Dornier Do 17
"Der Fliegende Bleistift"


Muitos historiadores afirmam que quando da eclosão da Segunda Guerra Mundial, a força de bombar-deiros da Luftwaffe não se encontrava em condições de enfrentar um inimigo de vulto, nem mesmo, após uma análise mais contemporânea, de continuar com os conceitos da Blitzkrieg por muito tempo. Tal conclusão parte de um só argumento: a grande maioria dos bombardeiro ou aviões de transporte alemães não eram nada além de aparelhos comerciais modificados para os requisitos militares.

Isto porque, dentro das imposições do Tratado de Ver-salhes, a força aérea alemã teve de ser ilicitamente construída a partir de projetos comerciais. Inicialmente os aparelhos Ju 52/3m serviram como a espinha dorsal da Luftwaffe, seguido do Fw200 "Condor" e o Dornier Do17.

Embora fosse projetado oficialmente como um avião postal e de passageiros, era na realidade um dos pro-jetos do rearmamento secreto da Alemanha Nazista, in

Um Do 17P-1
confundível pelas suas linhas velozes e limpas, próprias de uma aeronave tipicamente de uso militar.

Em combate, o chamado "Pincel Voador" causou grande espanto e surpresas tanto para inimigos como para seus próprios pilotos, primeiramente como plataforma horizontal e mais tarde como caça noturno.

 

As Primeiras Unidades

O protótipo denominado de Do 12V1 foi o primeiro aparelho desta linhagem. Possuía cauda com deriva simples, junção entre asas e fuselagem com caráter aerodinâmico, trem de pouso recolhível para dentro dos naceles dos dois motores BMW e um corpo delgado, o que lhe atribuiu o apelido de "Flieger Bleistift" - Lápis Voador. Mas nenhuma das suas características apontavam para fins civis. Em primeiro lugar pela capacidade de apenas 6 passageiros distribuídos em dois "espaços": um par num cubículo junto ao cockpit e outros quatro na cabina atrás das asas, a qual contava com meros 1,22m de altura. Com asas altas em relação à fuselagem, tinha-se espaço para um "bagageiro" no dorso, que se assemelhava mais a um compartimento de bombas.

Seu primeiro vôo aconteceu em 23 de novembro de 1934 rendendo resultados satisfatórios, o que levou à encomenda de dois exem-plares para a Lufthansa. Entretanto a companhia germânica não en-controu utilidade para este inadequado aparelho, deixando as unida-des esquecidas num hangar em Lowenthal, na fábrica da Dornier.

Certo dia, o Hauptmann Robert Untucht - um piloto de testes e oficial de ligação do RLM - encontrou os aviões por acaso. Imediatamente pediu aos executivos da fábrica uma permissão para testar um deles. Sem qualquer bloqueio, Untucht assumiu os comandos daquele verdadeiro fardo para a Dornier. O avião esquecido o impressionou muito, a ponto da Luftwaffe encomendar um novo protótipo, o Do 17V4, bombardeiro, com deriva dupla nos estabilizadores.

Novos protótipos foram sendo construídos, como o Do1 7V5, que alcançou a marca de 391Km/h com dois motores Hispanos, veloci-dade superior a de qualquer aeronave monoplana existente na época.


Em 1936 a produção foi iniciada com o Dornier Do 17E-1, nos campos industriais de Lowenthal, Manzell e Allmansweiler. Tal variante era equipada com duas me-tralhadoras MG15 dispostas no dorso e na traseira, aliadas a uma carga de bombas de 750 kg. Havia outras modificações, como o nariz menos proeminente e envidraçado, aumentando a visibilidade da tripulação. Foi desenvolvida, paralelamente, uma versão de reco-nhecimento, o Do 17F-1.

Um Do 17E-1

 

Impressionando o Mundo

Em 1936, a Alemanha ofereceu apoio às tropas nacionalistas do General Francisco Franco, durante a Revolução Espanhola. Isto originou no envio de tanques, unidades de FLAK e todo um suporte aéreo na forma da famosa Legião Kondor.

