacht a receber as Folhas de Carvalho da Cruz de Cavaleiro das mãos de Hitler, quando contava com 188 vitórias.

Curioso observar que, assim como vários outros pilotos alemães que lu taram na frente russa, o que mais apavorava Batz não era a morte no combate aéreo, mas sim a possibilidade de ser feito prisioneiro pelos

soviéticos, caso tivesse que fazer um pouso forçado atrás das linhas inimigas. E isso era uma preocupação constante na vida destes homens, como o próprio Batz relembrou:

"Junto com Gerd Barkhorn, eu fui enviado em uma missão de reconhecimento atrás das linhas soviéticas. Nós estávamos procurando por bases russas atrás do front. A distância das bases era de 200-250 km. Nós estávamos na distância máxima, cerca de 250 km, e voando a 6.000 metros quando meu motor apagou! To-do o horror de ser capturado e aprisionado pelos soviéticos inundou minha mente. Meus sentimentos eram de terror, enquanto minha aeronave descia em vôo planado.

Quando eu estava a 2.000 metros de altitude eu o-lhei para baixo dentro do cockpit e vi que minha bomba de gasolina estava desligada. Eu acionei o interruptor. Depois de cinco segundos, o motor co-meçou a funcionar e, para mim, era como se fosse a própria vida. Nunca mais senti tamanho sentimento de alívio."

Em janeiro de 1945, o Major Batz foi indicado para atuar como Kommandeur do II./JG 52, então estacio-nado na Hungria, enfrentando seus inimigos soviéti-cos e combatendo algumas vezes os aliados ociden tais, o que o levaria a obter suas quatro únicas vitó- rias contra pilotos anglo-americanos por essa época Já próximo do fim, em 21 de abril de 1945, Wilhelm

Oblt. Wilhelm Batz (dir.)  conversa com o Hptm. Gerd Barkhorn em frente ao seu Bf 109G, outono de 1943.
Batz torna-se o 145º soldado a receber as Espadas da Cruz de Cavaleiro da Cruz de Ferro, quando somava mais de 230 vitórias confirmadas.

A transferência para o território húngaro foi providencial. No final da guerra, em 08 de maio de 1945, Batz lide raria seu Gruppe numa fuga através da Áustria para entregar-se às forças americanas e escapar do Exército Vermelho. Com esta manobra, o Major Batz, ao contrário de seus colegas dos dois outros Gruppen e do Stab da JG 52 - incluindo Erich Hartmann e Herman Graf -, conseguiu escapar dos soviéticos, sendo solto pelos norte-americanos em 1947. Batz retornaria ao serviço militar em 1956, quando foi convidado a ingressar na recém criada Bundesluftwaffe, onde permaneceu até dar baixa como Oberst, em 30 de setembro de 1972.

Em sua relativamente curta carreira como piloto de combate, Batz voou cerca de 440 missões, abateu 237 adversários (todos, à exceção de quatro, na frente oriental) e foi ferido em três ocasiões. Consagrado como o sexto maior ás da Luftwaffe e de todos os tempos, Wilhelm Batz faleceu de causas naturais, aos 72 anos de idade, em 11 de setembro de 1988, na localidade de Mauschendorf-Unterfranken, então Alemanha Ocidental.



Bf 109K-4 - Maj. Wilhelm Batz, Kommandeur II./JG 52 - Neubiberg/Alemanha - Maio, 1945



Ficha do Piloto
Unidades:
- Jagdgeschwader 52 - Adjutant II./JG 52
- Staffelkapitän 5./JG 52
- Kommandeur III./JG 52 (19.4.44 - 31.1.45)
- Kommandeur II./JG 52 (1.2.45 - 8.5.45)
Aeronaves:
Messerschmitt Bf 109
Campanhas:
Frente Oriental
Promoções:
 
Condecorações:
- 24.04.1943 - Cruz de Ferro de 2ª classe
- 03.07.1943 - Cruz de Ferro de 1ª classe
- 14.11.1943 - Troféu de Honra
- 28.01.1944 - Cruz Germânica em Ouro ............................................(10/302)
- 26.03.1944 - Cruz de Cavaleiro da Cruz de Ferro.................................(1070º)
- 20.07.1944 - Folhas de Carvalho da Cruz de Cavaleiro ..........................(526º)
- 21.04.1945 - Espadas da Cruz de Cavaleiro .........................................(145º)

 

Esta página contou com a colaboração do Sr. Donald Pearson dos E.U.A



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