Heinkel He 111
"Doppel-Blitz"


CASA 2.111 (Nº serie T8-B-124) 9K+GS, Confederate Air Force, California/EUA, 1994


Muitos estudiosos sobre o maior conflito da história, a Segunda Guerra Mundial, atribuem a derrota ale-mã a diversos fatores: a guerra em duas frentes, a inferioridade numérica, a não utilização da penicilina e, a que vem nos interessar, a ausência total de um bombardeiro pesado.

O único aparelho que supriu parcialmente esta lacuna nas operações de vulto da Luftwaffe, foi o bombardeiro médio Heinkel He 111. O Heinkel, serviu em todas as frentes de combate, desde das estepes da URSS até as areias do Mar Mediterrâneo, passando pelo seu desastroso serviço na Batalha da Inglaterra e terminando a guerra como transporte de suprimentos até o armistício de maio de 1945.



Do Nascimento ao Primeiro Combate

Em 1934 o governo alemão começava a infringir as imposições do Tratado de Versailles e reconstruir uma nova força aérea de grandes dimensões. Para ocultar os projetos de rearmamento, o Alto Comando procurou disfarçar a construção de aparelhos, afirmando que era direcionada às linhas comerciais como a Lufthansa.

O Heinkel He 111 nasceu nesta atmosfera, quando os irmãos Siegfried e Walter Günther da equipe de engenheiros da Heinkel assinaram o projeto que ampliava o modelo He 70 Blitz da Lufthansa, dando-lhe dois propulsores, asas e caudas elípticas. O primeiro protótipo, fez seu vôo inaugural em 25 de fevereiro de 1935, tendo nos comandos o piloto de provas Hans Nitschke e levando em suas asas dois motores BMW VI 6,0-Z de 600 H.P. Semanas mais tarde, o terceiro protótipo da família apresentou um desempenho impressionante, sendo que sua velocidade de cruzeiro era superior a muitos aparelhos contemporâneos, inclusive caças.

O sucesso foi tal, que em 1936 a Lufthansa já havia adotado seis He 111C-0 de dez lugares e, simultanea-mente, operavam secretamente cerca de dez unidades em versões militares (o He 111A-1). Entretanto a última variante, deixou a desejar ao ser carregada com equipamentos bélicos em Rechlin; assim, em primeiro momento o projeto foi rejeitado pelo Alto Comando e os aviões vendidos à China.

Em resposta ao déficit de velocidade, a Heinkel iniciou a produção da versão B, equipada com motores Daimer-Benz 600A de 1000hp, mas o aumento de peso propunha a velocidade de 360Km/h. No final de 1936 a Luftwaffe adotava a versão B-1, com motores Daimer-Benz 600C de 880 H.P. Os He 111B-1 compuseram as primeiras unidades de bombardeiro da Luftwaffe (Kampfgeschwader), atuando como a espinha dorsal da KG154, KG152, KG155, KG253, KG257 e KG355.

Com o início da Guerra Civil Espanhola em 1936, tropas italianas e alemãs foram envia-das clandestinamente para apoiar as forças nacionalistas do General Francisco Franco com o objetivo de derrotar os adversários re-publicanos (apoiados pelos soviéticos e por uma brigada internacional). Além de tanques e tropas terrestres, Hitler enviou a Legião Con dor, uma unidade de combate aéreo equipada principalmente com caças monopostos Arado Ar 68 e posteriormente Bf 109 do JGr88 (Jagd gruppe 88) e com bombardeiros He 111B-1 do KGr88 (Kampfgruppe 88). Um ano mais tarde, estrearam os novos He 111B-2 com motores DB 603CG de 950 H.P. Porém, a falta desses motores ocasionou a criação de
He 111B da Legião Condor, 1938
outros dois modelos, o He 111D-0 e D-1, equipados com plantas DB 600Ga e 950 H.P. de potência. Foi também desenvolvido uma versão muito semelhante, aos outros aparelhos anteriores, que recebeu a designação de He 111E e levava bombas num compartimento interno.