Um Do 17F-1

Um Staffel composto por quinze unidades do Do 17F-1 de reconhecimento fizeram parte desta força, atuando junto ao 1./K 88 e 2./K 88 (1º e 2º Staffen do Kom-mando 88). Logo a variante se destacou com muito mérito, pois escapava facilmente dos aviões inimigos. Isto levou a sua adoção em outras unidades, substi-tuindo os antigos Heinkel He 70.

A série E também foi empregada em larga escala na Espanha e ao lado de uma nova versão mais potente, o Do 17P, propulsionada por motores radiais BMW 132N

de 865 HP. Estes aparelhos ficaram com a Força Aérea Espanhola até 1949, junto ao 27º Grupo de Aviões de Guerra (27º EdA).

No ano de 1937 foi organizado uma corrida de aviões em Zurique (Suíça), denominada Competição Interna-cional de Aeronáutica Militar. Nesta prova, a Dornier apresentou um novo protótipo, o Do 17V8 (também conhecido como Do 17M), munido de dois DB 600A de 1000 HP. Como esperado, o aparelho venceu todos os oponentes sem dificuldade alguma, o que causou grande admiração e sensação nos presentes. Assim surgiu o Do 17M, com motores radias Bramo 323A-1 Fanfnir de mesma potência do DB 600A.

Estes aviões contavam com um nariz mais curto do que o E-1 mas, mesmo assim, a Iugoslávia ficou tão impressionada com o modelo que logo encomendou um pacote com vinte unidades Do 17K junto a uma licença de fabricação. Eles mantiveram o nariz original (mais proeminente) e trocaram os motores por dois propulsores Gnome-Rhône 14N de 980HP (731KW), também radias, os quais ofereciam uma velocidade final de 417 km/h.

Outra modificação foi em relação ao armamento: o Do 17K ganhou um canhão 20mm e três metralhadoras. Muitos desses aviões foram destruídos com a Invasão Alemã na Iugoslávia em 06 de abril de 1941, outros fo-

Formação de Do17s em direção à Inglaterra, verão de 1940.
ram capturados pelas forças de Hitler e entregues à Força Aérea Croata, realizando missões de bombardeiro contra "partisans" comunistas. Em 19 de abril de 1941, dois desses modelos desertaram para Heliópolis (Egito), servindo, mais tarde, com a RAF sob designação AX 706 e AX 707.

Em 1937 uma nova versão saía das linhas de montagem. Ao combater na Espanha, o Dornier apresentou certa vulnerabilidade ao enfrentar os caças monopostos Polikarpov I-16 "Rata" das forças republicanas. Assim, os projetistas desenvolveram uma nova cabina, que aumentava o espaço para a tripulação, aumentando também a visão de tiro e o ângulo dos artilheiros. Essa nova estrutura originou duas novas variantes: o Do 17S e o Do 17U, ambos equipados com motores DB 600 e produzidos a partir do início de 1938.

 

O Dornier Do 17Z

Com a eclosão da Segunda Guerra, várias versões da família do Dornier Do17 entraram em serviço, nas funções de reconhecimento e bombardeiro horizontal ou de picada, mas o modelo que mais se difundiu foi, sem sombra de dúvida, o Do 17Z.

Um Do 17Z-2 croata do KG53 O Do17Z era, na verdade, uma continuação das séries S e U, mas equipada com os motores Bramo 323 A-1 Fanfnir do Do 17M. Outra característica era a grande versatilidade do modelo (apenas comparada ao Junker Ju88): a série Z era útil como aparelho de reconhe-cimento, bombardeiro e caça noturno. Com a capa-cidade máxima de 1000 kg de bombas, o modelo Z-2 foi a "opção" básica de serviço, equipando as seguin-tes unidades da Luftwaffe : KG2, KG3, KG53 (Unidade Croata), KG76 e toda a Força de Bombardeiros da Finlândia. A produção do Z-2 foi suspensa na metade
de 1940, devido às grandes perdas durante a Batalha da Inglaterra, contabilizando 500 unidades entregues.

 

Caça Noturno

Porém, haviam outras versões ainda na ativa. O Do 17Z-6 Kauz foi um caça noturno adaptado com um nariz do Ju 88C-2, equipado com um canhão de 20mm e mais três metralhadoras MG 17 de 7,92mm. Esta variante foi seguida do Do 17Z-10 Kauz II, uma aeronave que contava com o primeiro detetor infra-vermelho da História, somado ao armamento de dois canhões 20mm e quatro MG de 7,92mm.

