Messerschmitt Me 321
"Gigant"

Me 321A

Após o sucesso da Blitzkrieg contra a Bélgica, Holanda, Dinamarca, Noruega e França, na primavera de 1940, o Alto Comando alemão começou a esboçar a Operação Leão-Marinho (Seeloewe): o plano de uma eventual invasão da Inglaterra, então o único inimigo que restara na Europa.

Me 321B

Durante os preparativos, tornou-se obvio para a divisão de transportes da Luftwaffe que havia necessidade de um avião que fosse capaz de transportar uma quantidade maior de tropas e equipamentos do que o Junkers Ju52, que era o principal avião usado nesse papel.

Quando os planos para a Operação Leão-Marinho foram suspensos em dezembro de 1940 e a atenção de Hitler voltou-se para a premente invasão da URSS, decidiu-se que a solução mais eficiente seria a utiliza ção de planadores para o transporte de tropas.


Assim, o Departamento Técnico da Luftwaffe formalizou um pedido de desenvolvimento de um Grossraum-lastensegler (planador de transporte de grande capacidade) para os fabricantes Messerschmitt e Junkers.

As especificações técnicas estabeleciam que o pla-nador deveria ser capaz de carregar um canhão 88mm e seu respectivo reboque ou um tanque médio (Panzer III ou Panzer IV).

O projeto foi batizado de Projekt Warschau (Projeto Varsóvia), sendo que a Junkers recebeu a denomina ção Warschau-Ost e a Messerschmitt Warschau-Sud.

Contudo, a proposta da Junkers, chamada Ju 322 Mammut não foi bem sucedida, principalmente porque a empresa optou pelo conceito de um projeto calcado completamente em componentes de madeira.

Interior de um Me321 carregado com um Panzer IV.

Desse modo, o projeto da Messerschmitt, denominado inicialmente Me261 e alterado para Me263 logo em seguida, acabou ganhando a concorrência e assegurando o contrato com a Luftwaffe.

 

Desenho

O Me263 tinha um chassi de tubos de aço desenvolvido pela empresa Mannesmann, com juntas de madeira e revestimento de tecido. Isso permitia uma construção rápida e manutenção fácil quando necessário, além de economizar em peso. Em algum momento logo após sua aprovação pela Luftwaffe, o projeto foi renomeado Me321 Gigant em razão de seu tamanho descomunal.

Seu nariz tinha uma altura de seis metros e se abria em forma de duas portas em formato de concha.

As portas podiam ser abertas apenas por dentro da aeronave; rampas eram usadas para permitir que veículos entrassem ou saíssem da aeronave.

Comparado ao Junkers Ju52, o Me321 oferecia um compartimento de carga seis vezes maior, com uma área de 100m2 (cem metros quadrados) podendo aco-modar uma carga de peso bruto de até 23 toneladas.


O espaço interno foi desenhado para comportar a carga de um vagão de ferrovia padrão, o que permitia que qualquer carga que fosse transportável por via férrea pudesse ser carregada pelo Me321.

Alternativamente, se usado para o transporte de tro-pas, 120 a 130 soldados completamente equipados poderiam ser levados em seu interior.

O Me321 era equipado com um trem de pouso ejetá vel (usado somente nas decolagens), composto de duas bequilhas de Bf109 na frente e duas rodas do Junkers Ju90 atrás. Para o pouso seriam utilizados esquis retráteis.


Cabine de um Me321B

O primeiro vôo do protótipo Me321V1 teve lugar em 25.02.1941, rebocado por um Junkers Ju90 e carregan do um lastro de três toneladas.

Em seus comandos estava o piloto de testes da com-panhia, Karl Baur.

Após o teste, Baur relatou que os controles eram muito pesados e a resposta aos mesmos era muito lenta e, como resultado de suas observações, deci-diu-se que a cabine de comando seria aumentada, para permitir a acomodação de um co-piloto e rádio operador, além da inclusão de controles duplicados.

Motores servoelétricos foram introduzidos para ajudar a movimentar os gigantescos flaps e testes adicionais levaram a introdução de um pára-quedas de frenagem a ser utilizado no pouso.