Com o passar do tempo, o He 111 provou ser um avião de difícil construção, principalmente a fabricação de suas complexas asas. Mediante isso, a aeronave sofreu diversas modificações para simplificar sua produção, o que originou na variante F. Em 1938 o novo parque industrial da Heinkel foi instalado em Oranienburg, possibilitando a fabricação de seus próprios motores, os Jumo 211A-3 de 1100 H.P., os quais equiparam os únicos nove aparelhos da versão G. Ao mesmo tempo, produziu-se os 90 aparelhos da versão J concebida como torpedeiro e adotada pelo KGr 806. Nesta época os exemplares tinham o nariz de vidro ressaltado. Uma fuselagem dianteira lisa, lançou o modelo He 111P, que possibilitou a incorporação de uma metralhadora na frente e melhorias na visibilidade. O modelo equipou, a partir de abril de 1939, a KG157 que aguardava a versão H.



O Início da Guerra

Quando da invasão da Polônia em 01 de setembro de 1939, a Alemanha possuía em condições de vôo 705 He 111s nas versões H, P, E e J, equipando a KG1, KG4, KG26, KG27, KG53 e KG152, mais o I/LG1, operando nas regiões centrais da Polônia. No momento em que as forças polonesas recuaram para Varsóvia, os He 111 lançaram violentos ataques contra a cidade.

Em oposição ao sucesso nos céus polone-ses, a Campanha da Noruega não reservou bons resultados ao Heinkel, dada a ausência completa de campos de pouso ideais, preju-dicando consideravelmente seu papel (ape-nas a KG4, KG26 e KGr100 estavam em ope ração). Durante a Campanha da Holanda, o-correu um incidente que marcaria a carreira dos He 111: ao receber uma mensagem er-rada, bombardeiros da KG54 despejaram 97 toneladas de bombas sobre Roterdã (depois da capitulação do governo holandês), matan-do, acidentalmente, 814 civis e causando comoção internacional.
He 111 da  KG26

Já na Batalha da Inglaterra os modelos em operação eram os da versão H, mas muitos exemplares da variante P encontravam-se em combate sobre o Canal. Foi em um desses que o Oberst Alois Stoeckl, Kommodore da KG54 tombou em 14.08.1940. O He 111H mostrou-se para a RAF um adversário fácil, a despeito do fato de sua estrutura suportar muitos danos (alguns chegavam aos pedaços às praias francesas) e fossem muito mais rápidos do que os outros bombardeiros germânicos, como o Dornier Do 17. Mas essas características não permitiram que 246 dos 500 He 111H empregados na Batalha fossem derrubados, significando quase 1500 tripulantes mortos ou capturados.

Porém, há muitas vitórias. A incursão contra a fábrica de aviões localizada em Bristol em 25 de agosto de 1940, realizada pela KG55 e no dia seguinte a fábrica de caças Spifires em Southampton, causaram grandes dores de cabeça aos britânicos.

Ainda em 1940, as Kampfgechswaders receberam a nova versão do He 111, a variante H-5. Este modelo levava em suas asas, tanques auxiliares em vez de células de bombas, aumentando sua autonomia. As demais modificações eram dois trilhos externos, os quais carregavam duas bombas de 1000kg ou uma de 1800kg, sendo que podia-se também optar por minas munidas de pára-quedas.

Um Heinkel é municiado com um torpedo LTF5bA próxima versão seria o H-6. Estes novos Heinkels entraram em produção nos fins de 1940, sendo capazes de levar um par de tor-pedos anti-navais LT F5b e que tinham como armamento seis metralhadoras MG15 de 7.92 mm e um canhão de 20mm de fogo frontal. Esta versão foi amplamente utilizada como bombardeiro, principalmente contra os combo ios aliados no Mar do Norte. Aeronaves do I/KG26, baseado na Noruega, afundaram tone ladas e mais toneladas de embarcações que rumavam à URSS. Junto com os bombardei-ros Junkers Ju 88, eles dizimaram o comboio PQ-17 em Junho de 1942. Um dos grandes pilotos desta fase foi o então Hauptmann Werner Baumbach (1918-1953) que, pilotando
um He 111H-6, veio a ser condecorado com a Cruz de Cavaleiro na Batalha da Inglaterra por suas inúmeras incursões bem sucedidas.



