Junkers Ju 87
"Stuka"

Ju 87D-3/trop. (W. Nr. 2883)

Soldados e civis que participaram e presenciaram a invasão alemã na Europa, principalmente durante os primeiros meses da Blitzkrieg, descreviam que, durante aos bombardeiros em suas cidades, um certo avião mergulhava, em ângulos quase retos (90º), sobre os prédios despejando bombas e terror. Essa verdadeira hecatombe era acompanhada com o estrondo agudo de uma sirene. Indubitavelmente, a impressão que essas pessoas tinham é que o próprio demônio estava mergulhando dos céus. Mas não era nada de sobrenatural, e sim o famoso STUKA.

O Stuka não foi só uma simples arma de guerra, cujo propósito era destruir seu alvo, mas também uma ferramenta bélica com o objetivo psicológico de aterrorizar um adversário desacostumado ao novo conceito de guerra relâmpago.

Sem dúvida, durante os primeiros anos da Blitzkrieg - e mesmo antes, durante a Guerra Civil Espanhola - o Stuka desempenhou um papel vital para as vitórias alemãs na Polônia, Países Baixos, França e no início da Operação Barbarossa. Tal desempenho, não apenas consolidou o sucesso desta aeronave, como também infligiu uma notável seqüência de derrotas aos aliados (não contamos a Inglaterra), a ponto de transforma-la em lenda.



O Nascimento do Stuka

O início da década de 30 foi um período de grande conturbação política e econômica no mundo, principalmente na Alemanha. Nesses anos, o país germânico era sufocado pela repressão econômica e pelas imposições do Tratado de Versalhes que, entre outras coisas, impossibilitava a criação de um exército acima de 100 mil homens e de uma Força Aérea.

Em 1931 Ernst Udet (1896-1941), o segundo maior ás alemão da Primeira Guerra - com 62 vitórias -, participava de uma corrida de aviões em Cleveland (EUA) e presenciou a demonstração de um novo caça-bombardeiro americano, o Curtiss Hawk. Udet logo se impressionou com a excelente performance do aparelho e dois anos mais tarde, ele - com o apoio de seu amigo, o Ministro do Reich Hermann Göring - importou dois aviões deste modelo para a Alemanha. Göring, à esta altura (1933), já idealizava secretamente uma nova força aérea e imediatamente iniciou os testes com o Curtiss. Durante esses vôos, o Curtiss era capaz de mergulhar em ângulos quase retos, soltando sacos de areia exatamente no centro de um pequeno espaço demarcado.

Após a consolidação dos nazistas no poder, Göring iniciou a concreti-zação de seu sonho e imediatamente providenciou o desenvolvimento de um projeto semelhante ao norte-americano, sendo que tal trabalho foi designado para a fábrica de aviões Junkers. Durante o desenvolvimento do avião, surgiu um novo conceito de bombardeiro, o de picada, que partia do pressuposto que tal método de ataque faria com que os aviões bombardeassem com maior precisão, sem a dispersão de bombas (o que ocorria no bombardeiro horizontal) e as maiores chances de acertos nos
Ernst Udet
ataques a alvos menores (como blindados e concentrações de tropas). Da abreviação de seu nome germânico, surgiria seu lendário nome: Sturzkampfflugzeug.

Finalmente, em abril de 1935, o engenheiro Pohlmann e toda a equipe técnica da Junkers, já apresentava o primeiro protótipo do Ju 87, denominado V-1. O modelo era um tanto bizarro, possuía linhas pouco ortodoxas: asas de duplo diedro, um trem de aterrissagem fixo robusto e com carenagem integral até a parte inferior das asas. Posteriormente, o Ju 87 deixaria de ter a cobertura do trem de pouso integral.

No mesmo ano, a Alemanha divulgava a existência de uma Força Aérea completamente independente: a Luftwaffe. Ao mesmo tempo, dava continuidade ao desenvolvimento do Stuka. Em 1936, a versão A-1 (com um motor de 640 hp), ainda muito semelhante ao protótipo, deixava as linhas de montagens para equipar as primeiras unidades operacionais: as denominadss Stukageschwaders.