Em todos os vôos de teste ocorreram decolagens problemáticas, pois o Ju90 não era potente o suficien-te e, como medida paliativa, três caças bimotores pesados Messerschmitt Bf110 passaram a ser utiliza-dos no reboque em um perigoso procedimento chama do Troikaschlepp.

Compreendendo o perigo desta manobra, Ernst Udet solicitou a Ernst Heinkel que desenvolvesse um rebocador mais apropriado. A resposta a essa deman da foi o Heinkel He111Z Zwilling (Gêmeos), que com-binava duas fuselagens de bombardeiros He111 uni-dos pelas asas e com um quinto motor adicionado. Decolagens auxiliadas por foguetes também foram empregadas em campos de decolagens mais pre-cários.

Um Me321 sendo rebocado por um Ju90

 

Em Serviço

Os primeiros Me321A-1 entraram em serviço em maio de 1941 com a unidade especialmente criada chamada Grossraumlastensegler 321, sediada em Leipheim; onde os aviões eram inicialmente rebocados pelo Junkers Ju90 e, mais tarde, pelo He 111Z ou pelo arranjo de três caças Bf110.  A versão aperfeiçoada Me 321B-1 tinha uma tripulação de três pessoas e era armada com quatro metralhadoras MG 15 de calibre 7,92mm.

Me321 com foguetes auxiliares. Na frente oriental o Me321 não foi muito bem sucedi-do, por várias razões: (a) como um planador, o Me321 não conseguia fazer uma segunda ou terceira tentati-va de pouso em uma pista lotada de aviões, caso isso fosse necessário; (b) era impossível de ser movido no solo sem o auxílio de veículos especializados e (c) antes da introdução do  He 111 Zwilling o arranjo de três Bf110 rebocadores tinha um alcance máximo de apenas 400km (apenas ida, necessitando reabasteci-mento no local de chegada), o que era insuficiente na vastidão da frente oriental.

Na primavera de 1942 os Me321 remanescentes foram retirados do teatro de operações na Rússia, como parte dos preparativos da Operação Herkules, a invasão de Malta, na qual uma frota de planadores rebocados pelos He 111Z seria usada. O plano foi abandonado pela falta de reboques disponíveis, entre outros fatores.

Em dezembro de 1942 os Me321 retornaram à Rússia para serem usados na missão de suprir as tropas do 6º Exército do Generalfeldmarschall Friedrich Paulus sitiadas em Stalingrado. No entanto, quando chegaram à linha de frente, não havia pistas de pouso disponíveis para operarem e eles foram enviados de volta à Alemanha.

Após o cancelamento da operação em Stalingrado, os planadores Me321 foram desmantelados ou desativados, embora alguns tenham sido convertidos na versão motorizada, o Me323. Uma derradeira missão na qual os Me321 teriam sido necessários para desembarcar tropas na Sicília também foi abandonada novamente pela falta de locais de pouso apropriados.

Por fim, apenas cerca de 150 planadores Me321 foram produzidos, sendo que nenhum exemplar sobreviveu à guerra.

Histórico
Séries:
A, B
Categoria(s):
Planador de transporte pesado
Tripulantes:
1 (A) e 2 (B)
Primeiro Vôo:
25 de fevereiro de 1941
Primeira entrega:
1941
Última entrega:
Abril de 1942
Ficha Técnica - Me 321A
Motor:
 
Potência:
 
Dimensões:
Envergadura:...................................... 55,00 m
Comprimento:..................................... 28,15 m
Altura:................................................. 10,15 m
Pesos:
Vazio:.................................................. 12.000 kg
Máximo:.............................................. 35.000 kg
Desempenho:
Vel. cruzeiro:...................................... 160 km/h
Vel. máxima:...................................... 230 km/h
Vel. ascensão:.................................... 2,5 m/s (rebocado por três Bf110)
Autonomia:.........................................  
Teto serviço:.......................................  
Armamento(s):
4 metralhadoras MG15 de 7.92 mm
Obs:
Um dos maiores aviões produzidos durante a guerra, o Me 321 podia transportar mais de 22 t de carga ou uma Companhia de Infantaria inteira.
 










Principais Aviões
Condecorações