Relegado ao segundo Plano

Com o final da Batalha da Inglaterra, o He 111 mostrou-se um aparelho obsoleto. Os novos caças intercepta-dores Spitfire e Huricane, e entre outros, derrubavam sem dificuldades os He 111. Assim a OKL começou a procurar um novo substituto. A partir de 1942, os Junkers Ju 88, principalmente, tomaram seu lugar como bombardeiro principal da Luftwaffe e a utilização do He 111 continuou como secundária, restrita ao transporte de suprimentos ou a operações em poucas Geschwaders.

As próximas designações H-7 e H-9 eram re ferentes aos aviões da versão H-6 que havi- am recebido modificações secundárias aos equipamentos (armamento notadamente) e sem importância técnica. Já os da série H-9 tiveram mudanças na região frontal, com a instalação de lâminas de corte a fim de rom-per cabos de barragens dos balões britâni-cos. Como a estratégia não foi bem sucedi-da, os aparelhos remanescentes receberam outras modificações, das do tipo Rüstsatz (realizadas nas próprias bases) para rebocar planadores e denominados He 111H-6/R2. O
Um He 111 sendo carregado com bombas durante o início da Operação Barbarossa, 1941
modelo H-10 recebeu uma gôndola ventral armada com um MG FF de 20mm e cortadores de cabo Kute-Nase.

Alguns exemplares da série H-6 foram utilizados como aeronaves de reconhecimento pelo KGr 100 com sucesso considerável, fazendo com que as versões H-14, H-16/R3 e H-18 tivessem como equipamento sistemas de comunicação FuG Samos, Peil-GV, APZ-5 e FuG Korfu, designados também para servirem junto ao Soderkommando Rastedter.

Interior do cockpit de um He 111P durante a Batalha da França, 1940. Outras versões eram mais aviões de transporte do que bombardeiros, como é o caso do He 111H-20/R1 com capacidade de levar 16 soldados com equipamentos e do He 111H-20/R2, um excelente cargueiro. Algumas unida-des ainda foram empregadas na Frente Oriental, principal-mente as variantes H-20/R3 e H-20/R4, capazes de supor tar bombas de 2000Kg e granadas de fragmentação de 50Kg. Porém, a maior operação realizada pelo Heinkel naquele front foi entre novembro de 1942 e fevereiro de 1943, nos duros combates na cidade de Stalingrado.

Quando o 6º Exército Alemão, liderados pelo Generalfeld marshal Friedrich Paulus, estavam cercados por tropas soviéticas, os bombardeiros He 111 da KG27, KG55 e I/KG100, junto dos aviões de transporte He 111D dos gru
pos KGrzbV 5 e 20, levavam alimentos, munições e resgataram alguns feridos, no momento em que os tradicionais Junkers Ju 52/3m eram insuficientes. A operação foi um fracasso, em virtude do mal tempo e de outras condições, não impedindo a rendição de Paulus para as forças russas e a perda de 165 He 111, uma derrota da qual as Kapfgeschwaders envolvidos nunca se recuperariam.

Outras modificações ocorreram, uma delas foi a adaptação de aparelhos dos modelos H-6 e H-20 para levar bombas voadoras Fieseler Fi 103 (V-1), estes aparelhos equiparam, primeiramente, o III/KG3 (em junho de 1944) com um total de 100 unidades (nomeados de H-22). Nas primeiras operações foram lançadas 300 bombas V-1 contra Londres. O sucesso fez com que se modificassem mais cem He 111 para a KG53 e um ataque foi dirigido a Inglaterra em 24.12.1944, o que foi um fracasso, em vista dos 77 aviões derrubados e de apenas 20% das bombas atingirem os alvos na região Norte do país.