O Do 17Z-10, serviu como caça noturno durante toda sua vida útil, equipando vários Geschwaders, como o Stab II/NJG 2, baseado em Leewarden.

A primeira vitória obtida com esse avião foi creditada ao então Oberleutnant Ludwig Becker (1911-1943), quando abateu um Vickers Wellintgon sobre a locali-dade de Zuyder Zee em 18 de outubro de 1940.

Um Do 17Z-10

 

O Dornier Do 215

No final de 1940 o Do 17Z-10 foi retirado de serviço, substituído por uma versão mais moderna, o Do 215B. A numeração "215" foi dada pelo RLM em razão da incorporação de uma compra de 18 aeronaves Do 17Z feitas pela Suécia em 1939, as quais nunca foram entregues. Estes aparelhos eram propulsionados por motores DB601 A de 1.075 HP e necessitavam de uma nomenclatura distinta, por isso a mudança de nome.

Um Do215. Os aviões serviram junto à Força de Caças Noturnos e foram os primeiros aparelhos do mundo a rece-berem radares - no caso, o famoso Lichtenstein - jun-tamente com os sistemas de IR (detetores infra vermelhos). Novamente foi o Oberleutnat Becker que creditou a primeira vitória à série 215, em 09 de agosto de 1941 e quatro outras a bordo de um Do 215B-5 na noite de 02 de outubro do mesmo ano. O ganhador dos Brilhantes, Major Helmut Lent, também pilotou um Do 215B "R4 + DC" quando atuava como Gruppenkommander do II/NJG 2.

Outras versões do Do215 foram produzidas, e este era reconhecido pela ausência total da frente envidraçada, a fim de equipar canhões maiores ou câmaras fotográficas - como o modelo B-4 de reconhecimento.

 

O Fim

Embora a produção do Do17 tenha se encerrado ainda no início do conflito (perto de 1941), muitos continua-ram em serviço.

Em 1941, as unidades sobreviventes da série "Z" e-quiparam a Kampfgeschwader 2 (KG2), a qual estava, em maio daquele ano, em serviço na localidade de Tatoi (Grécia), operando ao lado dos Ju87 "Stukas" da StG 2 "Immelmann" e outros bombardeiros do seu tipo. Porém, em razão das grandes perdas em aci-dentes aéreos, pois a velocidade de ataque era muito alta (595Km/h), todo o efetivo da KG2 foi transferido para Rússia, dias após o início da invasão.

Neste mesmo ano, o Dornier Do17 começou a ser re-tirado de combate, sendo substituído por um irmão de sangue, o Do217, maior e mais eficaz.

Vista interna de um Do17


Histórico
Séries:
E,F,J,Ka,L,M,MV,P,R,S,U,Z
Categoria(s):
Bombardeiro: E,Ka-1,MV,Z-2,Z-5
Reconhecimento: F,P,Z-3
Correio: U
Caça noturno: Z-10
Tripulantes:
3
Primeiro Vôo:
Outono de 1934
Primeira entrega:
1936
Janeiro de 1939 (Z-1)
Última entrega:
1940
Ficha Técnica - Do 17Z-10
Motor:
2 x BMW-Bramo 323 P
Potência:
1.100 hp
Dimensões:
Envergadura:...................................... 18,00 m
Comprimento:..................................... 15,79 m
Altura:................................................. 04,56 m
Pesos:
Vazio:.................................................. 8.800 kg
Máximo:.............................................  
Desempenho:
Vel. cruzeiro:......................................  
Vel. máxima:...................................... 442 km/h
Vel. ascensão:....................................  
Autonomia:......................................... 1.700 km
Teto serviço:...................................... 9.000 m
Armamento(s):
2 canhões MG/FF de 20 mm
4 metralhadoras MG17 de 7,92 mm
Dornier Do17Z-2 do 9./KG76 durante a Batalha da Inglaterra. Os spinners são pintados em amarelo para a indetificação do Staffel.

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Condecorações