O Apogeu da Lenda

Em 1937, a Guerra Civil Espanhola dividia a Espanha em duas correntes opostas: os republicanos socialistas (apoiados por brigadas de voluntários estrangeiros e pela URSS) e os nacionalistas fascistas do Generalíssimo Francisco Franco. O conflito deu a oportunidade da Alemanha enviar - por meio da Legião Condor - cerca de 200 aviões, inclusive os novos Ju 87A-1 da StG163. Os Stukas participaram de diversas operações contra as forças esquerdistas, lançando bombas contra formações de tropas e prédios em ataques rasantes ao solo. Neste mesmo ano estiveram envolvidos no triste episódio do bombardeio à cidade de Guernica, imortalizado por Picasso em seu quadro de mesmo nome.

Dois anos depois, as forças republicanas se renderam, graças em grande parte aos Stukas. Em relação às perdas sofridas, que foram relativamente baixas, a maioria delas ocorreu devido às velocidades alucinantes que os Stukas desenvolviam durante o mergulho, quando muitos pilotos perdiam a consciência, o que resultou em vários acidentes fatais.

Mas essas falhas seriam corrigidas pelos instrutores de vôo durante os treinamentos e na nova versão que entrava em serviço: a B-1. Nessa versão, o Ju 87 trocou a carenagem total do trem de aterrissagem, por uma parcial, sem contar que novas modificações mecâni-
cas estéticas foram incluídas, entre essas a nova cabina, sem a coluna de metal que repartia a versão A e o novo motor de 1100 hp.

Essa nova variante, entrou em combate na Campanha da Polônia, a partir de 1º de setembro de 1939, onde foi utilizada maciçamente, obtendo diversas vitórias contra alvos terrestres e marítimos. Aliás, um Stuka do I/StG1, pilotado pelo Unteroffizier Frank Neubert foi creditado como tendo obtido a primeira vitória aérea da II Guerra Mundial, ao abater um caça polonês P-11 na manhã de 01.09.1939. Passados 27 dias do início das hostilidades - tempo que levou a derrota das forças polonesas - , a fama do Stuka já se espalhara por toda Europa.

O Stuka repetiu o mesmo desempenho nas campanhas da Dinamarca, Países Baixos, Bélgica e França.

Equipados com uma sirene que emitia um uivo tenebroso quando estavam em mergulho - segundo a lenda, uma idéia do próprio Hitler - formações de Stukas despejavam bombas e mais bombas sobre concentrações de tropas, ferrovias, pontes, cidades e armazéns, semeando o caos nas defesas adversárias.

O fato que justifica seu estrondoso desempe-nho é, em grande parte, a situação que as forças aéreas dos países atacados se encon-
travam, onde a maioria delas era equipada com aviões obsoletos datados do início dos anos 30. Mas a saga do Ju 87 encontraria seu oponente no verão de 1940.



Derrotas e Vitórias

Com a derrota da França e o início dos bombardeios à costa inglesa - numa tentativa de destruir a RAF -, resultou em deslocamento de mais de 200 Stukas para servir nesse front. Contudo, para infelicidade de Göring, a RAF provou ser um inimigo tenaz e desafiador.
Os Ju 87, com baixa velocidade de cruzeiro, eram facilmente abatidos pelos velozes e mo-dernos caças Supermarine Spitfires e Hawker Hurricanes britânicos. Não só o Stuka, mas outros aviões alemães como o Messerschmitt Bf 110, demonstraram uma assustadora inca-pacidade em vencer as defesas inglesas, mostrando-se muito vulneráveis a nova geração de caças.

Com o grande número de Junkers Ju 87 sendo perdidos, os alemães logo os tiraram daquela Campanha, em 14 de novembro de 1940. As esquadrilhas remanescentes, foram reestrutu-radas e reconstruídas, a fim de serem empre-gadas na Campanha dos Balcãs, em 1941.

Longe dos algozes britânicos, os Stukas, exibiriam um trabalho satisfatório durante o ano de 1941. Na invasão de Creta, a Operação Merkur, os Ju 87 afundaram o encouraçado grego Kilkis de 16.500 toneladas e, nos dias 22 e 23 de maio, durante combates memoráveis, os Stukas da StG 2 afundaram os destróieres britânicos HMS Greyhound, HMS Kelly e HMS Kashmir, além de danificar os cruzadores HMS Gloucester e HMS Fiji. Muitas outras embarcações gregas e inglesas também sucumbiram nestes dias, entre eles o porta-aviões HMS Illustrious, que escapou miraculosamente e permaneceu quase um ano em reparos. Novos golpes continuaram no teatro do Mediterrâneo e Norte da África, ainda mais com a adoção da nova versão do Stuka: o modelo D-1, com novo motor de 1400 hp e maior cadência de tiros nas metralhadoras de defesa.