Uma experiência curiosa foi a versão Zwilling, que era a fusão de dois Heinkel com um quin to motor e tripulação de sete integrantes, ob tendo a envergadura de 32.5 m (na versão He 111Z-1). Esse experimento era destinado a re bocar o enorme planador Messerschmitt Me 321 Gigant ou três Gotha Go 242. A velocida-de deste bizarro avião era de 225Km/h no teto de serviço de 4000m e eles operavam a partir de Obertraubling no Grossraumlasten-segler-kommando 2. O He 111Z-2 não foi u-tilizado em combate e era capaz de levar qua
A estranha versão Zwilling (He 111Z)
tro mísseis. Projetou-se uma versão Z-3, que nunca foi construída.

Os últimos He 111 estiveram em serviço na Luftwaffe até o final da guerra. A última grande operação bem sucedida foi realizada pelos aviões da KG4, KG27, KG53 e KG55 na noite de 21 para 22 de junho de 1944, quando bombardearam o aeroporto soviético de Poltava, onde estavam 114 B-17 Flying Fortress e seus caças de escolta P-51 Mustang, destruindo 58 dos aparelhos ali estacionados. No final do ano, os He 111 eram a espinha dorsal do Transportgruppe 30, que lançou pára-quedistas disfarçados de americanos atrás das linhas aliadas na Batalha das Ardennas. No dia do armistício, a KG4, o TGr30 e o Schleppgruppe 1 utilizavam este aparelho ainda como avião transporte.

Com o final da Segunda Guerra, em 08 de maio de 1945, a Espanha continuou a fabricar o He 111 (assim como o Me 109) com motores Rolls Royce Merlin britânicos, até sua aposentadoria efetiva em 1956, ou seja, mais de 20 anos após seu vôo inaugural.


Histórico
Séries:
B,C,D,E,F,G,H,Z,P
Categoria(s):
Bombardeiro: B,E,H,P
Transporte: C
Tripulantes:
5
Primeiro Vôo:
1937
Inicio de 1939 (H-1)
Primeira entrega:
1937
Última entrega:
Outubro de 1944
Obs:
Bombardeiro padrão da Luftwaffe, após a guerra foi produzido na Espanha (CASA 2111)
Ficha Técnica - He 111H-3
Motor:
2 x Junkers Jumo 211D-2 V12 invertido, refrigerado a água
2 x Jumo 211 F-2 (H-16)
Potência:
1.200 hp
1.340 ps (H-16)
Dimensões:
Envergadura:......................................22,60 m
Comprimento:.....................................16,40 m
Altura:.................................................04,00 m
Pesos:
Vazio:..................................................7.720 kg
Máximo:.............................................14.000 kg
Desempenho:
Vel. cruzeiro:...................................... 
Vel. máxima:......................................415 km/h
435 km/h (H-16)
Vel. ascensão:.................................... 4.500 m em 35 min (50 min carregado)
Autonomia:.........................................1.200 km (carga máxima)
2.900 km (H-16)
Teto serviço:......................................7.800 m
6.700 m (H-16)
Armamento(s):
1 metralhadora MG15 de 7.92 mm na saliência sobre o nariz
1 metralhadora MG15 na posição dorsal
1 metralhadora MG15 na gondola ventral
1 metralhadora MG15 na linha das janelas
1 metralhadora MG15 apontada para frente
1 canhão MG FF de 20 mm na parte dianteira da gondola ventral
Mais de 2.000 kg de bombas montadas em celulas verticais

Opcional: 1 metralhadora MG15 na lateral do nariz
1 metralhadora MG17 de 7.92 mm fixada na extremidade da cauda

He 111H-16:1 canhão MG/FF
1 metralhadora MG131
3 MG81Z
Até 3.000 kg de bombas.
Ótima foto mostrando um artilheiro em seu posto.


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