A Operação Barbarrossa

Os Stukas fizeram um bom trabalho no primeiro ano da Invasão da União Soviética, iniciada em junho de 1941, recuperando parte de sua aura mitológica. Mas, com a chegada de novas aeronaves russas, como os Il-2, Yaks e Migs, os Stukas, mais uma vez, tornaram-se vulneráveis.

Com as constantes derrotas diante dos ingleses e russos entre 1942 e 1943, o Ju 87 revelou-se um aparelho velho e lento, sendo presa fácil para aviadores inimigos. Nessa época já se pensava em um substituto para os Stukas, e o Henschel Hs 129 e o Focke-Wulf Fw 190F tomaram parcialmente seu lugar.

Na Rússia, adotou-se uma alternativa interessante para os Ju 87 Stukas: eles foram armados com dois canhões sub-alares de 37mm, do tipo FLAK 18. Cada um levava 12 granadas com poder de penetrar a blindagem dos temidos tanques T-34. Tal versão, denominada G-2 Panzerjäeger ou Kanonenwagen mostrou-se extremamente bem sucedida e ocasionou várias derrotas aos soviéticos. Também se prestaria a consagrar o mais bem sucedido piloto da Luftwaffe, o legendario Oberst Hans-Ulrich Rudel que, no comando desta variante, destruiu 519 tanques e inúmeros outros veículos. Quando utilizados em missões curtas, noturnas, operando em aerodromos improvisados ou ainda, onde a Luftwaffe tivesse conseguido a superioridade aérea, os Stukas ainda podiam ser considerados uma máquina de guerra formidavel.



O Fim

Durante a fase final da guerra, no período que chamamos de Defesa do Reich, a quantidade de bombardeiros diminuíram vertiginosamente, e os poucos Stukas sobreviventes eram utilizados em ataques quase suicidas às forças aliadas que avançavam.

Quando da assinatura do armistício, em 08 de maio de 1945, poucas centenas de aparelhos Junkers Ju 87 Stuka restavam em condições de vôo. A maioria desses aviões foi destruída durante o plano de reconstrução da Alemanha.

Atualmente, dos 5.709 Ju 87 fabricados ao longo de quase dez anos, apenas dois encontram-se preservados, um Ju 87G-2 "RI+JK" do RAF Museum em Hendon/Inglaterra e um Ju 87B-2/Trop "A5+HL" do Museum of Science and Industry em Chicago/EUA e menos de 10 estão em fase de restauração ou esquecidos em han-gares. Além da Luftwaffe, a Romênia, a Itália, a Hungria e a Bulgária utilizaram versões do Stuka.

Histórico
Séries:
A,B,C,D,G,H,R
Categoria(s):
Bombardeiro de mergulho (picado) e ataque ao solo biposto.
Tripulantes:
 
Primeiro Vôo:
1936
(B): Agosto de 1938
(D): 1940
Primeira entrega:
(A): Final de 1936
Última entrega:
(B): 1941
(D): 1944
Ficha Técnica - Ju 87A
Motor:
Jumo 210Ca
Potência:
640 hp
Dimensões:
Envergadura:......................................13,80 m
Comprimento:.....................................10,78 m
Altura:.................................................03,89 m
Pesos:
Vazio:..................................................2.300 kg
Máximo:.............................................3.400 kg
Desempenho:
Vel. cruzeiro:...................................... 
Vel. máxima:......................................295 Km/h (carregado)
Vel. mergulho:....................................450 Km/h
Autonomia:.........................................1.000 Km - aproximadamente 2.5 horas
Teto serviço:......................................7.000 m
Rádio:
FuG VII com canais para R/T
Armamento(s):
1 X 7.92 mm fixa na asa / 1 X 7.92 mm frontal
1 X 250 Kg - mais tarde modificado para receber 1 X 500kg
Ficha Técnica - Ju 87B
Motor:
(B-1) Jumo 211 A, V-12 invertido de 1.100 hp
(B-2) Jumo 211Da, V-12 invertido de 1.200 hp
Potência:
 
Dimensões:
Envergadura:......................................13,80 m
Comprimento:..................................... 11,10 m
Altura:.................................................03,90 m
Pesos:
Vazio:..................................................2750 kg
Máximo:.............................................4250 kg
Desempenho:
Vel. cruzeiro:...................................... 
Vel. máxima:......................................390 km/h
Vel. mergulho:....................................650 km/h
Autonomia:......................................... 700 Km - aproximadamente 2 horas
Teto serviço:......................................8.000 m
Rádio:
FuGVII ou VIIa / Intercomunicador EiV
Armamento(s):
2 x MG17 de 7.92 mm fixas nas asas e 1 x MG17 no cockpit traseiro
1 x 500 Kg (no ventre) ou 1 x 250 Kg (no ventre) e 4 x 50 Kg (nas asas)
Ficha Técnica - Ju 87C-1 (Versão Naval)
Motor:
Jumo 211 Da
Potência:
1.100 hp
Dimensões:
Envergadura:......................................13,80 m
Comprimento:..................................... 11,10 m
Altura:.................................................04,00 m
Pesos:
Vazio:..................................................3.650 Kg
Máximo:.............................................5.340 Kg (com tanques auxiliares)
Desempenho:
Vel. cruzeiro:...................................... 
Vel. máxima:......................................344 Km/h
Vel. mergulho:.................................... 
Autonomia:......................................... 1.100 Km
Teto serviço:......................................7.000 m
Rádio:
FuGVII ou VIIa / Intercomunicador EiV
Armamento(s):
2 x 7.92 mm fixas nas asas e 1 x 7.92 mm no cockpit traseiro
1 x 500Kg (no ventre) ou 1x 250 Kg (no ventre) e 4 x 50Kg (nas asas)
Obs:
Desenvolvidos para operarem a partir do porta-aviões alemão "Graf Zeppelin". Com o abandono deste projeto pela Marinha germânica, os poucos modelos fabricados foram convertidos para a série B e empregados em operações terrestres.
Ficha Técnica - Ju 87D-1
Motor:
Jumo 211J, V12
Potência:
1300 hp
Dimensões:
Envergadura:...................................... (D-1): 13,80 m
(D-5): 15,25 m
Comprimento:..................................... 11,10 m
Altura:.................................................03,90 m
Pesos:
Vazio:..................................................2.800 Kg
Máximo:.............................................5.750 Kg
Desempenho:
Vel. cruzeiro:...................................... 
Vel. máxima:......................................410 Km/h
Vel. mergulho:....................................650 km/h
Autonomia:......................................... 1.000 Km
Teto serviço:......................................7.300 m
Rádio:
FuG 16 - intra-comunicador Peil G-IV
Armamento(s):
2 x MG17 de 7.92 mm fixas nas asas e 1 x MG17 no cockpit traseiro (dupla)
1 x 500 Kg ou 1 x 250 Kg (no ventre) e 4 x 50Kg ou 2 x 100Kg (nas asas)
Ficha Técnica - Ju 87D-8
Motor:
Jumo 211P
Potência:
1500 hp
Dimensões:
Envergadura:...................................... 15,00 m
Comprimento:..................................... 11,13 m
Altura:.................................................03,88 m
Pesos:
Vazio:.................................................. 3.938 Kg
Máximo:............................................. 6.607 Kg
Desempenho:
Vel. cruzeiro:...................................... 
Vel. máxima:......................................400 Km/h
Vel. mergulho:....................................650 km/h
Autonomia:......................................... 1.585 Km
Teto serviço:......................................7.500 m
Rádio:
FuG 16 - intra-comunicador Peil G-IV
Armamento(s):
2 X 20 mm fixas nas asas / 1 X 7.92 mm no cockpit traseiro (dupla)
Dois conteineres com 92 bombas anti-pessoais de 2Kg SD-2
Ficha Técnica - Ju 87G
Obs:
Este era o destruidor de tanques desenvolvido a partir da série D, mantendo as características desse modelo, exceto pela colocação de gôndolas para instalação de dois canhões Flak 18 de 37 mm. Manteve o armamento defensivo padrão; quase sempre possuía um painel de vidro no piso do cockpit, para permitir observação de forças terrestres.

 

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